Por Bahia Oline
Denúncia formal da falta de pagamentos foi recebida pelo Cremeb na última segunda-feira
Um grupo de 25 cirurgiões-gerais do Hospital Geral Roberto
Santos (HGRS) comunicou ao Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia
(Cremeb), na última segunda-feira, 17/8, o desligamento programado das escalas
da unidade. A medida, que pode reduzir o número de atendimentos do hospital,
foi tomada pelos profissionais em decorrência de sucessivos atrasos nos
pagamentos. Os trabalhadores estão há cinco meses sem receber remuneração.
Segundo o Cremeb, além da falta de pagamento, os médicos
sinalizaram outras demandas da unidade. Entre elas está a sobrecarga de trabalho
provocada pela falta de profissionais nas escalas, decorrente do desligamento
de outros plantonistas. Além disso, os profissionais apontaram uma defasagem
nos valores pagos aos médicos, afirmando que os pagamentos não são compatíveis
com as atividades de alta complexidade desenvolvidas.
“Essa é uma situação que tem preocupado muito o Cremeb,
sobretudo porque as demandas relacionadas à inadimplência dos honorários
médicos vêm aumentando de forma significativa. Além de prejudicar diretamente o
profissional, que também tem família, compromissos e responsabilidades que
dependem da sua remuneração, esse tipo de situação pode gerar desassistência à
população, atingindo principalmente os pacientes mais necessitados e os
usuários do Sistema Único de Saúde”, argumentou o conselheiro diretor do DEPMED
(Departamento de Defesa das Prerrogativas do Médico), José Abelardo de Meneses.
O grupo tentou dialogar com a gestão do hospital em
diferentes ocasiões para buscar a resolução das questões enfrentadas, tanto em
relação ao atraso nos pagamentos quanto ao desfalque nas escalas, mas não houve
solução efetiva até o momento, de acordo com o Conselho. Após o recebimento da
denúncia, o Cremeb oficiou a Sesab (Secretaria da Saúde do Estado da Bahia) e o
MP (Ministério Público do Estado da Bahia). “É fundamental que as autoridades e
os gestores cumpram os compromissos e as obrigações legalmente estabelecidos,
garantindo aos médicos o pagamento pelos serviços que efetivamente prestaram”,
afirmou Meneses. A reportagem procurou a Sesab e o Ministério Público para
obter um posicionamento sobre o caso e aguarda retorno. Fonte: Bahia Online