Por Gazeta Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O
Ministério Público Federal (MPF) determinou, na última quinta-feira (15), a
abertura de um inquérito para apurar o suposto vazamento de informações
sigilosas da Operação Sem Desconto pelo diretor-geral da Polícia Federal,
Andrei Rodrigues. A apuração foca em declarações dadas por Andrei em abril de
2025. Na ocasião, o diretor-geral afirmou em entrevista que o Sindnapi,
sindicato do qual Frei Chico, irmão do presidente Lula (PT), era
vice-presidente, não era alvo da operação. No entanto, a entidade estava sob
investigação, o que levantou suspeitas sobre a conduta do chefe da Polícia Federal.
O
caso foi submetido à 7ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal
(MPF), que rejeitou o arquivamento da matéria e apontou a “necessidade de
realização de diligências” para apurar eventual crime de improbidade
administrativa. Com a decisão, o procurador Gabriel Pimenta Alves converteu a
Notícia de Fato em Procedimento Investigatório Criminal, encaminhando o processo
à Justiça Federal e expedindo um ofício para que Andrei Rodrigues preste
esclarecimentos.
O
CONTEXTO DA ENTREVISTA
Em
abril de 2025, dois dias depois de a Polícia Federal deflagrar uma operação
contra um conjunto de sindicatos que roubaram mais de R$ 6 bilhões de
aposentados no INSS, Andrei Rodrigues deu uma entrevista para aparentemente
isentar o irmão do presidente Lula, o sindicalista Frei Chico, de qualquer envolvimento
com a ação policial.
“Várias
entidades e associações foram objeto de buscas e apreensão e de medidas também
contra seus dirigentes. E esse sindicato, o Sindnapi, não foi objeto de busca e
apreensão e tampouco seus dirigentes foram alvo de qualquer medida. Respondendo
objetivamente: o irmão do presidente Lula não é alvo da operação, não é
investigado na operação e, portanto, eu sei que isso, pela questão política,
termina gerando uma onda de pessoas tentando fazer uma vinculação”, disse
Rodrigues.
O sindicato, como se sabe, era, sim, investigado, mas a fala do chefe da PF, num momento em que nem os malotes de busca haviam sido abertos e periciados, levantou críticas sobre o vazamento de dados sigilosos na fala de Rodrigues para supostamente beneficiar o Sindnapi e o próprio irmão de Lula. Para os investigadores, caberia ao advogado do irmão do presidente da República fazer essa defesa, não a um investigador que tinha o dever de sigilo na ocasião.
O
QUE O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL INVESTIGA
É justamente isso o descumprimento do dever funcional que o MPF decidiu investigar num Procedimento Investigatório Criminal para apurar a “suposta divulgação de informações sigilosas da Operação Sem Desconto, decorrente de declarações públicas do Diretor-Geral da Polícia Federal”. No despacho, o órgão explica que diligências serão realizadas para aprofundar a investigação “com vistas à correta adoção de providências judiciais ou extrajudiciais”.
Numa
primeira análise, a 7ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público
Federal rejeitou arquivar o caso que cita Andrei Rodrigues e indicou “a necessidade
de realização de diligências para aferir se houve descumprimento do dever
funcional, violação do art. 325 do Código Penal ou prática de ato de
improbidade (art. 11, III, da LIA)” por parte do chefe da Polícia Federal.
Entre as medidas, o órgão vai intimar o chefe da Polícia Federal para que preste esclarecimentos sobre a entrevista dada ainda no calor das investigações para isentar o parente de Lula de qualquer suspeita. O Ministério Público Federal também encaminhou o caso à Justiça Federal e mandou juntar no processo “a cópia do ato judicial que fixou o sigilo do Inquérito Policial que integra a Operação Sem Desconto no que toca ao Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos”, o Sindnapi, cujo vice-presidente era Frei Chico, o irmão de Lula.
NOVA
OPERAÇÃO E REAÇÃO DO SINDICATO
Apesar
da entrevista de abril daquele ano, meses depois a Polícia Federal faria uma
nova operação tendo o sindicato do irmão de Lula como um dos alvos, mas Frei
Chico não sofreu ordens de busca dos federais. Naqueles dias, foram cumpridos
66 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal
(STF), em oito estados e no Distrito Federal.
Por
meio de nota, no dia da operação, os advogados do Sindnapi se disseram
“surpresos com o cumprimento de mandados de busca e apreensão na manhã de hoje
em sua sede em São Paulo, bem como na casa de seu Presidente e alguns
Diretores, em operação deflagrada pela Polícia Federal em nova fase da Operação
Sem Desconto”. Fonte Gazeta Brasil.





