domingo, 26 de abril de 2026

ENTENDA O CASO LUCAS TERRA: ADOLESCENTE FOI MORTO EM SALVADOR E ACUSADOS SÃO JULGADOS 22 ANOS APÓS O CRIME

Por g1Bahia

Lucas Terra tinha 14 anos quando foi queimado vivo — Foto: Reprodução/TV Bahia

Em 2001, o homicídio do adolescente Lucas Vargas Terra chocou a Bahia. O menino de 14 anos foi queimado vivo e o corpo dele foi encontrado em um terreno baldio de Salvador. Os acusados de cometer o crime são três pastores da igreja que o menino frequentava. Após 22 anos de espera, o júri popular foi iniciado na terça-feira (25) na capital baiana. Durante os quatro dias de julgamento, 15 testemunhas de defesa e acusação serão ouvidas. Ao final, as duas mulheres e cinco homens que compõem o júri decidirão pela condenação ou pela absolvição dos réus. O g1 listou as principais informações sobre os pastores acusados, a motivação do crime e os trâmites para que o julgamento fosse realizado.

QUEM SÃO OS ACUSADOS?

Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva, respectivamente — Foto: Reprodução/TV Bahia

Três pastores foram acusados de matar o adolescente: Silvio Galiza, Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva. Galiza foi o primeiro apontado como suspeito e foi julgado e condenado em 2004, cerca de três anos e três meses após o crime. Em 2006, Galiza denunciou os pastores Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva por envolvimento no crime. Os pastores esperaram o julgamento em liberdade e continuaram a frente de igrejas no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. O julgamento dois acontece em 2023, mais de duas décadas após o assassinato de Lucas Terra.

OS PASTORES SÃO ACUSADOS POR QUAIS CRIMES?

Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva são acusados pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. Os três agravantes para o homicídio são: o motivo torpe, o emprego do meio cruel e a impossibilidade de defesa da vítima.

COMO LUCAS FOI MORTO?

Jornal de 2001 — Foto: Arquivo pessoal

Os laudos da polícia apontam que Lucas  VargasTerra foi queimado vivo, após ter sido colocado dentro de uma caixa de madeira. Também há denúncias de que o adolescente foi estuprado antes de ser assassinado, mas na época o Departamento de Polícia Técnica (DPT) não constatou o estupro nos exames de necropsia. No primeiro dia do julgamento, na terça-feira (24), um dos advogados da família de Lucas Terra, Ricardo Sampaio, disse à TV Bahia que a acusação tem provas de que o estupro foi cometido e vai apresentá-las para o júri.

QUAL FOI A MOTIVAÇÃO DO CRIME?

Também em 2006, em depoimento à polícia, Galiza contou que Lucas foi morto porque flagrou os pastores Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva tendo relações sexuais dentro de um templo da Igreja Universal do Reino de Deus.

QUAL FOI A ÚLTIMA VEZ QUE LUCAS FOI VISTO?

Livro escrito pelo pai de Lucas Terra — Foto: Blog Centro Lucas Terra

No livro "Lucas Terra - Traído pela Obediência" , escrito por Carlos Terra, pai da vítima, é relatado que o menino saiu para um culto noturno. Por volta das 23h, ele ligou para casa e avisou ao pai que estava com o pastor Silvio Galiza. Essa foi a última informação que Carlos Terra disse ter recebido e, depois disso, o adolescente não retornou para casa.

COMO O CORPO FOI ENCONTRADO?

Após o desaparecimento, a família de Lucas iniciou as buscas juntamente com a polícia. O corpo foi achado dois dias depois do desaparecimento, em 23 de março de 2001, em um terreno baldio na Avenida Vasco da Gama, em Salvador. Por ter sido queimado vivo, o corpo de Lucas estava carbonizado quando encontrado.

POR QUE O JULGAMENTO DEMOROU TANTOS ANOS?

 O julgamento dos pastores Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva demorou cerca de 16 anos, levando em conta o ano da denúncia feita por Silvio Galiza. Ao longo desse período, houve muitas movimentações acerca do caso na Justiça. Em 2013, os pastores Joel e Fernando foram inocentados pela Justiça e a família de Lucas recorreu da decisão.

Em setembro de 2015 os desembargadores do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) decidiram, por unanimidade, que os religiosos fossem à júri popular e a decisão foi confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Lucas Terra — Foto: Reprodução/TV Bahia

Porém, em 2018 o ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, anulou, por falta de provas, o processo que envolve a participação do bispo Fernando Aparecido da Silva na morte do adolescente. Foi apenas em 2020 que a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu que os dois pastores acusados, Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva, deveriam ir a júri popular.

O QUE OS ACUSADOS DIZEM?

Em nota, a defesa dos pastores disse que está convicta da inocência deles e que não há provas ou indícios contra Joel Miranda e Fernando Aparecido. Fonte:gBahia