sexta-feira, 1 de maio de 2026

TRABALHAR PARA VIVER E NÃO VIVER PARA TRABALHAR

Por Atarde

Por *Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego

                               Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego - Foto: Matheus Itacaramby / MTE

Quando debatemos o fim da escala 6×1 no Brasil, estamos, no fundo, discutindo o tempo: o tempo dedicado ao trabalho, ao descanso e à vida. Trata-se de uma escolha sobre o tipo de país que queremos construir um país que valoriza o trabalho digno ou que mantém um modelo ultrapassado, que já não se sustenta. A escala 6×1 surgiu em um contexto de baixa tecnologia aplicada ao mundo do trabalho, em que a produtividade dependia da presença contínua. Hoje, essa lógica não se aplica. O resultado é outro: exaustão e adoecimento. É um sistema que drena energia, compromete a convivência familiar, reduz a qualidade de vida e limita o potencial produtivo.

Os dados são claros. Análise do eSocial, com base em 50,3 milhões de vínculos, mostra que, embora 74% dos trabalhadores formais tenham contratos de 44 horas semanais, 66,8% já operam no regime 5x2, enquanto 33,2% ainda estão na escala 6×1. Ou seja, não se trata de necessidade econômica é uma escolha. E mais: essa incidência pouco varia entre médias e grandes empresas. Manter a 6×1 gera custos ocultos. Jornadas longas aumentam o estresse, reduzem o sono e elevam riscos de acidentes. Trabalhadores mais cansados faltam mais, produzem menos e têm maior dificuldade de aprendizado. A rotatividade cresce, elevando custos. Descansar não é o oposto de produzir é condição para produzir melhor.

A transição é possível. O impacto estimado é de 4,7% na massa salarial, valor absorvível pela economia. O risco de aumento expressivo de horas extras é limitado. E os ganhos são concretos: estudo da Fundação Getúlio Vargas, com 19 empresas, mostra aumento de receita em 72% dos casos e melhora no cumprimento de prazos em 44%. O presidente Lula enviou ao Congresso proposta para enfrentar essa questão. A iniciativa representa um passo para retirar a escala 6×1 como padrão, valorizar o descanso e modernizar as relações de trabalho. Estamos falando de um projeto de país. Um Brasil que cresce com pessoas inteiras, não exauridas. Trabalhar não pode significar abrir mão da vida. Atarde.