Por Tribuna da Bahia
Foto: Greg SalibianO líder do PL
(Partido Liberal), deputado federal Sóstenes Cavalcante, anunciou que
apresentará um requerimento à Câmara dos Deputados para convocar o
diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para prestar
esclarecimentos sobre a substituição do delegado responsável pelo inquérito das
fraudes no INSS e pelas investigações envolvendo um pedido de quebra de sigilo
ligado ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por se tratar de
convocação, caso o requerimento seja aprovado, a presença de Andrei será
obrigatória. Sóstenes ainda não informou em qual comissão pretende ouvir Andrei
Rodrigues.
Em publicação nas redes sociais, o líder afirmou que a troca
do delegado se deu em um momento “extremamente sensível” das investigações, o
que gera “questionamentos legítimos” por parte da sociedade brasileira. O
deputado também comparou o episódio ao caso envolvendo o ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL), quando houve tentativa de mudança no comando da Polícia
Federal. "Quando Jair Bolsonaro tentou substituir um superintendente da
Polícia Federal, houve reação imediata de setores políticos, da imprensa e até
do STF sob o argumento de defesa da autonomia da PF. Agora, diante da troca do
delegado responsável por investigações ligadas ao filho do atual presidente da
República, o silêncio de muitos chama atenção", escreveu Sóstenes.
De acordo com o deputado, autonomia da Polícia Federal
precisa valer para todos. Ele afirma ainda que a convocação busca dar ao povo
brasileiro "explicações claras e a garantia de que não haverá qualquer interferência
nas investigações". Durante seu mandato, Bolsonaro trocou o diretor-geral
da PF quatro vezes. Em 2020, o ex-presidente se viu no centro de uma polêmica
após um vídeo de reunião ministerial tornado público mostrar Bolsonaro
defendendo mudanças no comando da Polícia Federal no Rio de Janeiro para evitar
que familiares e aliados fossem “prejudicados” por investigações em andamento.
TROCA NO CASO INSS
A Polícia Federal decidiu mudar a coordenação dos inquéritos
relacionados às fraudes no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). A
mudança gerou polêmica em Brasília e acirrou as críticas da oposição ao governo
federal, especialmente em razão das investigações terem como alvo Fábio Luiz
Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula. O setor da
Polícia Federal que até então conduzia as investigações, sendo responsável,
inclusive, pela quebra de sigilo de Lulinha em etapa anterior das
investigações, foi retirado da coordenação do caso. A responsabilidade pelo
caso agora é da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq).
Por meio de nota, a PF afirmou que a mudança “foi concebida
para assegurar maior eficiência e continuidade às investigações, uma vez que a
Cinq possui estrutura permanente voltada justamente à condução de operações
sensíveis e complexas com tramitação perante o STF”. O relator do processo no
STF que apura as fraudes do INSS, ministro André Mendonça, também foi pego de
surpresa pela mudança, segundo apurou a CNN. Incomodado, o ministro se reuniu
com integrantes da investigação nesta sexta-feira (15) em busca de informações
e para conhecer a nova equipe. Apesar das explicações, Mendonça não viu razão
para a mudança. Ele ainda analisa tomar alguma medida. Fonte: Tribuna da Bahia.