Por Só Noticia Boa
O exame de sangue brasileiro que detecta câncer de mama em estágio inicial está sendo aplicado em mutirões e deve chegar ao SUS em breve. - Foto: shutterstock.
É
do Brasil! Cientistas brasileiros desenvolveram um exame de sangue capaz de
detectar sinais moleculares do câncer de mama em estágio inicial. Sim, isso é
feito com uma simples coleta de sangue. O nome dele é RosalindTest® e começou a
ser aplicado depois de 10 anos de estudos, graças a uma parceria entre a
Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) e a biotech brasileira LiqSci que integra o hub de saúde e ciência do
ecossistema brasileiro de deep tech Sthorm. “Estudando o metabolismo da célula
cancerosa, verificamos a possibilidade de detectar precocemente a alteração
desse metabolismo através de biomarcadores”, disse Fernando Luiz Affonso
Fonseca, cientista-chefe e cofundador da LiqSci, vice-reitor do Centro
Universitário FMABC e coordenador do Laboratório de Análises Clínicas da
instituição.
QUANDO CHEGA AO SUS
Por
enquanto, o teste está sendo aplicado em mutirões feitos por empresas
particulares, seguindo as regras da Anvisa, Agência Nacional de Vigilância
Sanitária. “Ainda não estamos ofertando o exame diretamente para o consumidor.
Mas nossa missão é fazer com que ele seja incluído no SUS, para que toda a
população tenha acesso”, diz Thiago Sakamoto, cofundador da LiqSci. O grande
diferencial do exame é que ele pode ser facilmente levado até regiões com menor
infraestrutura médica e a coleta de sangue pode ser feita em campo por qualquer profissional de saúde.
NÃO SUBSTITUI A MAMOGRAFIA
O
RosalindTest® é uma ferramenta complementar à mamografia. O teste é recomendado
principalmente a partir dos 40 anos, mas pode ser feito por mulheres de
qualquer idade para prevenção, mesmo porque a doença quando é diagnosticada no
início tem mais chances de cura. Entre 2026 e 2028, o Instituto Nacional do
Câncer (Inca) estima que o Brasil vai registrar 781 mil novos casos de câncer
por ano, a doença que mais mata mulheres. São 78 mil casos ao ano, 30% do
total.
O NOME DO TESTE
O
teste ganhou esse nome em homenagem à Rosalind Franklin, cientista britânica
que ajudou a compreender a estrutura do DNA, que ajuda a identificar sinais
moleculares associados ao câncer de mama a partir de uma simples coleta de
sangue. Os experimentos iniciais foram feitos com um grupo de 150 mulheres, 125
com câncer de mama e 25 sem. Nos testes, foi constatado que havia uma diferença
importante na detecção dos biomarcadores GLUT nas mulheres com a doença.
ESTUDOS CLÍNICOS
O
RosalindTest® foi validado em mais dois estudos clínicos, totalizando cerca de
1,2 mil mulheres incluindo 600 de áreas rurais de São Paulo e Ceará. Segundo os
cientistas, os testes demonstraram uma precisão de 95% na detecção do câncer de
mama em estágios iniciais. “Em nossos estudos, percebemos que, se detectássemos
essa mudança celular no sangue periférico, poderíamos detectar a doença de
maneira precoce”, finalizou Fernando Luiz Affonso Fonseca. Foto: Só Notícia
Boa.