Vinte anos após Collor,
Brasil dá guinada contra corrupção.
Carolina
Farina e Kamila Hage - 29/09/2012 - 09:14
Roberto
Stuckert Filho/Agência O Globo
Fernando Collor ao lado da mulher, Rosane, após
assinar o documento de seu afastamento da Presidência da República, na saída do
Palácio do Planalto - Roberto Stuckert Filho/Agência O Globo
Há exatos vinte anos, em 29 de setembro de 1992, a
Câmara dos Deputados aprovava o impeachment de
Fernando Collor de Mello numa sessão histórica, transmitida ao vivo para
todo o país. A expulsão da “República de Alagoas”, que pilhava os cofres
públicos, foi uma vitória da sociedade brasileira, que dias antes fora às ruas
para pedir a saída do presidente. Collor renunciou antes de ser julgado.
Mesmo assim, perdeu os direitos políticos por oito anos. Três dias depois,
ele desceu a rampa do Palácio do Planalto ao lado da mulher, Rosane, sob os
olhos de uma multidão que vaiou o casal até vê-lo entrar – pela última vez – no
helicóptero presidencial. Cinco meses antes, o Brasil descobrira um esquema de corrupção
instalado no coração da Presidência: o economista Paulo César Farias, o PC,
ex-tesoureiro da campanha de Collor ao Planalto, recebia propina de empresários
interessados em negociar com o governo, ficava com 30% do dinheiro arrecadado e
repassava o restante ao presidente. Firmas fantasmas foram criadas para emitir
notas fiscais frias. Estima-se que o esquema tenha movimentado, por baixo, 350
milhões de dólares. Passadas duas décadas, a praga da corrupção segue a
assolar o país. Não se pode negar, contudo, que o Brasil tem avançado no
combate a esse mal – e, hoje, assiste a um momento de guinada no combate à
corrupção, com o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal.
Ainda há muito a ser feito, mas o país já nota
importantes avanços. E o julgamento do mensalão no STF é sinal de que o Brasil
mudou - e para melhor.
