Mulher é detida por injúria racial contra médico negro do Samu na BA
Caso ocorreu na terça-feira (23), em Juazeiro,
região norte do estado.
Professora foi liberada após pagar fiança no valor de R$ 622.
Do G1 BA,
com informações da TV São Francisco
24/10/201209h42
– atualizado em 24/10201209h42
Uma
professora de 45 anos foi detida na terça-feira (23), na cidade de Juazeiro, região norte da Bahia, por
injúria racial contra um médico do Samu, que é negro. De acordo com o delegado
Flávio Martins, titular da 1ª Delegacia, o serviço médico foi acionado para prestar
atendimento ao ex-companheiro da mulher.
De acordo
com Martins, o médico relatou que, durante o atendimento, foi chamado pela
professora de "negrinho metido a besta". O delegado informou que a
agressão verbal ocorreu após o médico do Samu solicitar que a mulher se
afastasse porque estava atrapalhando o trabalho da equipe. Os dois discutiram e
ocorreu a agressão. O médico acionou a Polícia Militar, que prendeu a suspeita
em flagrante.
"Eu
conduzi o paciente até o interior da ambulância para que a gente fizesse o
primeiro atendimento, quando a gente estava tentando fazer o acesso venoso
nele, ela abriu a porta da ambulância traseira e começou a gritar porque que o
paciente ainda estava lá e não tinha sido removido para o hospital. Com isso,
eu pedi para que ela fechasse a porta da ambulância para a gente não expor o
paciente e poder terminar o procedimento com tranquilidade, foi quando ela
disse que eu era um negrinho metido e bateu a porta da viatura", diz
Gilberto Barbosa, médico do Samu.
Segundo o
delegado Flávio Martins, a professora prestou depoimento e foi liberada após
pagamento de fiança no valor de um salário mínimo, R$ 622. "No depoimento
ela disse que se desentendeu com o médico, mas não falou que fez essa conotação
racial. Ela negou a injúria racial", afirmou o delegado.
O médico
avalia que a equipe do Samu foi desrespeitada. "A equipe do Samu foi
agredida, então isso tem que acabar, já aconteceu uma vez de agressões físicas
no Samu. O que acontece é que a gente precisa de mais segurança", defende
Gilberto.
Flávio Martins afirmou que a professora responderá ao inquérito em liberdade. O
titular da 1ª Delegacia de Juazeiro informou que a pena para o crime de injúria
racial pode de um a três anos de prisão em regime fechado. O paciente atendido
pelo Samu, segundo o delegado, foi encaminhado para um hospital da cidade e
passa bem.
