Por Gazeta Brasil
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A
desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, afirmou
que a situação financeira da magistratura é “muito triste” e alertou para
dificuldades futuras da categoria em arcar com despesas básicas. A declaração
foi feita durante sessão da 3ª Turma de Direito Penal, realizada no início de
abril. Segundo dados do Portal da Transparência, a magistrada recebeu
remuneração bruta de R$ 117.863,72 em março de 2026, com valor líquido de R$
91.211,82 após descontos. Ainda assim, ela criticou a percepção pública sobre
os rendimentos da categoria e o corte de benefícios.
Durante a sessão, a desembargadora afirmou: “Dizer que o juiz não trabalha e que persegue verbas e mais verbas e mais verbas como privilégios, como penduricalhos, uma expressão tão chula e tão vagabunda que jogaram em cima da magistratura que hoje a gente vive uma tensão enorme porque não se vai ter daqui a algum tempo como pagar nossas contas. Colegas estão deixando de frequentar gabinete de médicos porque não vão poder pagar consulta, outros estão deixando de tomar remédios, entendeu? Então a situação que a magistratura vive hoje é essa”.
Desembargadora Eva do Amaral Coelho | Érika Miranda/Divulgação TJPA
Ela
também criticou o fim de dos benefícios e comparou a situação a condições
extremas: “Nós não temos direito mais a auxílio alimentação, nós não temos
direito a receber uma gratificação por direção de fórum, vou ser cortada, já
cortaram. Enfim, daqui a pouco a gente vai estar no rol daqueles funcionários
que trabalham em regime de escravidão
As
declarações ocorrem após o Supremo Tribunal Federal estabelecer novos critérios
para o pagamento de verbas indenizatórias, conhecidas como “penduricalhos”, a
magistrados e membros do Ministério Público. Ao comentar o cenário, ela
reforçou: “Hoje a gente vive uma tensão enorme, porque não teremos, em algum
tempo, como pagar nossas contas. Colegas estão deixando de frequentar gabinetes
de médicos porque não vão poder pagar a consulta, outros estão deixando de
tomar remédios”.
A
desembargadora ainda afirmou que a categoria enfrenta desgaste na imagem
pública. “Os juízes hoje estão sendo vistos como bandidos, como pessoas sem
escrúpulos. Pessoas que querem ganhar muito sem fazer nada. Eu gostaria que uma
parte da população viesse viver o dia a dia do juiz e do desembargador para
verificar como é que a gente trabalha”, declarou. Por fim, ela destacou a carga
de trabalho fora do expediente: “Nós de plantão não estamos aqui, estamos
trabalhando em casa e fora os dias que se trabalha à noite revisando votos”.
Fonte Gazeta Brasil