Por Acorda Cidade
Foto: Divulgação/ Polícia Civil
Em Camaçari, um dos investigados, apontado como líder do
grupo criminoso, foi localizado em uma residência. Ao perceber a aproximação
das equipes policiais, tentou fugir, mas foi alcançado e preso. Conforme
apurado, ele era responsável por planejar os ataques, elaborar a logística das
ações, recrutar integrantes especializados para cada investida e participar
diretamente da execução dos crimes. O segundo alvo da operação, irmão do
investigado preso e também apontado como integrante da organização criminosa,
não foi localizado e segue sendo procurado. No imóvel, outro homem foi autuado
em flagrante por receptação.
Durante as buscas, foram apreendidos um veículo,
uma motocicleta, um reboque, materiais elétricos, aparelhos celulares, cabos de
alta e média tensão e diversas ferramentas utilizadas na prática criminosa. As investigações apontam que o grupo atua de forma
estruturada desde 2015, tendo como principais alvos empresas instaladas em
áreas industriais da Região Metropolitana de Salvador. Conforme apurado, os
investigados são especializados na subtração de cabos elétricos de alta tensão
e outros materiais de elevado valor comercial, utilizando planejamento prévio,
divisão de tarefas e forte aparato logístico para a execução dos crimes.
Um dos principais casos atribuídos ao grupo ocorreu na noite
de 19 de maio deste ano, em Mata de São João. Segundo as investigações, homens
armados invadiram uma empresa, mantiveram funcionários rendidos por
aproximadamente seis horas e restringiram a liberdade das vítimas enquanto
desligavam o fornecimento de energia da fábrica para retirar grande quantidade
de cabos elétricos e componentes da rede elétrica. O prejuízo estimado
ultrapassa R$ 500 mil.
As apurações indicam que um dos investigados conduzia uma
van utilizada para transportar os cabos roubados em sucessivas viagens,
enquanto outro utilizava um veículo do tipo SUV para monitorar a movimentação
nas imediações, escoltar o veículo de carga e dar suporte à fuga. O grupo
também utilizava rádios comunicadores, máscaras, luvas e veículos de apoio,
além de remover o equipamento de gravação das câmeras de segurança da empresa
para dificultar a identificação dos envolvidos.
Foto: Divulgação/ Polícia Civil
De acordo com o diretor do Departamento de Polícia
Metropolitana (DEPOM), delegado Moisés Damasceno, a investigação revelou o
elevado grau de organização e planejamento do grupo criminoso. “As diligências
demonstraram que o grupo conhecia previamente a rotina das empresas, os
horários de troca de turno, a ausência de vigilância privada durante a noite e
a localização exata dos materiais de maior valor. Os criminosos tinham como
objetivo exclusivamente a subtração de cabos elétricos e outros insumos
industriais, sem interesse em dinheiro, equipamentos eletrônicos ou pertences
das vítimas, o que evidencia a especialização dessa associação criminosa nesse tipo
de delito”, destacou.
Os elementos reunidos durante a investigação também indicam
que o mesmo modus operandi foi empregado em roubos praticados contra empresas
localizadas nos municípios de Feira de Santana, Simões Filho, Dias d’Ávila e
Camaçari. Em todos os casos investigados foram identificadas características
semelhantes, como a restrição da liberdade das vítimas, a subtração de
materiais industriais de alto valor e a utilização de veículos de apoio durante
as ações criminosas. As diligências também identificaram que um dos investigados
utilizava uma motocicleta Honda XRE 300 com placa clonada para seus
deslocamentos, estratégia empregada para dificultar sua identificação pelas
forças de segurança.
A Operação Cabo de Força contou com a participação de 14
equipes policiais. As investigações são conduzidas pela 1ª Delegacia
Territorial de Mata de São João, com apoio do Departamento de Inteligência
Policial (DIP). A ação foi coordenada pela Delegacia-Geral Operacional (DGO),
por meio do Departamento de Polícia Metropolitana (DEPOM), e teve como objetivo
cumprir os mandados judiciais, apreender dispositivos eletrônicos, documentos e
outros elementos de interesse para o avanço das investigações, identificar os
demais integrantes da organização criminosa e os possíveis receptadores. Fonte:
Acorda Cidade.