Por Tribuna da Bahia
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil/Arquivo
O Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa uma crise
institucional sem precedentes desde o início do mês, marcada por decisões
monocráticas conflitantes, acusações entre ministros, disputa sobre o comando
da Polícia Federal (PF) e uma guerra de ofícios em torno das investigações do
Banco Master. Nessa última semana, a crise subiu de patamar ao envolver
diretamente o presidente do Supremo, Edson Fachin, o ministro Alexandre de
Moraes e o relator do caso Master na Corte, André Mendonça, provocando um racha
entre os magistrados. O conflito deixou de ser apenas uma disputa em torno do
conteúdo de uma investigação e passou a envolver o próprio funcionamento do
Supremo.
De um lado, Mendonça defende a necessidade de esclarecer os elementos encontrados pela Polícia Federal (PF) e sustenta a legitimidade das medidas adotadas no curso da investigação. De outro, Moraes questiona a forma como informações foram divulgadas e acusa o colega de selecionar os documentos que chegariam ao plenário da Corte. O início da crise atual ocorreu em 1º de setembro, quando Mendonça derrubou do sigilo de conversas específicas entre o dono do Master, Daniel Vorcaro, e Alexandre Moraes que chegou a editar o contrato que poderia chegar a R$ 131 milhões do banco com o escritório de advocacia da esposa dele, Viviane Barci. Moraes tem alegado que Mendonça faz quebra de sigilo "seletiva" para proteger o grupo político que o colocou no cargo.
Outro ponto alto do cabo de guerra entre os ministros do STF
ocorreu quando Mendonça decidiu afastar preventivamente o diretor-geral da PF,
Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, na
terça-feira passada. A decisão atingiu diretamente a estrutura da PF e ampliou
o confronto entre Mendonça e Moraes. A medida também coincidiu com o avanço de
outra frente de investigação conduzida no Supremo. O ministro Flávio Dino havia
autorizado, em 3 de setembro, novas diligências da PF no caso Dark Horse, que
apura suspeitas relacionadas ao financiamento e à produção de um filme sobre a
trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Fonte: Tribuna da Bahia