Por Voz da Bahia
Foto: Divulgação
Um
relatório elaborado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos
Políticos concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek pode ter sido
assassinado durante a ditadura militar brasileira, contrariando a versão
oficial que aponta morte em um acidente automobilístico ocorrido em 1976. Segundo
a investigação, JK teria sido vítima de uma ação criminosa e não apenas de uma
colisão na rodovia Via Dutra, no trecho próximo a Resende, em 22 de agosto de
1976. Na época, o ex-presidente viajava em um Chevrolet Opala conduzido pelo
motorista Geraldo Ribeiro. A versão oficial afirma que o veículo se envolveu em
uma batida leve com um ônibus, perdeu o controle, invadiu a pista contrária e
bateu de frente com um caminhão. JK e o motorista morreram no local.
O
relatório foi elaborado pela relatora Maria Cecília Adão, mas os detalhes da
nova análise ainda não foram divulgados oficialmente. De acordo com o
Ministério dos Direitos Humanos, o documento segue em avaliação pelos membros
da comissão e ainda não passou por votação definitiva. A investigação foi
reaberta após pedido apresentado por Gilberto Natalini, ex-presidente da
Comissão da Verdade Municipal de São Paulo, e pelo jornalista Ivo Patarra. O
caso voltou a ser discutido pela comissão após sua reinstalação em 2024. Segundo
nota divulgada pela comissão, o relatório reúne documentos já públicos e outros
elementos produzidos durante as novas apurações. O órgão informou ainda que os
familiares de JK serão comunicados antes da votação final sobre o reconhecimento
oficial do caso.
Durante
a ditadura militar, JK foi considerado perseguido político do regime. O então
presidente Humberto de Alencar Castelo Branco cassou seus direitos políticos
por cerca de dez anos após o golpe militar de 1964. Naquele período, Juscelino
era visto como favorito para disputar novamente a Presidência da República. A
Comissão Nacional da Verdade, em 2014, manteve a tese de acidente
automobilístico, mas outras entidades e pesquisadores continuaram questionando
as circunstâncias da morte do ex-presidente. Fonte: Voz da Bahia.