Por A tarde
Brasileiro segura gastos e perde confiança na economia - Foto: Agência Brasil
O
brasileiro ficou mais cauteloso
com o próprio bolso, mas esse movimento não está diretamente relacionado
à inflação. Essa é a principal conclusão do relatório Latam Pulse Brasil,
realizado pela Atlas Intelem
parceria com a Bloomberg e divulgado nesta quinta-feira, 6. O levantamento
mostra que o Índice de Confiança do Consumidor (Atlas CCI) registrou uma queda de 10,1 pontos
percentuais entre junho e julho, passando de -4,3 para -14,4 no período.
Segundo o relatório, a redução da confiança indica um consumidor mais receoso e
em posição de espera. Dois fatores ajudam a explicar esse comportamento:
O
avanço do calendário eleitoral para as eleições presidenciais de 2026;
As incertezas provocadas pelas discussões comerciais com os Estados Unidos sobre a imposição de um novo tarifaço. Apesar da queda, as expectativas para os próximos meses continuam em campo positivo. O indicador recuou de 7,9 para 3,4, mas ainda aponta que o pessimismo está mais relacionado às condições atuais da economia do que a uma falta de perspectiva sobre o futuro do país. Inflação permanece estável.
A perda de confiança ocorre mesmo sem uma piora
significativa na percepção sobre os preços. Os dados de inflação mostram
estabilidade: o índice permaneceu em 5,8% pelo terceiro mês consecutivo. As
expectativas para a inflação nos próximos seis meses também seguiram
praticamente estáveis, passando de 5,1% para 5,2%.
“O
resultado sugere que a deterioração recente da confiança do consumidor não
parece estar sendo puxada por uma piora relevante na percepção de preços, mas
por um ambiente mais amplo de cautela econômica”, aponta o relatório. O
levantamento também mostra uma divisão na percepção dos brasileiros sobre as
políticas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Medidas com
impacto direto no orçamento das famílias têm alta aprovação entre os
entrevistados.
ENTRE
ELAS ESTÃO:
Gratuidade
de medicamentos na Farmácia Popular: 82% de aprovação;
Isenção
do Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil: 79% de aprovação. Por outro lado,
políticas relacionadas à condução da economia geram mais resistência. A adoção
do atual arcabouço fiscal é considerada um erro por 43% dos entrevistados,
contra 39% que avaliam a medida como acertada. A interrupção do programa de
privatizações de empresas públicas também registra avaliação negativa, com 48%
de desaprovação. O resultado indica que, embora medidas de benefício direto
tenham boa aceitação, ainda existe preocupação dos consumidores em relação aos
rumos gerais da economia brasileira.
METODOLOGIA
A pesquisa ouviu 5.021 pessoas maiores de 18 anos em todo o Brasil, entre os dias 22 e 27 de julho de 2026. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos. Fonte da Informação: A tarde.