Por SBT News
Lula ao lado de Jaques Wagner | Reprodução/Palácio do Planalto
As investigações da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que focaram no líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), provocaram uma mudança significativa na forma como o caso Banco Master é debatido nas redes sociais. Dados apresentados pela consultoria de monitoramento digital Palver, em parceria com o SBT News, indicam que as menções que associam o escândalo ao PT e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a dominar as discussões online desde que a divulgação das denúncias contra Wagner vieram à tona, na última quinta-feira (18/6).
Segundo Lucas
Cividanes, coordenador de Inteligência da Palver, um dos objetivos do
levantamento era medir se a repercussão das investigações seria afetada pela
disputa da Copa do Mundo, que tem dividido a atenção dos usuários nas
plataformas digitais. Apesar da concorrência com o noticiário esportivo, o caso
registrou um pico de engajamento no dia em que os novos desdobramentos
repercutiram nos principais meios de comunicação do país.
De
acordo com a análise, o enquadramento batizado de "PT-Master", que
relaciona o Banco Master ao PT e a lideranças governistas, alcançou 82,4% das
menções monitoradas naquele dia. A maioria das publicações tinha tom crítico ao
senador Jaques Wagner. Até então, o cenário era bastante diferente. Isso porque,
antes da 9ª fase da operação, o que predominava eram os fatos relacionados aos
áudios da conversa entre o pré-candidato do PL à Presidência, senador Flávio
Bolsonaro, com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e também as investigações
relacionadas ao senador Ciro Nogueira. De acordo com a Palver, cerca de 90% das
discussões sobre o Banco Master estavam concentradas no chamado
"BolsoMaster", como ficou conhecido o termo que associa o escândalo a
lideranças da direita e do campo bolsonarista.
Com
Jaques Wagner sendo alvo da Polícia Federal, a dinâmica mudou. Segundo
Cividanes, houve uma inversão quase completa das discussões, reduzindo a
vantagem que o PT possuía na disputa da narrativa sobre o caso. "Os
desdobramentos da nona fase certamente foram prejudiciais ao PT nesse momento,
equilibrando uma disputa que estava muito favorável para os petistas",
afirmou.
A
pesquisa também aponta que o volume de repercussão envolvendo Jaques Wagner
atingiu níveis semelhantes aos observados anteriormente nos episódios relacionados
a Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira. Para a consultoria, isso demonstra que o
caso passou a gerar desgaste político relevante para ambos os polos
ideológicos. Apesar da forte repercussão inicial, a atenção ao tema caiu nos
dias seguintes. Segundo o especialista, a realização da Copa do Mundo ajudou a
deslocar parte do interesse do público para o futebol. "O governo teve um
pouco de sorte porque a atenção acabou ficando mais voltada para a Copa do
Mundo", avaliou. Fonte: SBT News.