Por SBT News
O
ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse nesta terça-feira (9/6)
que vai submeter uma resolução nas próximas duas semanas ao Conselho Nacional
de Política Energética (CNPE) para aumentar a proporção obrigatória de etanol
anidro na gasolina comum. A intenção é passar dos atuais 30% (E30) para 32%
(E32), com teto para elevar a até 35% (E35) em um futuro próximo, informação
que foi antecipada pela coluna de Eduardo Gayer. Para além da descarbonização
da matriz, o governo busca reduzir o volume de importação de gasolina como
forma de evitar que a guerra no Oriente Médio afete os preços dos combustíveis
no mercado interno. As declarações foram feitas após reunião de Silveira com o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no início da tarde. Também estiverem
presentes o vice-presidente Geraldo Alckmin, a equipe econômica e
representantes do setor de etanol.
O
Conselho Nacional de Política Energética é o principal órgão do governo de
assessoramento da Presidência da República para diretrizes do setor energético.
É presidido pelo ministro de Minas e Energia e reúne representantes de diversos
outros ministérios para tratar de temas de segurança energética,
desenvolvimento econômico e interesse nacional. Os encontros do CNPE têm sido
adiados sucessivamente neste ano por efeitos do conflito no Oriente Médio,
iniciado no fim de fevereiro. As datas já passaram de março para maio, e agora
de maio para junho. Em abril, Silveira já havia dito que o objetivo de médio
prazo do governo é alcançar a autossuficiência no mercado interno de gasolina,
deixando de depender de fornecedores. O cálculo do ministério é que o acréscimo
do etanol anidro reduza em até 500 milhões de litros mensais o volume de
gasolina importada, o que daria ao Brasil pela primeira vez na história a
condição de autossuficiência.
Evandro
Gussi, presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia),
estimou que a atual proporção de etanol acrescentado à gasolina contribuiu para
que o país economizasse R$ 8 bilhões em importações e que o consumidor deixasse
de gastar R$ 2 bilhões nas bombas desde o estouro do conflito no Irã. Gussi
destacou que, hoje, o litro do etanol está em média R$ 2,40 mais barato que o
da gasolina. “Nós estamos aqui muito animados com essa consciência de que o
Brasil pode reduzir esse consumo de gasolina importa, que o consumidor pode
economizar no seu abastecimento, garantindo mais sustentabilidade e segurança
energética para o país", afirmou. Fonte: SBT News