Por Gazeta Brasil
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Coalizão “Escudo das Américas” reúne aliados dos EUA na ONU
para discutir combate ao crime organizado; Brasil e México ficam de fora, e
Lula critica “tentações hegemônicas” Os Estados Unidos e países da América
Latina e do Caribe que integram a coalizão “Escudo das Américas” se reuniram
nesta última terça-feira (22/9), em Nova York, à margem da 81ª Assembleia Geral da
Organização das Nações Unidas (ONU). O encontro foi liderado por Washington e
teve como foco o combate ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional. A
coalizão, lançada pelo presidente Donald Trump em março, busca ampliar a
cooperação entre os países participantes nas áreas de segurança, inteligência e
operações contra grupos criminosos. Atualmente, o grupo reúne 19 países. Brasil
e México estão entre os principais países da região que não integram a
iniciativa.
COMBATE AOS GRUPOS CRIMINOSOS
Os Estados Unidos classificam diversos grupos criminosos da
região como organizações terroristas estrangeiras e defendem uma atuação
coordenada contra estruturas ligadas ao narcotráfico. Entre os grupos
mencionados pela política americana estão a Mara Salvatrucha (MS-13), o Tren de
Aragua, cartéis mexicanos, o Exército de Libertação Nacional (ELN) e
dissidências das FARC, além do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando
Vermelho, no Brasil. Trump defendeu nesta terça-feira uma resposta mais
contundente contra o crime organizado e afirmou que os Estados Unidos estão
dispostos a utilizar seu poderio militar para proteger seus interesses no
hemisfério.
DISCURSO DE TRUP
Horas antes do encontro, Trump classificou os cartéis de
drogas como “o ISIS do hemisfério ocidental” e afirmou que os Estados Unidos
não permitirão que ameaças avancem na região. “Nós não permitiremos mais que as
ameaças contra a América ganhem terreno em nenhum lugar do hemisfério ocidental.
Se necessário, usaremos nosso poderio militar sem igual”, declarou o presidente
americano, segundo a Reuters. Trump também citou a operação americana que
resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro e afirmou que a ação
demonstraria a disposição de Washington de atuar diretamente na região.
“ESCUDO DAS AMÉRICAS”
Trump lançou o “Escudo das Américas” em março, durante uma
reunião com líderes latino-americanos na Flórida. A iniciativa foi apresentada
como uma estrutura de cooperação regional para combater cartéis, narcotráfico e
outras organizações criminosas transnacionais. Desde então, países como
Argentina, Equador, El Salvador, Honduras, Panamá, Paraguai, Costa Rica,
República Dominicana, Guyana, Trinidad e Tobago, Bolívia, Chile, Colômbia e Peru
passaram a integrar ou participar da iniciativa, enquanto a composição do grupo
foi ampliada ao longo do ano. A estratégia é acompanhada por uma política
americana de maior utilização de recursos militares contra organizações ligadas
ao narcotráfico. Segundo a Reuters, os Estados Unidos realizaram ataques contra
embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental desde o ano passado.
BRASIL E MÉXICO FORAM DA COALIZÃO
Brasil e México não fazem parte do “Escudo das Américas”. Durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU, Lula criticou o que chamou de “renovadas tentações hegemônicas” e afirmou: “O Brasil não é o quintal de ninguém”. O presidente brasileiro também defendeu a cooperação internacional no combate ao crime organizado, mas rejeitou a ideia de terceirizar responsabilidades de segurança. A posição contrasta com a estratégia defendida por Washington, que prevê maior integração militar e de inteligência entre os países participantes.
SOBRE O TRECHO DO TIAR
Eu não manteria, neste momento, o subtítulo “Pedido de ativação do TIAR” nem a afirmação de que os signatários decidiram solicitar formalmente sua ativação, porque não encontrei confirmação em fontes confiáveis consultadas hoje. O TIAR existe desde 1947 e é um tratado de assistência recíproca, mas isso é diferente de afirmar que o mecanismo foi formalmente acionado nesta reunião. Também retiraria a frase “a designação habilita o uso de medidas militares contra eles”. A classificação como organização terrorista produz efeitos jurídicos e financeiros nos EUA, mas não significa, por si só, uma autorização automática para ação militar. Fonte: Gazeta Brasil.