Por Metro1
F Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Após
manobras, embates e polêmicas, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do
Crime Organizado rejeitou na noite desta última terça-feira (14/4) o parecer
final apresentado pelo relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), cujo teor
pedia o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias
Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes e do procurador-geral da
República (PGR), Paulo Gonet. O placar final ficou em 6x4 contra o relatório de
Vieira. Pelas regras do Parlamento, o pedido de indiciamento, caso fosse
aprovado pela maioria da CPI, abriria espaço para uma eventual abertura de
processo de impeachment contra as quatro autoridades incluídas pelo relator. O
resultado reflete a manobra articulada poucas horas antes da votação, com as
bênçãos do Palácio do Planalto e do presidente do Senador, Davi Alcolumbre
(União Brasil-AP), para conseguir maioria capaz de rejeitar o parecer. Em suma,
a costura alterou a composição da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e
garantiu número suficiente para derrubar a proposta de Vieira.
No
total, três dos 11 membros titulares da comissão foram trocados. Assim, os
senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES) foram substituídos
por Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE). Em movimento simultâneo, a
senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), que era suplente, foi designada como membro
titular. Além de Beto Faro e Teresa Leitão, votaram contra o relatório os
senadores Rogério Carvalho (PT-SE), Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa
(PT-PE) e Soraya Thronicke. No parecer, Vieira apontava indícios de crimes de
responsabilidade por parte do procurador-geral e dos ministros do Supremo Tribunal
Federal.
No lado oposto, votaram a favor do indiciamento, além de Vieira, os senadores Eduardo Girão (Novo-CE), Magno Malta (PL-ES) e Esperidião Amin (PP-SC). O presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), não se posicionou. Pelo regimento da Casa, presidentes de colegiados só podem votar em caso de empate. Para Vieira, os três ministros do STF deveriam ter se declarados suspeitos de julgar o caso do Banco Master por supostas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso sob a acusação de crimes contra o sistema financeiro e fraudes. Já o chefe da PGR, pela tese do relator, teria sido omisso em relação às investigações sobre o Banco Master. O pedido de Vieira foi duramente criticado por Toffoli, Gilmar e Moraes, além de dois outros ministros do STF não citados pelo senador: Flávio Dino e André Mendonça, atual relator do caso no Supremo. Fonte: Metro1.