quinta-feira, 27 de agosto de 2026

PACIENTE QUE RECUPEROU MOVIMENTOS COM POLILAMININA FAZ APELO À ANVISA POR USO COMPASSIVA

Por Gazeta Brasil 


Foto Divulgação

O bancário Bruno Drummond de Freitas, de 31 anos, primeiro paciente tetraplégico a receber o tratamento experimental com polilaminina, fez um apelo público à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta quarta-feira (27/8) para que a substância seja liberada para uso compassivo a mais pacientes. Ele é considerado o caso mais emblemático da pesquisa liderada pela professora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Com a ajuda do medicamento experimental, Bruno recuperou boa parte dos movimentos dos braços e pernas, perdidos em um acidente em 28 de abril de 2018. Ele diz lembrar pouco do incidente, ocorrido durante uma viagem em família entre São Paulo e Teresópolis, mas conta que dormia no banco de trás, sem cinto, quando o veículo bateu. Uma lesão cervical completa cortou a comunicação de seu cérebro com o resto do corpo. Duas semanas após o incidente, ele já era capaz de mover o dedão do pé, motivo de celebração da equipe médica. Hoje, Freitas segue vida normal, ainda que sua mão esquerda não tenha recuperado totalmente os movimentos.

A POLILAMININA E A PESQUISA

A polilaminina é uma proteína derivada da laminina humana, desenvolvida pelo Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular da UFRJ, sob coordenação da pesquisadora Tatiana Sampaio. Aplicada diretamente no local da lesão durante a cirurgia, a substância age como um “andaime biológico”, auxiliando na reconexão de neurônios. O Brasil construiu, especialmente a partir da Constituição de 1988, um sólido sistema nacional de vigilância sanitária. Tendo como base o dever do Estado de reduzir riscos de doenças e outros agravos à saúde  estabelecido no art. 196 da Constituição de 1988, que afirma que “a saúde é direito de todos e dever do Estado”  a Lei 9.782/1999 criou o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), estruturando um modelo de federalismo de cooperação na vigilância sanitária no Brasil, responsável, entre outras competências, pela regulação e fiscalização de medicamentos no território nacional.

É a Anvisa, portanto, a instituição estatal atualmente responsável por avaliar a segurança, eficácia e qualidade da polilaminina antes que esta seja colocada no mercado com indicação de eficácia terapêutica. Atualmente, conforme informa a Anvisa, a polilaminina está ainda na fase 1 da pesquisa clínica. O estudo clínico de fase 1 para avaliação de segurança do uso da polilaminina para o tratamento de trauma raquimedular agudo foi aprovado em 5 de janeiro de 2026, tendo como patrocinador a empresa Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos Ltda. No entanto, a pesquisa ainda não começou. Segundo Tatiana Sampaio, o estudo enfrenta entraves burocráticos no Hospital das Clínicas da USP, onde seria realizado. “Está tudo parado, só aguardando que o HC consiga avançar”, afirmou a pesquisadora.

USO COMPASSIVO E RISCO

Apesar de a fase 1 ainda não ter começado, a Anvisa já autorizou o uso compassivo da polilaminina para dezenas de pacientes. O uso compassivo permite que pacientes com doenças graves e sem alternativas terapêuticas tenham acesso a medicamentos experimentais. O laboratório Cristália já disponibilizou a substância para pouco mais de 100 pacientes por meio dessa modalidade. No entanto, o tratamento também registrou óbitos: sete pacientes que receberam a polilaminina em uso compassivo morreram desde fevereiro. O Cristália afirmou que, até o momento, as análises não indicam que as mortes tenham sido causadas pela substância.

A pesquisadora Tatiana Sampaio, por sua vez, admitiu erros na apresentação de dados do estudo preliminar, mas reafirmou a eficácia do tratamento. Ela afirmou que fará correções no artigo científico que apresenta os primeiros testes em humanos. O trabalho, divulgado como pré-print em fevereiro de 2024, aborda o resultado de duas décadas de pesquisas e a fase experimental em oito pacientes humanos iniciada em 2018. Fonte: Gazeta Barsil.