Por BNews
Corregedoria do Tribunal de Justiça da Bahia investiga sumiço de autos de ação possessória ligada à Operação Faroeste - Foto: Divulgação
A
Corregedoria Judicial do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) instaurou um
Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar o sumiço dos autos
físicos de uma ação possessória em Formosa do Rio Preto, no extremo oeste do
estado. O processo envolve Joílson Gonçalves Dias, apontado pelo Ministério
Público Federal (MPF) como operador financeiro do esquema desarticulado pela
Operação Faroeste Joílson é filho do borracheiro José Valter Dias, considerado
o maior latifundiário da Bahia, sendo dono de terras que, segundo o Ministério Público
Federal, foram griladas.
A
portaria, assinada pelo corregedor, desembargador Emílio Salomão Resedá, mira a
conduta da servidora Alaéce Moreira dos Santos, escrivã da Vara de Jurisdição
Plena da Comarca de Formosa do Rio Preto. O procedimento vai verificar se houve
quebra dos deveres de zelo e custódia referentes ao acervo documental sob sua
guarda. A investigação
interna ficará sob a responsabilidade do juiz auxiliar da Corregedoria, Marcos
Ledo, que recebeu o prazo de 60 dias para a apresentação do relatório final.
PROCESSO NÃO FOI
ENCONTRADO
A
ação de interdito proibitório tramita desde 2008 e trata de uma disputa por
terras na região oeste. A ação foi movida por Ademir Antônio Marcon, Devanira
Rorato Marcon e Marcelo Ricardo Marcon contra Joílson Gonçalves Dias. O
desaparecimento dos documentos foi identificado durante os trabalhos de
virtualização do acervo da unidade. A Unidade de Apoio ao Judiciário (UNIJUD)
comunicou à 1ª Vara Cível local que o processo não constava na base de dados da
empresa contratada para realizar a digitalização. Antes da instauração do PAD
pela Corregedoria, a juíza substituta Tônia Barouche chegou a expedir despachos
determinando buscas internas pela guia de remessa e oficiando a presidência do
tribunal.
ATUAÇÃO FINANCEIRA
Joílson
Gonçalves Dias é filho de José Valter Dias, o "borracheiro"
apresentado como suposto titular de mais de 300 mil hectares de terras em
Formosa do Rio Preto, cuja disputa deu origem às investigações da Operação
Faroeste sobre grilagem e compra de decisões judiciais no tribunal baiano.
Nas apurações federais, Joílson é descrito como integrante do núcleo financeiro da organização criminosa. Ele constava como sócio majoritário da JJF Holding (com 49% de participação), ao lado de Geciane Maturino, esposa do falso cônsul Adailton Maturino. De acordo com a acusação, a pessoa jurídica era utilizada para movimentar recursos ilícitos e conferir aparência jurídica formal aos terrenos apropriados irregularmente na região. Fonte BNews.