Por Fantástico/TV Globo
Sequestro de celular: golpistas invadem celulares de vítimas para desviar milhares de reais de contas bancárias — Foto: Reprodução/TV Globo
Um aplicativo criminoso é um dos novos
inimigos da epidemia de golpes digitais no Brasil. Bandidos estão usando
técnicas cada vez mais sofisticadas para enganar pessoas, invadir celulares e
sequestrar todos os dados. A fraude, conhecida como sequestro de celular,
começa muitas vezes com uma simples ligação ou mensagem, mas pode terminar com
prejuízos de dezenas de milhares de reais e o controle total do aparelho da
vítima. O contato inicial costuma ser feito por alguém que se apresenta como
funcionário da área de segurança do banco. O golpista afirma que houve um
acesso suspeito ao aplicativo ou uma compra indevida no cartão de crédito.
Em seguida, pede que a vítima instale um
aplicativo enviado por WhatsApp, sob o pretexto de realizar uma verificação de
vírus. A partir daí, começa a fase mais crítica do golpe. Os criminosos
orientam a vítima a compartilhar a tela do celular e conceder permissões
adicionais. Com isso, passam a ter acesso remoto completo ao aparelho,
incluindo fotos, e-mails, contatos e, principalmente, aplicativos bancários. Em
alguns casos, a vítima é induzida a digitar senhas, acreditando que está apenas
realizando procedimentos de segurança.
Em situações mais avançadas,
criminosos chegam a pedir que a vítima aproxime o cartão bancário da câmera do
celular. Usando tecnologia Near Field Communication (NFC), ou "comunicação
de campo próximo", o aparelho é transformado em uma maquininha de
pagamento, enquanto o golpista simula outra ação na tela. Um analista de
informática de São Paulo perdeu R$ 55 mil após cair no golpe. Já uma aposentada
gaúcha de 88 anos foi convencida, em uma ligação que simulava contato do
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a permitir o acesso ao celular. Ela
só desconfiou quando lembrou que tinha R$ 40 mil guardados no banco, dinheiro que
juntava para as netas.
"Ele era muito bem treinado, e eu
caí", afirma a idosa ao Fantástico. Outro caso envolveu a promessa de uma
internet rápida e barata para Liliane Dutra, dona de uma rádioweb do Rio Grande
do Sul. A vítima recebeu um link para instalar um aplicativo e foi orientada a
fazer um PIX de R$ 1,99. Na verdade, a página continha um vírus que permitiu ao
criminoso transferir R$ 2 mil para a conta de um laranja.
QUANDO LIGAR O SINAL DE ALAERTA?
A evolução desses crimes é considerada
extremamente preocupante. Em um período de 12 meses, 24 milhões de brasileiros
sofreram ao menos uma tentativa de golpe no setor financeiro, com prejuízo estimado
em quase R$ 29 bilhões. Especialistas explicam que esses golpes usam técnicas
de engenharia social, que manipulam a vítima com senso de urgência e falsas
vantagens.
"Se os preços ou as ofertas de
investimento estiverem muito fora daquilo que normalmente é praticado no
mercado, é um grande sinal de alerta", diz Merula Borges, especialista em
finanças da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). A orientação é
clara: diante de qualquer pedido de senha, compartilhamento de tela ou
instalação de aplicativos, a recomendação é desligar imediatamente a ligação.
Bancos não solicitam esse tipo de procedimento.
Quando houver qualquer demanda de
dados, senha, compartilhamento de tela, instalação de aplicativos, desligue
imediatamente, pois você está, com certeza, sendo fruto de uma tentativa de
golpe", explica Ivo Mosca, diretor executivo de Inovação, Produtos e Segurança
da Febraban. "As pessoas precisam fazer a sua parte, entender a tecnologia
e entender o poder que está ali na mão delas, para que elas consigam utilizar
aquilo de forma efetivamente segura", afirma Cristiano Borges, analista de
segurança da informação. Fonte: Fantástico/TVGlobo