Por
Correio
Relato foi compartilhado nas redes sociais em abril deste ano Crédito: Reprodução/Redes sociais
A
modelo e personal stylist Karen Seabra, de Minas Gerais, usou as redes sociais
para denunciar o que classificou como abuso sexual cometido por um obstetra
durante consultas de pré-natal. Em vídeos publicados no Instagram, ela relatou
episódios de constrangimento, comentários de cunho sexual e exames de toque
feitos, segundo ela, de maneira inadequada ao longo da gestação. Karen contou
que era paciente do médico desde 2022 e que, antes da gravidez, nunca havia
enfrentado qualquer situação desconfortável. Por confiar no profissional, fazia
as consultas sozinha, sem a companhia do marido ou de familiares. Segundo o relato, a postura do obstetra mudou
após a confirmação da gravidez. Ela afirma que o médico passou a fazer
“brincadeiras” com insinuações sexuais durante as consultas. “Quando eu chegava
lá, ele falava: ‘essa barriga marcando, hein? As pessoas vão saber o que você
anda fazendo’”, disse.
A
influenciadora também relatou que, a partir do terceiro mês de gestação, passou
a ser submetida a exames de toque em todas as consultas. Sem experiência por
ser mãe de primeira viagem, ela acreditava que os procedimentos faziam parte da
rotina do pré-natal. “Ele mandava eu colocar o roupão, deitar na maca e fazia
os exames. Pegava na minha barriga, no meu peito e fazia o exame de toque em
todas as consultas”, afirmou. "Eu tentava ignorar, porque eu não estava
preparada para lidar com isso agora. Não esperava viver isso durante a
gestação. Infelizmente, a mulher não tem um momento de paz, nem na
gestação", lamentou. Karen disse
que só descobriu que os exames frequentes não eram comuns após contratar uma
enfermeira obstétrica. Durante uma conversa, a profissional teria explicado que
o toque costuma ser realizado apenas na fase final da gravidez, quando há
sinais de trabalho de parto. “Ela falou: ‘O médico não tem que ficar fazendo
toque em você’. E aí eu percebi que em todas as consultas ele fazia isso”,
contou.
A
modelo afirmou ainda que saía das consultas sentindo dores e com pequenos
sangramentos. “Eu sempre saía sangrando, um sanguinho rosa, e sentia cólica por
causa do desconforto”, relatou. No vídeo, Karen descreveu um episódio específico
que a levou a formalizar a denúncia. Segundo ela, durante uma consulta motivada
por sintomas de candidíase, o médico realizou um exame ginecológico e, sem
explicação prévia, introduziu dois dedos nela. “No que eu gritei e falei ‘ai, o
que é isso? Tá me machucando’, ele não parou. Continuou fazendo o movimento
enquanto olhava para o meu rosto”, disse.
A
identidade do médico não foi revelada. Ela afirmou que o médico não explicou a
necessidade do procedimento naquele momento e apenas repetia expressões no
diminutivo, como “deixa eu ver se está fechadinho”, algo que passou a lhe
causar desconforto. Ela denunciou o caso ao hospital onde era atendida e ao
Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais.
Ao compartilhar a experiência, a modelo afirmou que o objetivo é alertar
outras mulheres, especialmente grávidas de primeira viagem, sobre possíveis
sinais de abuso em consultas médicas. Fonte: Correio.