Por Bahia Notícias
“Eu sou uma velhinha, tenho 74
anos de idade. Me pegaram na praia, uma idosa, eu sou de Brasília. Me acusaram porque
falei que lá no Distrito Federal só tem branco e não tem ninguém armado desse
jeito. Não falei nada. Vou embora daqui de Salvador amanhã”, argumentou. Ainda em sua chegada na delegacia, a idosa
questionou a denúncia de racismo, tendo em vista que seria “neta de uma pessoa
negra”. Em Brasília nunca ia acontecer
isso. Tenho família, falei que minha avó também era preta. Como isso é racismo?
Nunca na minha vida aconteceu isso. Não sou uma qualquer. Tenho emprego e
trabalho. Minha filha trabalha no Banco do Brasil”, relatou.
OUTROS CASOS
Em janeiro deste ano, uma
turista, identificada como Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, do Rio
Grande do Sul foi presa em Salvador, suspeita de cometer injúria racial contra
uma comerciante que trabalhava no Pelourinho, no Centro Histórico da capital
baiana. De acordo com informações da Polícia Civil, a mulher teria proferido
ofensas de cunho racial e cuspido na vítima durante a ocorrência.
Agentes da Polícia Militar conduziram a suspeita à unidade policial especializada. Ainda segundo a polícia, mesmo após a detenção, a mulher manteve comportamento discriminatório ao exigir atendimento exclusivo por um delegado de pele branca. A comerciante e testemunhas foram ouvidas durante os procedimentos realizados na Decrin. Após as oitivas, a turista permanece custodiada e está à disposição do Poder Judiciário.
Paiia do Rio Vermelho
Gisele já visitou a capital
baiana diversas vezes. Em publicações no
Instagram, a suspeita, que se diz criadora de conteúdo para viajantes, diz ser
"Baianucha": "Sou baianucha, sangue gaúcho, amor baiano". A
gaúcha, que publica fotos na capital baiana há anos, está em Salvador pelo
menos desde a Lavagem do Bonfim, e postou selfies ao lado de baianas de acarajé
e Filhos de Gandhi, com legendas como: "O que é que a baiana tem" e
"Salvador, meu amor".
A comerciante Hanna Rodrigues, de
26 anos, vítima do crime, contou ao Aratu On, com exclusividade, detalhes de como
o ataque racista aconteceu. Segundo Hanna, tudo começou no momento em que um
grupo de clientes do bar pediu cerveja. "Quando fui até o bar, ela já
estava chamando os atendentes de lixo. Peguei o produto do cliente, passei ao
lado dela, e ela falou: 'Mais um lixo'. [...] Depois, eu voltei, e perguntei:
'A senhora me chamou de quê?'. E ela: 'De lixo'. E eu falei: lixo é você",
relatou
Após a discussão, Gisele se
encaminhou até a porta do estabelecimento para ir embora, mas, antes de sair,
se virou para trás e cuspiu na vítima. "Ela escarrou e cuspiu em mim. Eu
tirei o rosto, mas o cuspe acabou pegando no meu pescoço. Me abaixei e limpei o
rosto, e acabei perdendo ela de vista. Com isso, fiquei desesperada, procurando
ela. Quando encontrei, ela já estava envolvida em outro conflito, com
seguranças já segurando ela. [...] Ela dizia a todo tempo: 'Eu sou branca, eu
sou branca', e o segurança, bem paciente, esperando o tempo dela", Fonte: Bahia Notícias.