Por Metrópoles
A Polícia Federal (PF) prendeu, nesta quinta-feira (14/5), o
empresário Henrique Vorcaro, pai do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no
âmbito da sexta fase da Operação Compliance Zero, que investiga esquema de
corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Henrique
foi alvo de um dos sete mandados de prisão da operação, que teve aval da
Procuradoria-Geral da República (PGR) e foi autorizada pelo ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Informações preliminares relatam que o
empresário viajaria nesta quinta para Brasília, onde visitaria o filho, preso
na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Henrique também foi alvo de
busca e apreensão. Ele foi preso em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo
Horizonte, e levado para a sede da PF na capital mineira.
Policiais federais cumprem os mandados de prisão preventiva
e 17 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo, nos estados de São
Paulo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Ainda foram determinadas ordens de
afastamento de cargos públicos e de sequestro e de bloqueio de bens. Segundo
informações da Polícia Federal, uma delegada foi afastada de suas funções e um
agente da corporação foi preso. Eles são suspeitos de repassar informações da
corporação para Daniel Vorcaro.
Policiais federais cumprem os mandados de prisão preventiva
e 17 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo, nos estados de São
Paulo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Ainda foram determinadas ordens de
afastamento de cargos públicos e de sequestro e de bloqueio de bens. Segundo
informações da Polícia Federal, uma delegada foi afastada de suas funções e um agente da corporação
foi preso. Eles são suspeitos de repassar informações da corporação para Daniel
Vorcaro. A ação mira integrantes da
chamada “A Turma”, grupo descrito pelos investigadores como uma estrutura de
coerção comandada por Daniel Vorcaro usada para intimidar críticos, monitorar
autoridades e obter informações sigilosas em favor do banqueiro.
A TURMA
Daniel Vorcaro apontado como líder do grupo investigado e
responsável pelas ordens estratégicas ligadas à estrutura clandestina de
monitoramento e intimidação. Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão (“Sicário”)
descrito como coordenador operacional da estrutura. Segundo a PF, comandava
ações de vigilância, monitoramento de alvos, obtenção de dados sigilosos e intimidação.
Foi preso em fase anterior e morreu posteriormente na prisão.
Fabiano Zettel cunhado de Daniel Vorcaro e apontado como
operador financeiro do esquema. De acordo com a investigação, fazia pagamentos
aos integrantes da estrutura e ajudava a operacionalizar contratos simulados e
movimentações financeiras. Marilson Roseno da Silva policial federal aposentado
apontado como operador do núcleo de inteligência paralela. Segundo a PF,
utilizava experiência e contatos da carreira policial para acessar dados e
acompanhar alvos de interesse do grupo.
Henrique Moura Vorcaro pai de Daniel Vorcaro e alvo da nova
fase da operação. A PF aponta suspeitas de participação em esquema de ocultação
patrimonial e lavagem de dinheiro ligado às movimentações bilionárias
investigadas. Estão sendo investigados os crimes de ameaça, corrupção, lavagem
de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e
violação de sigilo funcional.
QUEM É HENRIQUE
VORCARO
Preso em Belo Horizonte, Henrique Vorcaro é um empresário
mineiro do setor de infraestrutura e construção pesada em Minas Gerais. Ele é o
fundador e líder do Grupo Multipar, um conglomerado que atua em diversos
segmentos, incluindo engenharia, energia, agronegócio e setor imobiliário. Segundo
as diligências da Polícia Federal, Henrique Vorcaro já aparecia desde o início
do caso como peça ligada às movimentações financeiras suspeitas do grupo
investigado, como informou o Metrópoles, na coluna da Mirelle Pinheiro.
Ele presidia a Multipar, empresa que, de acordo com relatório
do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), movimentou mais de R$
1 bilhão entre 2020 e 2025 exclusivamente entre contas ligadas ao núcleo de
Daniel Vorcaro. O nome do pai do banqueiro ganhou ainda mais relevância dentro
da investigação após a Polícia Federal afirmar ao STF que Daniel Vorcaro teria
ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta atribuída a ele, depois de ter
sido colocado em liberdade no fim de 2025.
Segundo a Polícia Federal, os valores foram identificados
durante medidas de bloqueio financeiro realizadas na segunda fase da Operação
Compliance Zero, deflagrada em janeiro deste ano. A PF afirmou que o montante,
localizado junto à CBSF DTVM, conhecida no mercado financeiro como REAG, só foi
descoberto graças às medidas executadas na nova etapa da apuração.
No documento enviado ao Supremo Tribunal Federal, os
investigadores classificaram o valor como uma “quantia impressionante” e
sustentaram que a ocultação patrimonial continuou mesmo após a soltura do
banqueiro. “Enquanto o Fundo Garantidor de Crédito sangrava para cobrir o rombo
bilionário deixado pelo Banco Master no mercado financeiro, montante que
alcança quase 40 bilhões de reais, Daniel Vorcaro ocultava de seus credores e
vítimas mais de 2 bilhões de reais”, escreveu a Polícia Federal. Segundo a
corporação, o esquema investigado envolve crimes de ameaça, corrupção, lavagem
de dinheiro, invasão de dispositivos informáticos, violação de sigilo funcional
e organização criminosa.
FRAUDES FINANCEIROS
A Compliance Zero investiga um complexo esquema de fraudes no sistema financeiro nacional, com foco inicial em transações irregulares envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Como um de seus resultados, houve um bloqueio judicial de R$ 12,2 bilhões dos investigados, valor referente a operações fraudulentas de compra de ativos “podres” do Banco Master, de Daniel Vorcaro, pelo BRB. A investigação aponta que a instituição financeira de Vorcaro teria criado carteiras de crédito sem lastro (títulos fictícios) para inflar balanços e gerar liquidez artificial, contando com a omissão ou conivência de agentes internos e órgãos reguladores para movimentar esses ativos no mercado. Fonte: Metrópoles.