terça-feira, 21 de abril de 2026

"DAQUI A POUCO ESTAREMOS EM REGIME DE ESCRAVIDÃO", DIZ DESEMBARGADORA DO PARÁ AO RECLAMAR DE CORTE DOS PUNDURICALHOS

Por Gazeta Brasil

Foto Digulgação

A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, afirmou que a situação financeira da magistratura é “muito triste” e alertou para dificuldades futuras da categoria em arcar com despesas básicas. A declaração foi feita durante sessão da 3ª Turma de Direito Penal, realizada no início de abril. Segundo dados do Portal da Transparência, a magistrada recebeu remuneração bruta de R$ 117.863,72 em março de 2026, com valor líquido de R$ 91.211,82 após descontos. Ainda assim, ela criticou a percepção pública sobre os rendimentos da categoria e o corte de benefícios.

Durante a sessão, a desembargadora afirmou: “Dizer que o juiz não trabalha e que persegue verbas e mais verbas e mais verbas como privilégios, como penduricalhos, uma expressão tão chula e tão vagabunda que jogaram em cima da magistratura que hoje a gente vive uma tensão enorme porque não se vai ter daqui a algum tempo como pagar nossas contas. Colegas estão deixando de frequentar gabinete de médicos porque não vão poder pagar consulta, outros estão deixando de tomar remédios, entendeu? Então a situação que a magistratura vive hoje é essa”.

                              Desembargadora Eva do Amaral Coelho | Érika Miranda/Divulgação TJPA

Ela também criticou o fim de dos benefícios e comparou a situação a condições extremas: “Nós não temos direito mais a auxílio alimentação, nós não temos direito a receber uma gratificação por direção de fórum, vou ser cortada, já cortaram. Enfim, daqui a pouco a gente vai estar no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão

As declarações ocorrem após o Supremo Tribunal Federal estabelecer novos critérios para o pagamento de verbas indenizatórias, conhecidas como “penduricalhos”, a magistrados e membros do Ministério Público. Ao comentar o cenário, ela reforçou: “Hoje a gente vive uma tensão enorme, porque não teremos, em algum tempo, como pagar nossas contas. Colegas estão deixando de frequentar gabinetes de médicos porque não vão poder pagar a consulta, outros estão deixando de tomar remédios”.

A desembargadora ainda afirmou que a categoria enfrenta desgaste na imagem pública. “Os juízes hoje estão sendo vistos como bandidos, como pessoas sem escrúpulos. Pessoas que querem ganhar muito sem fazer nada. Eu gostaria que uma parte da população viesse viver o dia a dia do juiz e do desembargador para verificar como é que a gente trabalha”, declarou. Por fim, ela destacou a carga de trabalho fora do expediente: “Nós de plantão não estamos aqui, estamos trabalhando em casa e fora os dias que se trabalha à noite revisando votos”. Fonte Gazeta Brasil