sexta-feira, 19 de junho de 2026

TUDO COMEÇOU NA BAHIA: A ORIGEM DO CASO MASTER PASSA PELO CREDCESTA

 Por Informe baiano

Foto: divulgação

Muito antes do Banco Master ocupar as manchetes nacionais, ser alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal e provocar um rombo bilionário no sistema financeiro, uma peça estratégica para a expansão do grupo começou a ganhar força na Bahia: o Credcesta. Criado para atender servidores públicos estaduais, o cartão consignado se transformou em um dos negócios mais lucrativos do mercado de crédito. O modelo permitia descontos diretamente na folha de pagamento e rapidamente ganhou escala entre os funcionários públicos baianos.

Conforme levantamento do Informe Baiano, o empresário Augusto “Guga” Lima comprou o complexo da Cesta do Povo na Bahia, incluindo os direitos de exploração do Credcesta, por R$ 15 milhões em um processo de privatização. Dias depois, ele repassou 50% dos direitos do cartão para o Banco Master pelo dobro do valor. Ou seja, R$ 30 milhões. Um verdadeiro negócio da China, altamente vantajoso, que aconteceu durante a gestão do ex-governador e ex-ministro Rui Costa (PT). O senador e líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT), teria sido o articulador da empreitada.

Segundo documentos e investigações que vieram à tona após a deflagração da Operação Compliance Zero, o Credcesta aparece como um dos principais motores do crescimento do grupo empresarial ligado ao Banco Master. A operação passou a movimentar bilhões de reais e consolidou uma estrutura financeira que posteriormente se expandiu para outros estados e mercados.

No centro dessa engrenagem surge o nome do empresário Augusto Lima, apontado por investigadores como um dos principais articuladores do negócio na Bahia. Relatórios e apurações recentes indicam que o Credcesta foi fundamental para a construção do império financeiro que mais tarde se conectaria ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.

As investigações também apontam que o modelo de consignado implantado na Bahia se tornou uma das principais fontes de geração de receitas e ativos financeiros utilizados durante a expansão do grupo. A CPMI e a Polícia Federal passaram a analisar contratos, movimentações financeiras e a relação entre empresários e agentes políticos envolvidos no projeto.

Embora o Banco Master tenha origem formal no antigo Banco Máxima, adquirido e reformulado por Daniel Vorcaro entre 2018 e 2021, investigadores sustentam que a verdadeira alavanca para o crescimento acelerado do grupo surgiu com os negócios construídos em torno do Credcesta na Bahia. O que começou como um programa de crédito voltado para servidores públicos transformou-se em uma das principais linhas de investigação do Caso Master, considerado por autoridades como um dos maiores escândalos financeiros da história recente do Brasil. Fonte: Informebaino.