Na
sessão extraordinária, ministros batem boca, trocam acusações e até questionam
condução de Fachin, só não definem se haverá investigação contra colega.
Mentira, leviano ouviram alguns ministros para todo mundo saber. Assim como na
Lava Jato: o que houve não teria existido, mas todos viu dinheiro de corrupção.
O pedido feito pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin,
de “sensatez, decoro e serenidade” foi ignorado por magistrados em boa parte da
sessão extraordinária dessa terça-feira na Corte. O plenário deveria avaliar se
abriria uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por suposto
envolvimento com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O julgamento, no
entanto, expôs em público as divergências que tomaram conta da Corte nas
últimas semanas. Houve troca de acusações, interrupções, bate-boca e
questionamentos sobre a condução de Fachin. Ao fim da tumultuada sessão, Flávio
Dino pediu vista e adiou uma definição. Na abertura dos trabalhos, Fachin
tentou estabelecer o tom da sessão. “Não se julgam pessoas; julgam-se fatos e
questões jurídicas. Não se antecipa o mérito antes de resolvida a validade
processual. A divergência é legítima; o confronto pessoal, não”, afirmou.
De
nada adiantaram as palavras do presidente. Os ministros Alexandre de Moraes e
André Mendonça trocaram hostilidades; Gilmar Mendes também fez disparos contra
Mendonça; e o próprio Fachin foi envolvido em discussões, com Flávio Dino. Moraes
e Mendonça protagonizaram um dos momentos mais tensos do dia. O relator da
trama golpista acusou o colega de ter usado a Polícia Federal para tentar
incluí-lo em uma colaboração premiada, e afirmou que o magistrado também tem de
ser julgado pelo plenário do STF. A princípio, a avaliação sobre o caso de
Mendonça acusado por Moraes de abuso de autoridade, improbidade administrativa
e crime de responsabilidade está marcada para o dia 23. Em duas ocasiões,
Mendonça interveio e disse a Moraes: “isso é mentira”. Em outra oportunidade,
disse a Gilmar Mendes: “o senhor está sendo leviano”.
“Não
há como julgar hoje sem julgar terça, porque eu pergunto: quem tem medo da
Polícia Federal, presidente? Quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a
Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na delação
premiada? E vamos chamar testemunhas que eu vou indicar. Não só policiais, mas
advogados. Eu tenho testemunhas”, sustentou Moraes. Mendonça o interrompeu: “É
mentira”. Ele acrescentou que o colega poderia chamar “quem quiser”. Moraes
seguiu no ataque: “Chamou. ‘Inclui o ministro Alexandre’. Por quê? Porque está
a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país “. Ele ainda
negou ter usado um documento apócrifo, um relatório de inteligência da Polícia
Federal, para embasar sua denúncia contra Mendonça. “Não tem nenhum documento
apócrifo. Todos sabem o que é um relatório de inteligência. Os relatórios de
inteligência estavam registrados. É só pegar o registro, quem fez, e vamos
chamar aqui a este Supremo Tribunal Federal”, frisou.
Gilmar também partiu para
cima de Mendonça, questionando a decisão do ministro de ordenar a destituição
do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Ele chamou o colega de
“boneco eleitoral”, por tomar a decisão em pleno período de eleições. A
temperatura subiu, ainda, entre Fachin e Dino. O episódio ocorreu enquanto Dias
Toffoli explicava por que havia deixado a relatoria das investigações do
Master. Toffoli afirmou que Dino sugeriu seu afastamento para preservar a Corte
diante das repercussões do caso. Ao ser citado, Dino tentou intervir e foi repreendido
pelo presidente do STF. “Tem que pedir a palavra à Presidência, é o que estou
dizendo“, afirmou Fachin. Dino rebateu: “Eu vou seguir
o
Regimento Interno da Corte “. O presidente do STF retrucou: “Pois Vossa
Excelência terá a palavra porque estou lhe concedendo “. Dino chegou a retirar
da gaveta uma cópia do Regimento Interno para sustentar sua posição. Mais
tarde, voltou ao assunto ao pedir um aparte a Gilmar Mendes e fez referência à
cobrança anterior: “Ministro Gilmar, Vossa Excelência concede um aparte?
Presidente, Vossa Excelência autoriza que o ministro Gilmar me conceda um aparte?”.
Fonte: Voz da Bahia.