sexta-feira, 8 de maio de 2026

RELATÓRIO APONTA QUE MORTE DE JK PODE TER SIDO ASSASSINADO DURANTE DITADURA MILITAR

Por Voz da Bahia

Foto: Divulgação

Um relatório elaborado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek pode ter sido assassinado durante a ditadura militar brasileira, contrariando a versão oficial que aponta morte em um acidente automobilístico ocorrido em 1976. Segundo a investigação, JK teria sido vítima de uma ação criminosa e não apenas de uma colisão na rodovia Via Dutra, no trecho próximo a Resende, em 22 de agosto de 1976. Na época, o ex-presidente viajava em um Chevrolet Opala conduzido pelo motorista Geraldo Ribeiro. A versão oficial afirma que o veículo se envolveu em uma batida leve com um ônibus, perdeu o controle, invadiu a pista contrária e bateu de frente com um caminhão. JK e o motorista morreram no local.

O relatório foi elaborado pela relatora Maria Cecília Adão, mas os detalhes da nova análise ainda não foram divulgados oficialmente. De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos, o documento segue em avaliação pelos membros da comissão e ainda não passou por votação definitiva. A investigação foi reaberta após pedido apresentado por Gilberto Natalini, ex-presidente da Comissão da Verdade Municipal de São Paulo, e pelo jornalista Ivo Patarra. O caso voltou a ser discutido pela comissão após sua reinstalação em 2024. Segundo nota divulgada pela comissão, o relatório reúne documentos já públicos e outros elementos produzidos durante as novas apurações. O órgão informou ainda que os familiares de JK serão comunicados antes da votação final sobre o reconhecimento oficial do caso.

Durante a ditadura militar, JK foi considerado perseguido político do regime. O então presidente Humberto de Alencar Castelo Branco cassou seus direitos políticos por cerca de dez anos após o golpe militar de 1964. Naquele período, Juscelino era visto como favorito para disputar novamente a Presidência da República. A Comissão Nacional da Verdade, em 2014, manteve a tese de acidente automobilístico, mas outras entidades e pesquisadores continuaram questionando as circunstâncias da morte do ex-presidente. Fonte: Voz da Bahia.