Plano Collor
deixou poupadores com no
máximo R$ 6.715,00
Atualizada :29/09/2012 07:00 –
Por Sílvio Guedes Crespo de
economia & negócios, estadao.com.br
A insatisfação popular que contribuiu para o impeachment de Fernando
Collor de Mello, há exatos 20 anos, iniciou-se com um conjunto de medidas
tomadas já no segundo dia de trabalho do então presidente.
Em 16 de março de 1990, dia seguinte à posse, Collor e sua ministra da
Economia, Zélia Cardoso de Mello, anunciaram que, a partir daquele momento,
ninguém poderia sacar mais do que Cr$ 50 mil, da poupança ou da conta corrente,
pelos 18 meses seguintes. Para quem tinha mais do que isso guardado, o
excedente ficaria retido no Banco Central durante o período determinado, com
correção monetária e juros de 6% ao ano.
O valor do limite de saque equivaleria hoje a R$ 6.715,32, corrigindo a
inflação pelo IPCA (atual índice oficial de preços (se não fosse considerada a
inflação, os Cr$ 50 mil corresponderiam a menos de 2 centavos de real).
Na época, com Cr$ 50 mil era possível comprar, em São Paulo, 17 cestas
básicas, que custavam, de acordo com cálculos do Dieese, Cr$ 2.821 cada. A
título de comparação, hoje a mesma cesta sai por R$ 306,02.
Os Cr$ 50 mil equivaliam, ainda, a 13,6 salários mínimos, que em março
de 1990 era de Cr$ 3.674. Vale notar, também, que na época um salário mínimo
comprava 1,3 cesta básica; hoje compra duas.
Além da poupança, o governo também confiscou as aplicações em fundos de
curto prazo, depósitos a prazo e no chamado overnight. Para esses casos, o
saque ficaria limitado a 20% do total da aplicação ou Cr$ 25 mil, também por um
ano e meio.
As medidas anunciadas naquele 16 de março foram oficialmente chamadas de
Plano Brasil Novo, mas ficaram conhecidas como Plano Collor. Além do confisco,
elas incluíam, entre outras:
- mudança imediata do nome da moeda
nacional (de cruzado novo para cruzeiro, sem corte de zeros);
- instituição do câmbio flutuante;
- proibição do aumento de preços,
salvo com autorização do Ministério da Economia
- correção salarial prefixada no dia
15 de cada mês
- obrigatoriedade dos bancos de
aplicar parte do patrimônio em títulos de privatização
Junto com o Plano Collor, foi anunciada a extinção de 24 estatais e
demissão dos seus 81 mil funcionários, por meio de medida provisória. Os
servidores com estabilidade ficariam em um banco de reserva, ficando apenas com
o salário base, sem direito a gratificações.