Por SBT News
Ciro Nogueira | Foto: Fabio rodrigues-pozzebom/agência brasil
A
operação da última quinta-feira (7/5) contra o presidente do PP, senador Ciro
Nogueira (PI), uniu políticos do Centrão em torno de críticas à Polícia Federal
e renovou as movimentações para que sejam colocados freios às investigações. A
5ª fase da Compliance Zero apura a suspeita de que Nogueira atuou no Congresso
Nacional para beneficiar o Banco Master. O senador apresentou uma emenda
elaborada pela assessoria do próprio Master que ampliava a cobertura do Fundo
Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A medida, na
avaliação de interlocutores do Master, sextuplicaria o negócio e provocaria
“uma verdadeira hecatombe no mercado”. A investigação aponta repasses mensais
do Master ao senador que chegam à cifra dos R$ 500 mil, além do custeio de
viagens, de contas de restaurantes e a aquisição de uma empresa em valores
subvalorizados.
Ciro
Nogueira foi alvo de buscas, teve o aparelho telefônico apreendido e está
impedido de manter contato com outros investigados. Um deles é seu irmão,
Raimundo Nogueira, administrador da empresa da família que teria viabilizado o
recebimento dos recursos. Raimundo terá de ser monitorado por uma tornozeleira
eletrônica. Aliados do senador afirmam que a operação foi uma “violência”
contra o irmão de Ciro e tentam minimizar a apresentação de uma emenda feita
pelo Master dizendo que é comum que parlamentares acatem sugestões de empresas
e categorias. Em uma rede social, o senador afirmou que está “completamente
indignado” e que “tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de
intenção de votos”.
Depois
da operação, políticos do Centrão afirmaram que há um direcionamento nas
investigações da PF e uma ação deliberada para se criar um desgaste a menos de
cinco meses das eleições. “Eles sabem o que estão fazendo e que há um prejuízo
eleitoral irreparável”, afirma, sob anonimato, uma das principais lideranças do
grupo. Nos bastidores, critica-se o fato de a PF não ter um órgão de controle
externo, a exemplo do Conselho Nacional de Justiça, que aplica sanções contra
juízes, e do Conselho Nacional do Ministério Público, responsável por
investigar promotores e procuradores, o que, dizem, abre margem para abusos.
Por
isso, parlamentares defendem que haja algum tipo de freio de arrumação para
conter as investidas - medida que vem sendo aventada ao longo de toda essa
legislatura. No ano passado, a Câmara chegou a aprovar a chamada PEC da
Blindagem, que limitava a ação da PF contra deputados e senadores. Diante da
pressão popular, porém, o projeto acabou enterrado no Senado.
Os
questionamentos também respingam no governo. Para esses políticos, foram
designados para postos-chave investigadores que trabalham politicamente e com o
objetivo de atingir desafetos da gestão Lula. A operação contra Ciro Nogueira
acontece dez dias depois de outra frente de apuração do órgão mirar políticos
do Centrão e gerar desgastes no grupo político. Além de Nogueira, foram alvos o
presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e os deputados Dr. Luizinho
(PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL). Fonte: SBT News.