Por Correio
MEI mais barato pode impactar sua aposentadoria; entenda como - Crédito: Shutterstock
Abrir um Microempreendedor Individual (MEI) pode ser uma
maneira simples de formalizar uma atividade profissional e garantir acesso à
Previdência com uma contribuição mensal reduzida. O que muitas pessoas deixam
em segundo plano, porém, é que essa escolha também faz parte do planejamento
para a aposentadoria. Segundo as advogadas especialistas em previdência Joseane
Zanardi e Adriana Zanardi, do Zanardi Advogados, a contribuição do MEI
corresponde a 5% do salário mínimo e garante acesso aos benefícios
previdenciários previstos para a categoria. Ainda assim, escolher essa
modalidade apenas porque ela custa menos pode não ser suficiente.
“Antes de abrir um MEI, é importante olhar para o histórico
previdenciário daquela pessoa e entender se essa modalidade faz sentido para a
situação profissional e para os objetivos que ela tem em relação à
aposentadoria. O fato de a contribuição ser mais baixa não significa
necessariamente que seja a melhor escolha no longo prazo”, explica Joseane
Zanardi.
PAGAR MENOS AGORA PODE FAZER DIFERENÇA DEPOIS
A principal questão está justamente na base sobre a qual o
MEI contribui. Para quem busca uma alternativa de menor custo para formalizar a
atividade e manter as contribuições ao INSS, o modelo pode parecer uma escolha
natural. Mas a decisão precisa levar em conta também a trajetória profissional
e o que o trabalhador espera da Previdência no futuro.
“É comum a pessoa olhar para o MEI porque a contribuição é
mais baixa e entender que essa é a melhor alternativa. Mas é preciso considerar
a realidade daquele trabalhador, o tipo de atividade que ele exerce, seu
histórico de contribuições e o que ele espera da previdência no futuro. A
escolha deve ser feita olhando para o conjunto dessas informações”, afirma
Adriana Zanardi.
O cuidado se torna ainda mais importante para quem já possui
um histórico de contribuições sobre rendimentos maiores. Uma mudança para a
contribuição como MEI, baseada no salário mínimo, precisa ser analisada dentro
desse histórico para que o trabalhador compreenda os possíveis reflexos no planejamento
da aposentadoria.
“Imagine uma pessoa que durante muitos anos contribuiu sobre
uma remuneração de R$ 8 mil, R$ 10 mil ou mais e, em determinado momento, passa
a contribuir como MEI. É importante entender como essa mudança se encaixa no
histórico previdenciário. Não basta olhar apenas para o quanto será economizado
todos os meses”, alerta Joseane Zanardi.
Por isso, antes de escolher o MEI, as especialistas
recomendam considerar o histórico de contribuições, a atividade exercida, a
renda atual e os objetivos relacionados à aposentadoria. A economia mensal pode
ser importante, mas não deve ser analisada isoladamente.
APOSENTADORIA NÃO É O ÚNICO PONTO DE ATENÇÃO
O planejamento previdenciário também envolve outros
benefícios. A contribuição ao INSS está relacionada à proteção do trabalhador
em situações como incapacidade para o trabalho e maternidade. Por esse motivo,
não basta escolher a modalidade de contribuição e simplesmente deixar os
pagamentos em segundo plano. Também é importante manter organizadas as guias e
os respectivos comprovantes, preferencialmente em arquivo digital. Ter esse
histórico bem guardado pode facilitar a comprovação dos pagamentos e dos
períodos de contribuição quando houver necessidade.
CONTRIBUIÇÃO PRECISA ENTRAR NO PLANEJAMENTO DO MÊS
Outro cuidado é evitar que a contribuição seja tratada como
uma despesa que pode ser deixada para depois. O pagamento deve ser feito dentro
do prazo estabelecido, já que contribuições em atraso podem seguir regras
específicas para serem consideradas. “É importante tratar a contribuição
previdenciária como um compromisso mensal. Não se deve partir da ideia de que
será possível simplesmente deixar os pagamentos acumularem e regularizar tudo
posteriormente, porque existem regras para que essas contribuições sejam consideradas”,
explica Joseane. Na prática, o valor reduzido da contribuição não significa
que o pagamento possa perder espaço no orçamento. Manter as obrigações em dia
também faz parte da organização previdenciária do trabalhador.
CINCO CUIDADOS ANTES DE OPTAR PELO MEI
1. Analise se o MEI combina com a sua realidade
Antes de escolher a modalidade, considere seu histórico de
contribuições, a atividade profissional, a renda atual e os objetivos
relacionados à aposentadoria.
2. Inclua a contribuição no planejamento financeiro
O pagamento deve ser tratado como um compromisso mensal, e
não como uma despesa que pode ser acumulada para uma regularização futura.
3. Guarde guias e comprovantes
Manter os documentos organizados pode facilitar a comprovação
dos pagamentos e dos períodos contributivos quando necessário.
4. O MEI deve refletir uma atividade realmente exercida
A modalidade deve estar relacionada a uma atividade
permitida e efetivamente desenvolvida pelo profissional. Não deve ser utilizada
simplesmente como uma forma de contribuir para a Previdência.
5. Avalie sua situação antes de tomar a decisão
Quem tem dúvidas sobre qual modalidade escolher pode
analisar o próprio histórico contributivo e os objetivos para o futuro antes de
fazer a mudança. Essa avaliação ajuda a compreender como a escolha pode se
encaixar na trajetória previdenciária.
O BARATO PRECISA FAZER SENTIDO NO LONGO PRAZO
A contribuição reduzida é um dos atrativos do MEI, mas o
planejamento previdenciário exige uma visão que vá além do valor pago todos os
meses. Para quem já possui uma trajetória de contribuições ou pretende
construir uma determinada expectativa para a aposentadoria, a escolha precisa
ser analisada dentro desse contexto.
“O MEI pode ser uma alternativa adequada para determinadas
situações, mas não existe uma escolha que seja igual para todos. O planejamento
previdenciário precisa considerar a trajetória profissional e os objetivos de
cada pessoa. Por isso, antes de optar por uma modalidade de contribuição, é
importante entender como essa decisão se encaixa no planejamento para o
futuro”, conclui Joseane Zanardi. Fonte Correio.