Por Bahia Notícias
Foto: Divulgação / Banco Master
O
ex-banqueiro Daniel Vorcaro relatou ter sofrido ameaças durante transferências
realizadas após sua prisão e afirmou que as intimidações dificultaram sua
tentativa de fechar um acordo de delação premiada. As informações foram
reveladas pela revista Veja nesta última sexta-feira (4/9), com base em depoimento
prestado pelo empresário ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo
Tribunal Federal (STF).
Segundo Vorcaro, um dos episódios ocorreu
durante o transporte de São Paulo para Brasília. Ele afirmou ter ouvido uma
ameaça relacionada à possibilidade de revelar informações sobre uma pessoa
apontada como “chefe”. “Nos transportes, desde a primeira vez, não somente com
questões físicas, de torturas, de me deixarem em um caixote por seis horas, sem
ar, suando, um transporte para pegar um transporte aéreo. E aí, quando eu abro
a porta, eu já recebo uma fala: ‘Isso que dá, você vai querer falar disso do
chefe? Vai acontecer isso’”, declarou.
Já
durante uma transferência de helicóptero em Brasília, o banqueiro disse que
voltou a ser intimidado. Conforme o relato, um dos agentes teria sugerido que
seria mais fácil “jogar ele daqui”, enquanto a aeronave estava no ar. “Então,
essa foi a outra oportunidade que eu temi ali pela vida. E foi durante todo o
trajeto, durante todo o tempo, eu sofrendo esse tipo de intimidação”, afirmou.
O
empresário associou as supostas intimidações à possibilidade de mencionar o
diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em uma eventual
colaboração. Ele declarou que os dois mantinham uma relação e que Rodrigues
teria participado de eventos ligados ao crescimento do Banco Master. Vorcaro
também afirmou que tentava apresentar sua versão à PF havia cerca de nove
meses, mas não conseguia avançar nas conversas.
Segundo
ele, a Procuradoria-Geral da República adotou uma postura diferente e teria
demonstrado maior disposição para ouvi-lo. Na tentativa de acordo, o
ex-banqueiro afirmou ainda que pretendia citar “pessoas relevantes do atual
governo” e instituições com as quais manteve relações. De acordo com o relato,
parte dessas relações teria envolvido situações que, na avaliação dele,
ultrapassaram “linhas de moralidade” e de “ilicitude”. Fonte Bahia Notícias.