Por Dom Itamar Vian
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
O
Supremo Tribunal Federal (STF) descriminalizou o porte de maconha para o
consumo pessoal e definiu o limite de 40 gramas como critério para diferenciar
o usuário da droga do traficante. Como já foi constatado, em muitos países, não
se obtém a redução da toxicodependência, liberando o seu consumo. Libera-se e,
consequentemente, consome-se mais.
AS DROGAS - não são apenas um problema e um
desafio do indivíduo que as consome, ou da família do dependente, mas também,
da sociedade. O que preocupa é ver crianças e jovens, sempre em maior número,
dependentes químicos. Diante desse desafio, muitas famílias assumem a “política
da avestruz”, ou seja, não admitem que o problema das drogas possa atingir seu
lar. E, como não admitem, nada fazem.
OUTRO - grande desafio são os
contrabandistas e traficantes de drogas. “Eles são traficantes de morte. São
movidos pela lógica do poder e do dinheiro. Causam um grande mal a jovens,
adultos e famílias. São assassinos! São criminosos! Esse flagelo, que produz
violência e semeia sofrimento e morte, exige um ato de coragem de toda a
sociedade. A dignidade humana não pode ser espezinhada dessa maneira. Não
podemos ficar indiferentes”! (Papa Francisco).
A DEPENDÊNCIA - química pode ser tratada. É
possível abandonar o inferno das drogas e voltar ao paraíso da família e da
sociedade. Para isso, existem as Comunidades Terapêuticas. Mas, qual é o
primeiro e mais importante passo? Reconhecer a necessidade de ajuda e,
consequentemente, aceitar ingressar numa dessas comunidades que são ambientes
adequados para a recuperação de dependentes químicos.
“PREVENIR” É melhor do que remediar”,
ensinavam nossos avós. Investir na prevenção é sempre o melhor caminho. Por
isso, é necessário preparar pessoas que desejam trabalhar na prevenção e no
atendimento de dependentes químicos. É também, indispensável acompanhar as famílias,
de envolvidos com drogas, e prepará-las para que possam facilitar a reinserção
social do familiar que termina o tempo de recuperação.
DEUS - nunca se cansa de recuperar seus filhos e filhas. Ele sempre oferece novos caminhos para que possam redescobrir a alegria de viver. Recordemos a parábola do filho pródigo. O pai, ao acolher seu filho de volta com o abraço e o beijo, lhe dá a oportunidade de reencontrar a vida que um dia perdera: “O filho estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi encontrado” (Lc 15,32). Dom Itamar Vian - Arcebispo Emérito. di.vianfs@ig.com.br (Fonte: Acorda Cidade)