Por SBT News
O
diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil, Ailton de Aquino, relatou à
Polícia Federal, em depoimento prestado em dezembro do ano passado, como
identificou as fraudes praticadas pelo Banco Master e concluiu que as carteiras
de crédito vendidas ao BRB não tinham valor. Segundo Aquino, a constatação
ocorreu durante uma reunião com representantes da empresa Tirreno, até então
desconhecida pelas equipes de fiscalização.
“A
fiscalização do Banco Central é um processo contínuo. Nós temos equipes que
ficam dentro das instituições de maior risco ou que apresentam indicadores de
liquidez ou de capital mais sensíveis. No caso específico dessa carteira que
ficou conhecida como ‘carteira Tirreno’, o alerta surgiu através dos nossos
sistemas de monitoramento de crédito, o SCR. Nós começamos a observar uma
geração de crédito em um volume e numa velocidade que não era compatível com o
histórico daquela origem”, afirmou.
Além
da chamada “produção industrial de títulos”, com repetição de valores muito
acima do comum, Aquino destacou que o ponto mais grave foi a ausência de rastro
financeiro da saída do dinheiro para os supostos clientes. “Criava-se o ativo
‘no papel’ para inflar o balanço e, posteriormente, vender esse ‘papel’ para
outra instituição, no caso o BRB, recebendo aí sim dinheiro de verdade por um
crédito que nunca existiu na ponta”, explicou o diretor do Banco Central. Aquino
comparou o modus operandi da fraude ao caso do banco Cruzeiro do Sul e apontou
a identificação das vítimas como um dos aspectos mais “dramáticos” da
investigação.
“Quando
a nossa equipe de fiscalização foi a campo, ou fez o cruzamento de dados,
descobrimos o que chamamos internamente de ‘vítimas sistêmicas’. São pessoas,
muitas vezes humildes, que tinham seus dados em alguma base e que, de repente,
apareciam no SCR do Banco Central como devedoras de R$ 50 mil, R$ 100 mil no
Banco Master ou no BRB. Pessoas que nunca pisaram nessas agências. É a ‘Dona
Maria’ que eu mencionei, que agora está com o nome sujo no sistema financeiro
por uma operação fraudulenta feita por terceiros”, relatou.
Para
o diretor do Banco Central, “é muito difícil acreditar” que o BRB tenha
comprado cerca de R$ 6 bilhões em créditos sem perceber que eles não existiam. “Se
você compra um carro, você olha se ele tem motor. Se você compra uma carteira
de crédito, você olha se os devedores existem e se o dinheiro foi pago. A
governança do BRB falhou de forma catastrófica ou houve uma decisão consciente
de ignorar os riscos. E isso é o que a investigação deve apurar”, afirmou. Fonte:
SBT News/