Por g1
Polícia Civil mira grupo que rouba remédios no RJ — Foto: Reprodução/TV GloboA Polícia Civil do RJ iniciou nesta terça-feira (21/7) a Operação Metástase, contra um esquema interestadual de roubo de medicamentos oncológicos e imunossupressores. Até a última atualização desta reportagem, 5 pessoas haviam sido presas. Segundo a Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-Cap), a quadrilha tinha apoio do Terceiro Comando Puro (TCP), movimentou R$ 33 milhões em apenas um ano e utilizava empresas de fachada para recolocar o material roubado no mercado.
“Esses marginais roubam medicamentos que muitas vezes têm como destino o abastecimento da rede pública de saúde. E roubam de forma extremamente violenta, com fuzis e batedores”, descreveu o delegado André Prates. As cargas subtraídas eram levadas para o Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro. “A partir daí, o núcleo dos receptadores fazia o pagamento aos roubadores, armazenava, fracionava e distribuía para o país todo por empresas farmacêuticas de fachada”, emendou Prates.
PRESOS
Dos 5 presos, 3 foram identificados:
Fernanda Rodrigues França, apontada como integrante do
núcleo de receptadores;
Stefano Montovani Fernandes, apontado como chefe do esquema,
chegava a encomendar roubos de cargas;
Umberto Xavier de Lima, apontado como receptador.
MANDADOS
Os agentes saíram para cumprir, no total, 5 mandados de prisão preventiva e 97 de busca e apreensão, expedidos pela primeira Vara Especializada em Organização Criminosa, em 4 estados. No Rio de Janeiro, equipes foram para o Complexo da Maré, onde houve intenso tiroteio e barricadas em chamas, e para endereços na Baixada Fluminense. Também há mandados em São Paulo (capital, Santo André e São Caetano do Sul), Goiás (Goiânia) e Pará (Belém), com o apoio das unidades policiais de cada estado. Foi pedido o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens e valores utilizados pelo bando para ocultar o patrimônio. Em Santo André, agentes encontraram medicamentos contra o câncer dentro de um Jaguar. O carro foi apreendido.
Houve impactos no Complexo da Maré por causa da operação. Segundo
a Secretaria Municipal de Saúde, 2 unidades de atenção primária suspenderam o
funcionamento e avaliavam a possibilidade de abertura. Outras 2 unidades
mantinham o atendimento, mas suspenderam visitas domiciliares.
INVESTIGAÇÕES
Segundo a Polícia Civil, a DRFC-Cap identificou uma organização criminosa “altamente sofisticada e violenta, especializada em roubos de cargas de medicamentos oncológicos e imunossupressores de alto valor de mercado, que seriam utilizados tanto na rede privada quanto na rede pública de saúde”.
“Os agentes constataram a participação do grupo em pelo
menos 40 crimes semelhantes nos últimos 6 meses, além da movimentação
financeira superior a R$ 33 milhões no período de 1 ano, entre 2025 e 2026, por
meio da utilização de empresas de fachada”, explicou. As investigações também
indicaram que o material roubado era reinserido em instituições públicas de
saúde de todo o país.
NÚCLEOS
Os policiais identificaram diferentes núcleos, cada um
responsável por uma etapa da operação:
Roubadores;
Logístico-financeiro intermediário;
Logístico-financeiro final;
Suporte territorial.
“A apuração revelou que o esquema ia muito além do roubo das cargas transportadas”, afirmou a DRFC-Cap. “Após as ações criminosas, realizadas por criminosos fortemente armados, os medicamentos eram levados para áreas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), no Complexo da Maré, onde ocorria o transbordo e a redistribuição da carga”, detalhou. “A facção criminosa atuava no suporte territorial, fornecendo apoio bélico e proteção ao núcleo de roubadores. Em seguida, um 2º núcleo era responsável pelo armazenamento, fracionamento e envio dos medicamentos roubados.” “Para esconder a origem dos produtos e enviá-los aos receptadores finais em diversos estados do país, os integrantes utilizavam empresas de fachada, transportadoras, entregadores e ‘laranjas’”, prosseguiu.
As equipes também identificaram membros do grupo responsáveis
por aliciar funcionários de transportadoras para obter informações privilegiadas
sobre rotas e cargas. As investigações apontaram que 25 empresas de fachada,
distribuídas entre os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará,
integravam a engrenagem financeira da organização criminosa e eram utilizadas
para receptar os medicamentos roubados no RJ. “Os medicamentos eram revendidos
tanto para hospitais privados quanto, em alguns casos, para instituições
públicas de saúde, por meio de processos licitatórios na modalidade de tomada
de preços”, afirmou a polícia. “Ao oferecer valores inferiores aos praticados
pelo mercado regular, o grupo conseguia inserir produtos de origem criminosa na
cadeia legítima de fornecimento.”
“GRAVE AMEÇA”
A Polícia Civil afirmou que o esquema “representa uma grave
ameaça não apenas ao patrimônio, mas também à saúde pública”.
“Medicamentos oncológicos e imunossupressores exigem
rigoroso controle de temperatura e armazenamento durante todo o transporte.
Quando mantidos em condições inadequadas, podem perder a eficácia, sofrer
contaminação ou até gerar substâncias nocivas”, pontuou.
“O volume expressivo das cargas subtraídas pode comprometer o abastecimento dos sistemas de saúde, impactando diretamente o tratamento de pacientes oncológicos, transplantados e pessoas com doenças autoimunes.” Fonte: g1/Rio de Janeiro.