Por Bahia Notícias
Foto: Ricardo Stuckert / PR
O
presidente Lula deixou de participar, na última segunda-feira (4/5), de jantar de adesão
oferecido pelo Partido dos Trabaladores, apesar de a data ter sido definida para acomodar a agenda do
Palácio do Planalto. A justificativa apresentada foi a de que, devido a uma
recente cirurgia na cabeça, o petista deveria evitar situações em que pudesse
suar em excesso. Mas a ausência foi apontada por aliados como a expressão
pública das críticas reservadas que Lula tem feito ao partido que ajudou a
fundar. Essa foi a segunda vez que Lula faltou a um evento do partido em menos
de duas semanas. No dia 26 de abril, o presidente tampouco participou do
encerramento do congresso petista. Enviou apenas uma mensagem de vídeo.
"Nós
temos que mostrar com muita clareza, mas uma proposta séria, que seja coisa
factível, que a gente possa executar. Porque senão a gente fica prometendo e o
cara pergunta 'pô, por que vocês não fizeram?'", disse na gravação. Na
noite de segunda, Lula não foi o único ausente. Apenas três ministros do
governo prestigiaram a confraternização do PT. Em suas conversas, o presidente
repete que os petistas têm que fazer a sua parte para uma eleição dura. Ainda
segundo relatos, Lula se queixa de falta de combatividade do partido, cada vez
mais concentrado em discussões como cota de candidatos no fundo partidário.
Lula
se ressente de uma ação mais enérgica dos petistas nas redes e nas ruas. Ele
chegou a cobrar detalhes da estratégia de comunicação montada pelo PT. Esse
mal-estar traduz um acúmulo de dissabores do presidente com integrantes da
direção partidária. No ano passado, Lula chegou a ser desafiado por uma ala
contrária à eleição do atual presidente do partido Edinho Silva. Em março do
ano passado, o presidente foi alertado para o risco de derrota de Edinho na
eleição partidária.
Embora
tenha em Edinho uma pessoa de sua confiança, e apesar da escolha de um
secretário de comunicação, Éden Valadares, alinhado com o ministro Sidônio
Palmeira (Secom), Lula não mantém relação com todos os integrantes da chamada
máquina partidária. Para o congresso partidário, Lula acompanhou de perto a
redação do manifesto da sigla. Ele chegou a sugerir a exclusão de propostas
controversas, como reformas do sistema financeiro. Sob orientação do
presidente, a cúpula do PT decidiu retirar da pauta do encontro do partido
temas polêmicos que poderiam ampliar o desgaste às vésperas da campanha. Mas,
além do manifesto, foram elaborados dois outros textos, o que também contrariou
Lula defensor da ideia de divulgação apenas de uma redação.
Nenhum
dos documentos foi publicado até agora. Em suas conversas, Lula também reclama
de uma falta de combatividade das lideranças do governo e do PT no Congresso.
Segundo interlocutores, Lula afirma que o perfil dos petistas que ocupam esses
postos é muito brando para a disputa eleitoral que se avizinha. Nesse sentido,
não está descartada a substituição de líderes do governo no Congresso,
especialmente após a rejeição no Senado da indicação do chefe da AGU
(Advocacia-Geral da União), Jorge Messias, para ocupar vaga no STF (Supremo
Tribunal Federal). Bahia Notícias.