quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

DIRETOR DO BC REVELA COMO IDENTIFICOU FRAUDES DO BANCO MASTER E CRÉDITOS SEM VALOR VENDIDOS AO BRB

Por SBT News

Foto:SBT News

O diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil, Ailton de Aquino, relatou à Polícia Federal, em depoimento prestado em dezembro do ano passado, como identificou as fraudes praticadas pelo Banco Master e concluiu que as carteiras de crédito vendidas ao BRB não tinham valor. Segundo Aquino, a constatação ocorreu durante uma reunião com representantes da empresa Tirreno, até então desconhecida pelas equipes de fiscalização.

“A fiscalização do Banco Central é um processo contínuo. Nós temos equipes que ficam dentro das instituições de maior risco ou que apresentam indicadores de liquidez ou de capital mais sensíveis. No caso específico dessa carteira que ficou conhecida como ‘carteira Tirreno’, o alerta surgiu através dos nossos sistemas de monitoramento de crédito, o SCR. Nós começamos a observar uma geração de crédito em um volume e numa velocidade que não era compatível com o histórico daquela origem”, afirmou.

Além da chamada “produção industrial de títulos”, com repetição de valores muito acima do comum, Aquino destacou que o ponto mais grave foi a ausência de rastro financeiro da saída do dinheiro para os supostos clientes. “Criava-se o ativo ‘no papel’ para inflar o balanço e, posteriormente, vender esse ‘papel’ para outra instituição, no caso o BRB, recebendo aí sim dinheiro de verdade por um crédito que nunca existiu na ponta”, explicou o diretor do Banco Central. Aquino comparou o modus operandi da fraude ao caso do banco Cruzeiro do Sul e apontou a identificação das vítimas como um dos aspectos mais “dramáticos” da investigação.

“Quando a nossa equipe de fiscalização foi a campo, ou fez o cruzamento de dados, descobrimos o que chamamos internamente de ‘vítimas sistêmicas’. São pessoas, muitas vezes humildes, que tinham seus dados em alguma base e que, de repente, apareciam no SCR do Banco Central como devedoras de R$ 50 mil, R$ 100 mil no Banco Master ou no BRB. Pessoas que nunca pisaram nessas agências. É a ‘Dona Maria’ que eu mencionei, que agora está com o nome sujo no sistema financeiro por uma operação fraudulenta feita por terceiros”, relatou.

Para o diretor do Banco Central, “é muito difícil acreditar” que o BRB tenha comprado cerca de R$ 6 bilhões em créditos sem perceber que eles não existiam. “Se você compra um carro, você olha se ele tem motor. Se você compra uma carteira de crédito, você olha se os devedores existem e se o dinheiro foi pago. A governança do BRB falhou de forma catastrófica ou houve uma decisão consciente de ignorar os riscos. E isso é o que a investigação deve apurar”, afirmou. Fonte: SBT News/Paulo Sabbadin.