Por Bahia Notícias
Foto: Reprodução / Redes Sociais
O homem denunciado pelo assassinato da líder quilombola
Tainara dos Santos foi condenado a 59 anos, 11 meses e 24 dias de prisão pelo
Tribunal do Júri de Cachoeira, no Recôncavo Baiano. A decisão foi tomada na
madrugada desta quinta-feira (20), após julgamento iniciado na última quarta-feira
(19/8). George Anderson Santos da Silva,
conhecido como “Dandan”, foi considerado culpado, por maioria dos votos dos
jurados, pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver, ameaça, extorsão e
porte ilegal de arma e munição.
A acusação foi feita pelo Ministério Público do Estado
(MP-BA) através dos promotores Audo Rodrigues e Luciano Assis. Além da pena de prisão, a sentença estabeleceu
o valor mínimo de R$ 300 mil para reparação dos danos sofridos pelas vítimas e
seus sucessores. “Foi um alívio. Claro,
não vai trazer nossa irmã de volta, porém a Justiça foi feita e bem feita.
Esses anos todos (de pena) que ele vai pagar é um alívio para gente”, afirmou
Denivaldo dos Santos, familiar de Tainara.
Na decisão, os jurados reconheceram que o feminicídio foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Também consideraram que a ameaça foi motivada por ciúme e pelo sentimento de posse do acusado em relação a Tainara. “O resultado é fruto da demonstração de todas as provas e do que foi proposto pelo Ministério Público. Não é um dia de comemoração, mas de mostrar à sociedade, mais uma vez, a necessidade de que temos de trazer a julgamento fatos tão insanos e tão covardes como esse, com reflexos que perduram no tempo.
A resposta da sociedade de Cachoeira foi dada e que isso sirva de exemplo a todos aqueles que a violência doméstica e familiar pode fazer parte do cotidiano”, afirmou o promotor Audo Rodrigues. Para o promotor de Justiça Luciano Assis, o resultado do julgamento atendeu ao interesse coletivo e tem caráter pedagógico. “O resultado do Júri atendeu ao interesse coletivo, com caráter pedagógico para projeção de comportamento, que revela cada vez mais a necessidade do MP e a sociedade continuarem a luta na busca pela responsabilização penal e a punição para este tipo de crime”, declarou.
HISTÓRICO DE VIOLÊNCIA
Tainara dos Santos, líder quilombola e mãe de duas crianças, desapareceu no dia 9 de outubro de 2024. Segundo o MP-BA, ela e George Anderson mantiveram um relacionamento por cerca de cinco anos e tiveram uma filha, que tinha dois anos na época do crime. Ainda conforme a acusação, o relacionamento era marcado por sucessivos episódios de agressões físicas e psicológicas. As investigações apontaram que Tainara relatava as violências sofridas e manifestava o desejo de encerrar o relacionamento. Após a separação definitiva, segundo o MP-BA, George Anderson não teria aceitado o fim da relação e passou a perseguir a vítima, utilizando a filha do casal como pretexto para manter contato com a ex-companheira.
Diante das ameaças e do histórico de violência, Tainara
solicitou uma medida protetiva de urgência. A Justiça deferiu o pedido para
determinar o afastamento do acusado e garantir a proteção da vítima e de seus
familiares. De acordo com a denúncia, a determinação judicial foi
reiteradamente descumprida por George Anderson.
No dia 9 de outubro de 2024, quando Tainara foi vista pela
última vez, o acusado teria novamente descumprido a medida protetiva. Ele teria
coagido a vítima, mediante ameaça, a assinar um contrato relacionado à divisão
de um imóvel e depois a levou no veículo dele. Desde então, Tainara não foi
mais vista. O corpo da líder quilombola nunca foi localizado. Fonte: Bahia
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