Por Informe baiano
Foto: divulgação
Muito antes do Banco Master ocupar as manchetes nacionais,
ser alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal e provocar um rombo
bilionário no sistema financeiro, uma peça estratégica para a expansão do grupo
começou a ganhar força na Bahia: o Credcesta. Criado para atender servidores
públicos estaduais, o cartão consignado se transformou em um dos negócios mais
lucrativos do mercado de crédito. O modelo permitia descontos diretamente na
folha de pagamento e rapidamente ganhou escala entre os funcionários públicos
baianos.
Conforme levantamento do Informe Baiano, o empresário
Augusto “Guga” Lima comprou o complexo da Cesta do Povo na Bahia, incluindo os
direitos de exploração do Credcesta, por R$ 15 milhões em um processo de
privatização. Dias depois, ele repassou 50% dos direitos do cartão para o Banco
Master pelo dobro do valor. Ou seja, R$ 30 milhões. Um verdadeiro negócio da
China, altamente vantajoso, que aconteceu durante a gestão do ex-governador e
ex-ministro Rui Costa (PT). O senador e líder do governo Lula, Jaques Wagner
(PT), teria sido o articulador da empreitada.
Segundo documentos e investigações que vieram à tona após a
deflagração da Operação Compliance Zero, o Credcesta aparece como um dos
principais motores do crescimento do grupo empresarial ligado ao Banco Master.
A operação passou a movimentar bilhões de reais e consolidou uma estrutura
financeira que posteriormente se expandiu para outros estados e mercados.
No centro dessa engrenagem surge o nome do empresário
Augusto Lima, apontado por investigadores como um dos principais articuladores
do negócio na Bahia. Relatórios e apurações recentes indicam que o Credcesta
foi fundamental para a construção do império financeiro que mais tarde se
conectaria ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.
As investigações também apontam que o modelo de consignado
implantado na Bahia se tornou uma das principais fontes de geração de receitas
e ativos financeiros utilizados durante a expansão do grupo. A CPMI e a Polícia
Federal passaram a analisar contratos, movimentações financeiras e a relação
entre empresários e agentes políticos envolvidos no projeto.
Embora o Banco Master tenha origem formal no antigo Banco Máxima, adquirido e reformulado por Daniel Vorcaro entre 2018 e 2021, investigadores sustentam que a verdadeira alavanca para o crescimento acelerado do grupo surgiu com os negócios construídos em torno do Credcesta na Bahia. O que começou como um programa de crédito voltado para servidores públicos transformou-se em uma das principais linhas de investigação do Caso Master, considerado por autoridades como um dos maiores escândalos financeiros da história recente do Brasil. Fonte: Informebaino.