quinta-feira, 2 de julho de 2026

CABOCLO, CABOCLA, TRANSFERÊNCIA DA CAPITAL FEDERAL E MAIS: ENTENDA OS SÍMBLOS DO DOIS DE JULHO NA BAHIA

Por g1/BA

Confira celebrações do Dois de Julho em Salvador — Foto: Iamany Santos/g1 Bahia

O dia da Independência do Brasil na Bahia, como é chamado o feriado de Dois de Julho no estado, é um dos momentos emblemáticos da história brasileira e representa uma virada contra a colonização portuguesa no país. A importância da celebração desta quinta-feira (2) para o cenário nacional virou tema de projeto de lei aprovado no Senado e que, pela primeira vez, torna Salvador a capital federativa do Brasil durante a data. As figuras do Caboclo e da Cabocla são centrais durante as celebrações da independência e representam a vontade do povo baiano durante a revolta anti-lusitana. O cortejo tradicional do Dois de Julho começa no bairro da Liberdade, com a saída do carro com as imagens, que seguem até o Largo do Campo Grande.

Carro do Caboclo neste domingo (2) em Salvador — Foto: Foto: Malu Vieira / g1 Bahia

Historiadores apontam que, depois da expulsão definitiva das tropas portuguesas da Bahia, em julho de 1823, o desfile típico surgiu espontaneamente. Inicialmente, a figura do Caboclo era representada por uma pessoa viva. A partir de 1840, surgiu a estátua do Caboclo e da Cabocla, representando Catarina Paraguaçu, já em um momento de suavização dos tons revoltosos que criaram a celebração. O aspecto sagrado das imagens surge através das pessoas que participavam do cortejo e passaram a cultuar as figuras. Diante da identificação do público com as imagens e a forte presença dos terreiros de candomblé na Bahia, houve uma associação natural entre a figura do Caboclo e as simbologias presentes na religião de matriz africana.  Atualmente, é tradição as pessoas irem até o Campo Grande para pedir graças aos caboclos e realizarem oferendas, em sua maioria frutas. Os carros levam as imagens para o largo no dia 2 de Julho, onde seguem por três dias, até serem levadas de volta para a Lapinha.

Confira celebrações do Dois de Julho em Salvador — Foto: Malu Vieira/g1

RELEVÂNCIA NACIONAL

A sanção do projeto de lei 5.672/2025, de autoria do deputado federal Leo Prates (PDT), coloca as celebrações de 2 de Julho em um patamar de relevância nacional. O texto da lei, divulgado nesta quinta-feira (2), estabelece que a mudança não poderá comprometer o funcionamento dos serviços essenciais em Brasília, restringindo-se a atos oficiais e simbólicos. O texto transfere simbolicamente a sede do governo federal para Salvador na data, como forma de relembrar a batalha que ajudou a consolidar a independência do país, declarada por Dom Pedro I em 7 de setembro de 1822.

Percurso do desfile ao 2 de Julho durou cerca de 2h30 — Foto: Juliana Almirante/G1

Para o historiador Fábio Batista Pereira, mestre em História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas, reconhecer a importância da data ajuda também a valorizar a participação de populações marginalizadas no processo de independência do país. "É uma luta que continua muito presente, muito atualizada por cidadania plena: política, civil e social. O legado da independência da Bahia para os baianos e para os brasileiros é justamente esse", aponta.

Confira celebrações do Dois de Julho em Salvador — Foto: Malu Vieira/g1

Através do Caboclo e da Cabocla, a festa da independência da Bahia coloca a imagem de negros e indígenas como protagonistas da libertação do país da opressão portuguesa. Para Pereira, a luta pela liberdade na Bahia ensina uma série de lições contemporâneas para o país, que está no meio de debates políticos sobre soberania nacional. "O Dois de Julho traz tudo isso à tona. O hino é muito claro: 'Com tiranos não combinam brasileiros corações'. É uma frase muito forte para aquela época e para os dias de hoje em quem precisamos reafirmar valores democráticos como princípios essenciais da sociedade". Por Iamany Santos- Fonte: g1