Por Atarde
O empresário Cleydson Cardoso Costa Filho, acusado de
atropelar o maratonista Emerson Silva Pinheiro, foi interrogado pela Justiça
nesta quarta-feira, 9, durante audiência de instrução realizada em Salvador. Ao
falar pela primeira vez na frente do juíz, o acusado negou que estivesse
embriagado no momento do atropelamento, ocorrido em agosto de 2025. Durante o
depoimento, Cleydson afirmou que havia saído com amigos antes do acidente, mas
alegou que não ingeriu bebida alcoólica. Segundo a versão apresentada ao juiz,
ele afirmou que teria consumido apenas suco.
O empresário, que responde por tentativa de homicídio
doloso, não respondeu aos questionamentos feitos pelo advogado de acusação,
Rogério Matos. Ao magistrado, no entanto, apresentou sua versão sobre o
ocorrido. Antes da audiência, Cleydson também foi abordado por jornalistas na
chegada ao fórum, mas não concedeu entrevista. O advogado de defesa, João
Daniel Jacobina, afirmou que o cliente estaria sendo constrangido pela
imprensa.
ACUSAÇÃO ACREDITA EM JÚRI POPULAR
Em entrevista ao portal A TARDE, o advogado criminalista
Rogério Matos, que atua na acusação e representa Emerson, afirmou que a
expectativa é de que Cleydson seja levado a júri popular. Para ele, os
elementos reunidos durante a investigação e a instrução processual sustentam a
acusação de que o empresário teria assumido o risco de provocar o resultado.
“A expectativa de que Cleydson vá a júri popular é a melhor
possível. Diante de toda a instrução processual que ocorreu nessas três
audiências e também do inquérito policial, que foi muito bem feito pela
autoridade policial, não resta dúvida de que Cleydson estava dirigindo
embriagado, em alta velocidade, agindo, assim, com dolo eventual e,
inevitavelmente, deve ser levado a júri popular, onde a acusação postulará a
condenação pela tentativa de homicídio com suas qualificadoras", Caso não seja levado a júri, o advogado
informou que lançará "mão de todos os recursos disponíveis para que essa
eventual decisão seja reformada”.
MARATONISTA PERDEU UM DAS PERNAS
Emerson foi atropelado em 16 de agosto de 2025, enquanto
treinava na Avenida Octávio Mangabeira, na região da Pituba, em Salvador. O
maratonista foi atingido pelo veículo conduzido por Cleydson e sofreu
ferimentos graves. Em decorrência das lesões, o atleta precisou passar pela
amputação da perna direita. Durante a investigação, testemunhas relataram que o
motorista teria apresentado sinais de embriaguez. A alegação é contestada pela
defesa e foi negada pelo próprio acusado durante o interrogatório desta
quarta-feira. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou Cleydson por
tentativa de homicídio doloso, e a denúncia foi recebida pela Justiça.
ACUSADO RESPONDE EM LIBERDADE
Cleydson permanece respondendo ao processo em liberdade, mediante o cumprimento de medidas cautelares. Entre as determinações judiciais estão o monitoramento por tornozeleira eletrônica e a suspensão do direito de dirigir. Com a realização das audiências de instrução, o processo avança para a etapa em que a Justiça decidirá sobre os próximos passos da ação penal, incluindo se o acusado será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. Informação Atarde.