Por SBT News
Alexandre de Moraes e André Mendonça | Foto: Antonio Augusto/Gustavo Moreno/STFO ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes incluiu o colega André Mendonça no inquérito das fake news. Moraes argumentou que Mendonça teria cometido três supostos crimes no âmbito da relatoria das operações Sem Desconto e da Compliace Zero: Iimprobidade administrativa, crime de responsabilidade e abuso de autoridade. A decisão é mais um capítulo na crise interna do Supremo. Na visão de Moraes, André Mendonça teria feito direcionamento das investigações por "motivos pessoais" e "políticos", "inclusive com a indicação prévia de medidas cautelares a serem apresentadas pela Polícia Federal".
Como argumento, Alexandre Moraes
menciona supostos vazamentos à imprensa. "Em 08/08/2026, publicação da
revista Piauí veiculou imagem extraída do aparelho celular do senador Weverton
Rocha, que não integrava os autos. Imagem havia sido inserida em minuta de
informação de Polícia Judiciária pela servidora e posteriormente
retirada", pontua o ministro. Além disso, Moraes cita a participação de
Mendonça nos acordos de delação premiada que estão negociados em ambas as
operações. "A Polícia Federal aponta que o ministro relator, André
Mendonça, vem tendo efetiva 'participação nas tratativas de colaboração
premiada' relacionadas tanto à 'Operação Sem Desconto', quanto na 'Operação
Compliance Zero'", acrescenta.
No inquérito, Moraes afirma
também que a Polícia Federal acusa o colega do Supremo de atuar como juiz e
"investigador" ao mesmo tempo. "No mesmo relatório, a Polícia
Federal aponta que o 'resultado prático do comando' realizado pelo Ministro
André Mendonça 'é a atuação do julgador como investigador'", acrescenta no
texto.
Além disso, Moraes diz que
Mendonça teria determinado a produção de provas ilegais contra ele. "Não
bastasse o direcionamento da investigação para determinado alvo que não estava
sob sua competência jurisdicional, em total desrespeito aos artigos [...]
regimento interno do STF, o relator, ministro André Mendonça determinou de
ofício diligência investigatória policial para a produção ilegal de provas
contra o ministro Alexandre de Moraes, com a agravante excepcional de ter
determinado à Polícia Federal a realização da diligência sem ter assinado a
decisão judicial e sem ter feito da comunicação pelas vias procedimentais
legais, bem como ter subtraído o conhecimento da mesma da Procuradoria-Geral da
República", complementa. Por fim, Alexandre de Moraes também diz que os
relatórios de inteligência da PF, supostamente direcionados por Mendonça,
trazem citações aos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes
Marques, todos integrantes do Supremo.
ROTA DE COLISÃO
A cisão entre os ministros
Alexandre de Moraes e André Mendonça ficaram escancaradas a partir de
segunda-feira (31), quando os dois se reuniram e falaram sobre o avanço da
investigação do caso Master. Ao SBT News, interlocutores dos ministros
descreveram que foi uma conversa “tensa”, na qual os dois "bateram boca".
Moraes teria afirmado a Mendonça que sabia que estava sendo investigado pelo
magistrado. Mendonça, por sua vez, teria defendido a lisura da investigação que
atinge o colega em cheio.
Um dia antes da conversa com
Moraes, no domingo (30), André Mendonça também comunicou ao presidente da
Corte, Edson Fachin, sobre o teor da decisão que determinaria a abertura do
sigilo dos autos-- que reúnem troca de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel
Vorcaro, do Banco Master, e Moraes. Entre fontes do Judiciário, o episódio está
sendo visto como uma declaração de guerra de Mendonça contra Moraes, ainda mais
após decisão do ministro relator de abrir o sigilo da apuração. Até então, o
ministro Alexandre de Moraes vinha negando vinculação com o contato. Mendonça,
entretanto, determinou à PF que identificasse o destinatário das mensagens, o
que colocou o colega na mira das investigações. *Texto em atualização. Fonte:
SBT News