Por
Metro1
Foto: Divulgação
A
2ª Vara Federal Criminal da Bahia condenou, na última sexta-feira (21/8), Diego
Guilherme Rodrigues pelos crimes de invasão de dispositivo informático e uso de
documento falso. A sentença, assinada pelo juiz federal Fábio Moreira Ramiro,
estabeleceu pena de 3 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão, em regime aberto,
além de 22 dias-multa. O
caso é um desdobramento da Operação Escalada Cibernética, deflagrada pela
Polícia Federal para investigar um esquema de invasão ao sistema do Processo
Judicial Eletrônico (PJe). Segundo as investigações, o grupo utilizava acessos
fraudulentos para adulterar documentos judiciais e tentar desviar valores de
processos em tramitação na Justiça Federal. Na Bahia, a fraude ocorreu em março
de 2021 e envolveu uma tentativa de desvio de R$ 286.272,47.
DOCUMENTO
FOI ALTERADO PARA INDICAR CONTA DO CONDENADO
De
acordo com a investigação, os envolvidos tiveram acesso a um processo
relacionado a uma ação de cobrança e obtiveram um ofício assinado pelo juiz da
12ª Vara Federal. O documento original determinava a transferência de R$ 286.272,47
para a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia. O ofício, porém, foi
adulterado e inserido novamente no sistema com aparência semelhante à do
documento original. A mudança alterava o destinatário da transferência e
indicava uma conta bancária de titularidade de Diego Guilherme Rodrigues.
O
dinheiro não chegou a ser transferido porque uma servidora identificou a fraude
durante a conferência do processo, antes que a ordem fosse encaminhada à Caixa
Econômica Federal. Segundo a sentença, mensagens trocadas por WhatsApp entre
Diego e o corréu Selmo Machado da Silva, apontado como responsável técnico pela
invasão, também foram utilizadas como prova. O condenado recebeu uma imagem do
ofício adulterado antes da tentativa de transferência. Para
o magistrado, as conversas demonstraram que Diego tinha conhecimento e aderiu
ao esquema. As investigações também identificaram, em um celular apreendido com
o réu, um comprovante bancário relacionado a outro valor que teria sido destinado
a ele de forma fraudulenta, em um processo de São Paulo.
FRAUDES
ENVOLVERAM OUTRAS REGIÕES DO PAÍS
O
esquema começou a ser investigado após magistrados e servidores do Tribunal
Regional Federal da 3ª Região identificarem, em fevereiro de 2021, alterações
fraudulentas em dois ofícios judiciais relacionados a processos em São Paulo. Segundo
o Ministério Público Federal, dados bancários de Diego apareceram nos
documentos adulterados como destinatários de transferências que ultrapassavam
R$ 870 mil.
As
investigações apontaram que os envolvidos obtiveram fraudulentamente um
certificado digital em nome de um servidor do Tribunal Regional Federal da 1ª
Região com perfil de administrador do sistema. A partir do acesso, os
criminosos teriam criado uma cadeia de acessos indevidos e assumido a
identidade de outros usuários para manipular documentos dentro do PJe.
CONDENADO
PODERÁ RECONRRER EM LIBERDADE
Na
definição da pena, o juiz considerou três condenações anteriores de Diego, com
trânsito em julgado entre 2004 e 2008. Os antecedentes também impediram a
substituição da pena de prisão por penas restritivas de direitos. Apesar da
condenação, ele poderá recorrer em liberdade. Segundo a sentença, não estavam
presentes os requisitos necessários para a decretação de prisão preventiva.
O
processo de Selmo Machado da Silva foi desmembrado e suspenso. Apontado pelas
investigações como responsável técnico pela invasão ao sistema, ele está em
local incerto e não sabido. Segundo a sentença, o mesmo padrão de fraude, com o
uso de certificados digitais obtidos de forma fraudulenta e alterações de
e-mails cadastrados de magistrados e servidores, atingiu outras seções
judiciárias do país. Diego aparece como beneficiário em pelo menos três
episódios investigados na Operação Escalada Cibernética. Fonte da Informação
Metro1.