Por Correio
Corpo de Giovanna foi encontrado dois dias após seu desaparecimento, envolto em sacos plásticos e com sinais de "extrema" violência sexual Crédito: Arquivo/TV RPC
O
caso envolvendo a morte de uma criança de 9 anos de idade, que aconteceu em 2006, sofreu
uma reviravolta um mês antes do crime prescrever. Na última sexta-feira (6/2), o
Ministério Público do Paraná (MP-PR) encaminhou à Justiça uma denúncia criminal
contra Martônio Alves Batista, 55 anos, por homicídio qualificado contra a menina
Giovanna dos Reis Costa. As informações são do portal Bem Paraná e da TV RPC. Giovanna
desapareceu no dia 10 de abril de 2006, na cidade de Quatro Barras, no Paraná,
enquanto vendia rifas escolares perto de casa. Dois dias depois, o corpo da
menina foi encontrado em um terreno baldio, coberto por sacos plásticos e
amarrado com fios elétricos.
A
criança tinha sinais "extremos" de violência sexual, de acordo com
informações da polícia na época. As roupas de Giovanna foram encontradas em
outro terreno, a cerca de 50 metros da casa onde ela morava com a família. De
acordo com a perícia, a menina foi morta por asfixia mecânica, por meio de
esganadura ou sufocamento. Durante as investigações, em 2006, o nome de
Martônio, que era vizinho da menina, foi apontado. Ele chegou a prestar
depoimento e foi liberado. A polícia paranaense ignorou inúmeros indícios e
apontou outros suspeitos: um grupo de ciganos que morava na vizinhança. Esse
grupo foi indiciado, denunciado pelo MP-PR, levado a júri popular e absolvido
por falta de provas. Em seguida, o caso foi arquivado.Fonte: Correio.
DEPOIMENTO
QUE MUDOU TUDO
Martônio
acreditava que tinha cometido o crime perfeito. Em um depoimento colhido após a
reabertura do caso, este ano, uma testemunha contou que ele debochava da
polícia. "Referiu-se aos policiais como 'idiotas e tapados', afirmando que
'estava tudo na frente deles'. Disse que o pedaço de fio utilizado para amarrar
o corpo da vítima foi cortado de um rolo que ele possuía em casa; durante a
diligência policial, ele segurou o rolo de fio (cuja extremidade/numeração se
encaixava perfeitamente no pedaço usado no crime) enquanto o policial o
examinava, sem nada perceber", informou um dos documentos do inquérito policial,
revelado pela TV RPC.
O
que ele não esperava era que uma de suas vítimas iria denunciá-lo. Uma jovem,
que era sua enteada, procurou a polícia em 2019. Ela revelou que foi abusada
por ele dos 11 anos até os 14. Na época, ele estava preso por ter instalado
câmeras no banheiro feminino de uma pastelaria de sua propriedade. No ano
passado, após reconhecer o ex-padrasto em reportagens sobre o caso, ela contou
à mãe sobre os abusos e lembrou que, em suas ameaças para silenciá-la, Martônio
dizia que se ela falasse algo seria a "próxima Giovanna".
A
ex-mulher relatou as informações à polícia e revelou também que chegou a
confrontá-lo quando percebeu sinais de abusos na filha e ele confessou que
matou a menina Giovanna. "O Martônio, então, acaba dizendo para ela: 'você
sabe aquele caso de Quatro Barras que eu disse que era testemunha? Eu não sou
testemunha, eu fui o autor'", contou a delegada Cecconello, em entrevista
a TV RPC.
O CRIME
ESTAVA PRESTE A PRESCREVER
Em abril de 2026, o crime cometido contra a menina Giovanna iria prescrever. Isso porque, o Artigo 109 do Código Penal Brasileiro estabelece prazos de prescrição da pretensão para a punição de crimes a partir da pena máxima de casa sentença. No caso de Martônio, ele vai responder por homicídio qualificado praticado por motivo torpe, (desejo predatório do denunciado), para assegurar a impunidade de crime antecedente (crime sexual), com uso de meio cruel (asfixia) e recurso que dificultou a defesa da vítima (dissimulação e superioridade física do agressor).
A pena máxima para o homicídio qualificado é de 30 anos. De acordo com o Código Penal, crimes com pena superior a 12 anos prescrevem em 20 anos. A denúncia do Ministério Público também apontou os crimes de atentado violento ao pudor e ocultação de cadáver. No entanto, esses possuem penas máximas de 10 anos e três anos, respectivamente, e já prescreveram. Além das condenções, o MP-PR também pediu o pagamento de multa no valor de R$ 100 mil a ser destinada aos familiares da menina.
Martônio
está preso desde fevereiro, após denúncias de abusos sexuais contra outras
mulheres. Seus advogados afirmaram, em nota enviada a TV RPC, que identificaram
"diversas inconsistências relevantes no inquérito policial, especialmente
no que diz respeito à preservação da cadeia de custódia das provas e à
observância do devido processo legal". A defesa ainda acrescentou que há
"um conjunto significativo de nulidades processuais que será oportunamente
demonstrado perante o Poder Judiciário, dentro do momento processual
adequado". Fonte: Correio