Por SB News
Em coletiva, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, admitiu que "não é o relatório dos nossos sonhos, mas a evolução da possibilidade" | Hariane Bittencourt/SBT
As
mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que os homens no setor privado
brasileiro. Além disso, a desigualdade salarial sob o recorte de gênero
aumentou de 2023 para cá, mesmo com a lei que garante igualdade de salários
entre homens e mulheres que exercem a mesma função no trabalho. As informações
aparecem no 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios
Remuneratórios, divulgado nesta segunda-feira (27) pelo governo Lula (PT). O
levantamento revelou que, apesar da desigualdade, a participação feminina
cresceu 11% no mercado de trabalho, com incremento de oportunidades para
mulheres negras e pardas. Apesar dos avanços no emprego, a desigualdade
salarial subiu. Em 2023, as mulheres recebiam 13,7% a menos no salário mediano
de contratação. Agora, a diferença é de 14,3%. No rendimento médio, a diferença
passou de 20,7% para 21,3%.
"Não
é o relatório dos nossos sonhos, mas é a evolução da possibilidade. A lei é
importante porque traça parâmetros e cria condições de processo de
fiscalização. E é necessário dar acesso às mulheres na instância de poder nas
empresas. O desejo é que se tenha uma diretoria formada por dez [pessoas], em
que se tenha cinco mulheres e cinco homens ou seis mulheres e quatro
homens", afirmou o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Conforme
o documento, os estados com menor desigualdade são Acre (91,9%) e Piauí
(92,1%). Já os com maior desigualdade salarial são Espírito Santo (70,7%), Rio
de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%). "Este quinto relatório não é aquilo
que a gente queria. Mas qualquer medida não acontece sem a participação da
sociedade", disse a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.
A
proporção de empresas que afirmam promover mulheres aumentou, passando de 38,8%
para 48,7%. Já as ações de contratação de mulheres com deficiência, LGBTQIA+ e
chefes de família permaneceram estáveis. Os dados têm como base a Relação Anual
de Informações Sociais (RAIS) e abrangem cerca de 53,5 mil estabelecimentos com
100 ou mais empregados. Segundo o levantamento, o salário médio é de R$
4.594,89, enquanto o salário contratual mediano é de R$ 2.295,36.
SOBRE
A LEI
Sancionada
em 2023, a Lei nº 14.611 reforça a igualdade salarial e de critérios
remuneratórios entre homens e mulheres, alterando a Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT). Empresas com 100 ou mais empregados devem adotar medidas para
garantir essa igualdade, incluindo a promoção da transparência salarial,
fiscalização contra a discriminação, o estabelecimento de canais de denúncia e
o apoio à capacitação de mulheres. Fonte: SBT News.