Por SBT News
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O
decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, disse em
entrevista ao SBT News nesta última quinta-feira (30/4) que a derrota de Jorge
Messias na votação realizada ontem no Senado é sintoma de um problema mais
profundo na relação entre o governo Lula (PT) e o Congresso Nacional, e não
propriamente com o Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro blindou o STF de
responsabilidade pelo resultado. Como mostrou o SBT News, aliados de Messias
atribuíram aos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino a perda de alguns
votos que sacramentaram o resultado.
O
decano, porém, disse achar esse tipo de movimentação sem lógica. "A
vitória tem muitos pais e a derrota normalmente não têm pais ou responsáveis. E
aí então se busca quem possa assumir essa paternidade. Estou longe de poder
acreditar que um ministro do Supremo interferiu para a rejeição de Jorge
Messias. Não faz o menor sentido", afirmou.
Para
Gilmar, os sinais que precederam a sessão como a resistência do presidente do
Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em aceitar a indicação de Messias -
apontaram para uma disfuncionalidade nas prerrogativas congressuais em uma
tentativa de interferir em uma indicação que cabe ao presidente da República. "Portanto,
é mais do que um sinal de alerta, é um chafariz, um refletor que diz: se a
gente está aqui, a gente não está bem. É preciso que se faça essa revisão e que
cada qual assuma sua responsabilidade nesse grande latifúndio", afirmou. Gilmar
voltou a tecer elogios a Messias e lamentar pelo resultado negativo, inédito na
história moderna do país.
Considero
o Jorge Messias uma pessoa extremamente qualificada. Esteve aqui todos esses
anos atuando como AGU e atuando bem na defesa de causas importantes, inclusive
nos processos ligados a atos antidemocráticos. Mas é uma decisão soberana do
Senado Federal [...] e infelizmente ele não atingiu o quórum para aprovação".
Questionado sobre como fica a situação da Corte com um ministro a menos, o
decano ponderou os riscos de impasses em votações que terminem empatadas em 5 a
5, mas destacou que o Supremo tem "capacidade, resiliência e
habilidade" para lidar com a crise e que confia no "tino" do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva para indicar um novo nome no futuro. Fonte:
SBT News.