Por Tribuna da Bahia
Foto: Ricardo Stuckert/Secom-PR
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva consolida hoje uma série de mudanças que
alteraram o futuro político e frustram alguns de seus aliados mais fiéis. Em
nome da “governabilidade” e da própria estratégia eleitoral, o presidente impôs
missões que interrompem projetos pessoais de nomes centrais do PT e de partidos
da base aliada. Um exemplo dessa movimentação é o do deputado federal José
Guimarães (PT-CE), que tomou posse como ministro da Secretaria de Relações
Institucionais, assumindo a articulação política com o Congresso Nacional. Guimarães
pretendia concorrer ao Senado. Ele já está em seu quinto mandato como deputado
federal e é o líder mais longevo do governo. Mas teve o sonho barrado por Lula,
tanto para permitir uma negociação mais ampla no palanque do Ceará como para
tentar algum diálogo com o Congresso, onde a relação do Planalto é mantida às
turras.
Na
semana passada, Guimarães chegou a afirmar a interlocutores que não gostaria de
ficar sem mandato. Durante um almoço com empresários promovido pelo Grupo
Esfera, em Brasília, ele destacou que sua permanência no Legislativo era vista
como impreterível pelos próprios correligionários. “O PT em peso diz que não
pode o Guimarães ficar sem mandato porque senão é uma estaca que vai ser
retirada do fronte político. Eu quero disputar o Senado no meu estado”, afirmou
na ocasião. Na cerimônia de posse, ele reforçou a informação e disse que foi
muito difícil “a militância e o pessoal do nosso grupo aceitar a nomeação na
SRI”.
Apesar
da declaração, Guimarães ressaltou que sempre manteria sua lealdade ao
presidente. É o que faz agora ao assumir a cadeira no Palácio do Planalto,
ficando impedido de concorrer nas eleições deste ano. Guimarães é um dos poucos
petistas que conseguem dialogar nas reuniões de líderes com todos os segmentos
políticos da Câmara. Transita da esquerda a direita tentando firmar acordos e,
muitas vezes, tem de engolir recuos do Planalto como se fossem falhas suas. Foi
assim, por exemplo, na discussão sobre envio ou não de um projeto para o fim da
escala de trabalho 6x1. Guimarães disse em reunião do Colégio de Líderes que o
governo não mandaria mais a proposta para o Congresso. No dia seguinte, o presidente
Lula disse o contrário.
Agora,
um dos desafios do novo ministro será levar justamente levar adiante a proposta
de fim da escala 6x1 e a regulamentação do trabalho por aplicativos, questões
que têm provocado controvérsias no Congresso Nacional. Guimarães será
substituído na Câmara pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que já foi ministro
da Secretaria de Comunicação do Planalto. Mas com perfil muito diferente que o
antecessor, Pimenta não teve sucesso na Secom e deve enfrentar mais dificuldade
na liderança do governo.
MUDANÇAS
EM SÃO PAULO
No
Planalto, Guimarães assume a vaga deixada por Gleisi Hoffmann, que também teve
seu objetivo político original alterado. Deputada federal pelo PT do Paraná,
ela pretendia concorrer à reeleição na Câmara, mas, por determinação de Lula,
deverá disputar o Senado na chapa paranaense. A missão é considerada complexa,
uma vez que pesquisas apontam vantagem da direita no estado.
Em
São Paulo, o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também seguiu a orientação
presidencial. Após meses de discussão, ele aceitou se desincompatibilizar da
pasta para concorrer ao Governo de São Paulo. O cenário no Estado segue
indefinido nas articulações: o ex-ministro do Empreendedorismo, Márcio França
(PSB), ainda busca o apoio de Lula para compor a chapa petista como candidato
ao Senado. Tribuna da Bahia.