Por SBT News
O ministro da Justiça, Wellington César Lima, durante audiência na Comissão de Segurança Pública da Câmara | Renato Araújo/Câmara dos Deputados
O
ministro da Justiça, Wellington César Lima, afirmou nesta terça-feira (9/6) que o
governo federal pretende elevar 138 presídios brasileiros ao padrão de
segurança máxima como parte da estratégia de combate ao crime organizado. A
proposta foi apresentada durante audiência na Comissão de Segurança Pública da
Câmara dos Deputados. Segundo o ministro, as 138 unidades representam cerca de
10% dos aproximadamente 1.380 presídios existentes no país. A proposta prevê
adequá-las aos padrões do sistema penitenciário federal, com reforço
tecnológico e adoção de protocolos operacionais inspirados nas penitenciárias
federais.
Lima
também afirmou que a escolha das unidades foi feita a partir de levantamentos
da inteligência penitenciária federal em conjunto com os sistemas estaduais. O
objetivo foi identificar os presídios com maior potencial para neutralizar a atuação
de lideranças criminosas. Segundo ele, as 138 unidades concentram cerca de 18%
da população carcerária do país, mas abrigam aproximadamente 80% das lideranças
ligadas a cerca de 80 organizações criminosas monitoradas pelos órgãos de
inteligência. “Não teve outro critério. Não teve o critério do estado. Não teve
o critério de natureza política. [Foi] critério técnico. Quais são os presídios
que mais produziriam um efeito de neutralizar lideranças? São esses? Então os
138 estão listados”, disse.
Lima afirmou ainda ser necessário impedir a comunicação entre os líderes presos para interromper a transmissão de ordens e estratégias criminosas. Durante a audiência, o ministro prometeu ampliar as ações para localizar a entrada ilegal de celulares nos presídios. Ele também informou que o governo adquiriu, inicialmente, 15 equipamentos capazes de detectar aparelhos mesmo quando estão desligados ou escondidos em paredes e estruturas subterrâneas. “Não há possibilidade de um combate efetivo e sério ao crime organizado com esse tipo de situação, porque o presídio vira escritório do crime. Dali partem as ordens. A comunicação não cessa em nenhum minuto. As estratégias são definidas e redefinidas, de maneira que, como o primeiro ponto é fazer asfixia financeira, o segundo ponto tem que ser interditar a comunicação entre as lideranças das organizações criminosas”, disse. Fonte: SBT News.