Por O Globo
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o 'Sicário', quando foi preso em outra investigação — Foto: Reprodução/G1
Após a realização de cinco perícias, o inquérito sobre a morte do empresário Luiz Phillipi Mourão, apelidado de "Sicário" e considerado operador do banqueiro Daniel Vorcaro, tende a concluir que ele de fato atentou contra a própria vida na carceragem da Polícia Federal em Belo Horizonte e depois morreu devido ao tempo em que ficou sem oxigenação no cérebro. A Polícia Federal ainda tenta identificar um dos interlocutores para quem ele ligou após ser preso e aguarda a chegada de dois exames para finalizar a investigação. A morte completa um mês nesta segunda-feira. Ao longo deste período, cinco exames foram realizados e pelo menos cinco pessoas que tiveram algum contato pessoal ou por telefone com o preso foram ouvidas. As conclusões do inquérito devem ser entregues ao Supremo Tribunal Federal (STF) neste mês. Três desses laudos produzidos pela perícia da Polícia Federal já foram concluídos um sobre o local de crime; outro sobre as roupas que o preso utilizava e outro no celular fornecido por agentes para que ele pudesse se comunicar com os seus familiares, direito garantido pela Constituição a presos provisórios.
Neste terceiro laudo, a Polícia Federal detectou
que Mourão tentou ligar diversas vezes para a mãe, a irmã e uma terceira pessoa
que não foi identificada pela corporação. A Polícia Federal segue investigando para
descobrir o contato. Na análise das roupas, não foi verificada a presença de
nenhum vestígio de droga. Já nas imagens das câmeras de segurança da
carceragem, escrutinadas pela Polícia Federal, é possível ver que ele estava sozinho na cela
e foi atendido pelos agentes que acompanhavam a sua custódia. A Polícia Federal ainda não
recebeu dois exames considerados cruciais para o desfecho da investigação o
laudo toxicológico, que verifica o sangue e a urina do preso; e o laudo
necroscópico, que aponta a causa da morte e se havia ou não marca de alguma
agressão no corpo. Os dois estão sob encargo de médicos do Instituto Médico
Legal (IML), vinculado à Polícia Civil de Minas Gerais e não à Polícia Federal. Segundo a Polícia Federal, os médicos
legistas pediram na semana passada o compartilhamento do circuito de câmeras da
carceragem para finalizar o laudo de necropsia. André Mendonça deve decidir se
aprova ou não a troca de informações.
CRONOLOGIA DA PRISÃO ATÉ A CONFIRMAÇÃO
DA MORTE
Por volta das 6 horas do dia 4 de
março, agentes da Polícia Federal bateram na porta de Mourão para cumprir a
ordem de prisão preventiva e mandados de busca e apreensão ordenados pelo
Supremo. As ações se davam na terceira fase da Operação Compliance Zero,
deflagrada naquele dia, que se destina a apurar os crimes de fraude financeira,
lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça. Na residência, os agentes deram voz
de prisão a Mourão e apreenderam equipamentos eletrônicos, documentos, relógios
de luxo, joias e uma pistola sem registro. Se ele não tivesse morrido, ele responderia
a um outro processo por porte ilegal de arma de fogo.
Por volta das 9h, ele foi levado à
cela 2 do terceiro andar da superintendência da PF em Belo Horizonte. Nesse
momento, como é praxe com alvos da corporação, ele passou por uma revista completa,
na qual precisou deixar o cinto, relógio e cadarço. Às 12 horas, Mourão foi
encaminhado à sala de interrogatórios, onde ficou por cerca de duas horas. Na
cela, Mourão aparentava estar inquieto. Por volta das 15h20min, ele tentou se
matar. Passaram-se cerca de dez minutos até que os agentes da Polícia Federal percebessem o
incidente e iniciassem a tentativa de reanimá-lo com massagem cardíaca e
ventilação. Ao constatar a gravidade da
situação, eles acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que
chegou por volta das 16h15min. Mourão foi levado ao hospital João XXIII, em
Belo Horizonte, onde foi internado às 17h56min. Dois dias depois, a defesa dele
confirmou a falecimento do preso após o "encerramento do protocolo de
morte encefálica".
Procurada, a defesa de Mourão não quis
se manifestar. Nos bastidores, os advogados e familiares dele vão esperar a
conclusão do inquérito da PF para decidir se pedem uma investigação paralela
sobre a morte dele ou se movem alguma ação de indenização contra o Estado. Fonte: O Globo.