Por Acorda Cidade
Foto: Reprodução / Redes sociaisNunca tantos trabalhadores foram afastados por problemas de
saúde relacionados ao trabalho no Brasil. Em 2025, o país ultrapassou a marca
de 4,1 milhões de afastamentos por incapacidade temporária um crescimento de
15% em relação a 2024 e o maior volume desde 2021, segundo dados do Ministério
da Saúde e da Previdência Social. Entre as principais causas, destacam-se as
doenças dos ossos e músculos, que lideram os motivos de afastamento no país. O
levantamento também mostra que esses casos são mais frequentes entre mulheres
(51,7%), trabalhadores de 40 a 49 anos (33,6%) e pessoas com ensino médio
completo (32,7%).
Na Bahia, embora ainda não haja um consolidado oficial
recente, a realidade já é percebida na prática: cresce a presença de
trabalhadores com dores crônicas, limitações físicas e lesões relacionadas à
rotina profissional, especialmente na área ortopédica. No Hospital Ortopédico
do Estado da Bahia, unidade pública gerida pelo Einstein Hospital Israelita,
ocorre uma média de 670 atendimentos ambulatoriais por mês pela equipe de mão.
A maioria dos perfis desses atendimentos são mulheres, que exercem a profissão
de secretarias, empregadas domésticas, professoras e atendentes. São casos
relacionados à sobrecarga física e esforços repetitivos condições que impactam
diretamente a capacidade de trabalho e a qualidade da saúde e bem-estar.
Aos 61 anos, uma paciente da unidade, que trabalhou ao longo
da vida como secretária e atendente, começou a apresentar há cerca de seis anos
os primeiros sintomas da síndrome do túnel do carpo, uma doença causada por
movimentos repetitivos nas mãos. O quadro teve início com formigamento e
evoluiu para dores intensas, principalmente durante a noite, comprometendo a
rotina. A paciente já passou por cirurgia para aliviar a compressão do nervo
mediano na mão direita, segue em fisioterapia e se prepara para realizar o
procedimento no outro lado.
“Se eu tivesse entendido antes a gravidade do problema,
teria procurado ajuda médica mais cedo, iniciado o tratamento antes e evitado
que a situação chegasse a esse ponto”, relata.As principais responsáveis por
esse cenário nacional são as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e os
Distúrbios Osteomusculares, que atingem punhos, mãos, ombros e coluna regiões
diretamente impactadas por movimentos repetitivos, má postura e sobrecarga
física.
Segundo o ortopedista e líder da equipe de cirurgias das mãos
no hospital ortopédico, Fernando Azevedo, o problema poderia ser
significativamente reduzido com ações simples no dia a dia. “Estamos diante de
um cenário preocupante, mas que poderia ser diferente. Grande parte dessas
lesões está ligada à rotina de trabalho e pode ser evitada com medidas básicas,
como pausas, postura correta e orientação adequada. Quando o paciente chega até
o hospital, muitas vezes já apresenta um quadro mais avançado”, alerta.
O especialista reforça que a prevenção é o principal caminho
para frear esse crescimento. Algumas ações simples no dia a dia podem fazer
grande diferença na saúde do trabalhador e ajudar a prevenir lesões
ortopédicas. Como orientação geral, investir em alongamentos, principalmente
dos punhos e das mãos, e no acompanhamento médico periódico ajuda a prevenir
complicações mais sérias:
CUIDADOS PARA QUEM TRABALHA EM PÉ (O DIA TODO)
Movimentação constante: Evite ficar estático. Faça pequenas caminhadas, mexa os joelhos e panturrilhas para estimular a circulação;
● Meias de
compressão: Podem ajudar bastante a reduzir o inchaço e a sensação de cansaço
nas pernas;
● Alongamento: Faça
alongamentos antes, durante e após o trabalho, focando nas panturrilhas, coxas
e costas;
● Descanso das
pernas: Durante os intervalos, sente-se e, se possível, eleve as pernas.
Cuidados para quem trabalha sentado (O dia todo)
O objetivo é manter a curvatura natural da coluna, evitar a
contração muscular e promover o movimento.
● Postura da
cadeira: Ajuste a altura da cadeira para que os joelhos formem um ângulo de 90
graus e os pés fiquem totalmente apoiados no chão;
● Apoio lombar:
Utilize uma cadeira com suporte lombar adequado;
● Posição do
monitor: O topo da tela deve estar no nível dos olhos;
● Pausas ativas:
Levante-se e caminhe a cada hora trabalhada;
● Braços relaxados:
Mantenha os cotovelos próximos ao corpo em um ângulo de 90 graus e os punhos
alinhados com o teclado;
● Evite cruzar as
pernas: Manter as pernas cruzadas desalinha o quadril e prejudica a circulação.
O foco é reduzir a sobrecarga nos membros inferiores, coluna
lombar e melhorar a circulação sanguínea.
● Calçados
confortáveis: Use sapatos confortáveis com sola macia (evite salto alto contínuo
ou sapatos totalmente retos);
● Alternar apoio:
Use um pequeno banquinho ou apoio para alternar o peso de uma perna para a
outra periodicamente; Fonte: Acorda Cidade.