Por Aratu On
Caso Mãe Bernadete: Anistia Internacional cobra respostas sobre o crime.Foto: Reprodução
O
julgamento dos acusados pela morte de Mãe Bernadete chega ao seu segundo dia
nesta terça-feira (14), no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. O processo ocorre
sob pressão da Anistia Internacional, que exige respostas efetivas sobre o
crime ocorrido em 2023, em Simões Filho na Região Metropolitana de Salvador
(RMS). A sessão, iniciada às 8h, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, foca no
banco dos réus Marcílio dos Santos, apontado como mandante, e Arielson da
Conceição Santos, acusado de ser um dos executores.
A
organização Anistia Internacional acompanha o caso e cobra celeridade no
andamento do processo, além de uma resposta firme das autoridades diante da
gravidade do crime. A entidade destacou a importância do julgamento não apenas
para a responsabilização dos acusados, mas também para a garantia de direitos
das comunidades quilombolas em todo o país. “Justiça por Mãe Bernadete é
justiça para comunidades quilombolas em todo o país. Após anos de ameaças
denunciadas e ignoradas, a resposta precisa estar à altura da gravidade do
crime”, afirmou a organização.
O
QUE DIZ A FAMILÍA DE MÃE BERNADETE
A
família da líder quilombola Mãe Bernadete protestou contra os acusados de
assassinar a ialorixá, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador
(RMS). Ao Aratu On, o neto da quilombola, Wellington Pacífico, afirmou que a
defesa dos acusados tentou retirar a culpa do mandante do homicídio. Segundo
ele, houve contradição entre os advogados e o depoimento de Arielson, que
assumiu o assassinato, mas disse que não houve intenção de matar. “A todo
momento, a defesa queria tirar a culpa do chefe de Marílio, queriam
inocentá-lo. Já o Arielson, que estava hoje no julgamento, teve um depoimento
contraditório, pois assumiu que matou, mas disse que queria apenas dar um
susto”, afirmou.
Wellington
também questionou o fato de o acusado ter efetuado 25 disparos contra Mãe
Bernadete, apesar de alegar que não havia intenção de matá-la. “Engraçado que
ele disse que não era para matar e deu 25 tiros. Imagina se fosse para
assassinar? Espero que amanhã se cumpra e se faça justiça. Pelo que vi hoje,
eles vão ser condenados, mas prefiro aguardar”, declarou
REELEMBRE O CASO
Mãe Bernadete foi morta em 2023 em Simões Filho. Foto: Reprodução
Mãe
Bernadete foi vítima de homicídio em 17 de agosto de 2023, na sede da
associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região
Metropolitana de Salvador. No momento do crime, três netos da vítima de 12, 13 e 18 anos estavam no imóvel. Na época, Mãe Bernadete
estava sob proteção da Polícia Militar, por meio da Secretaria de Justiça e
Direitos Humanos (SJDH), havia pelo menos dois anos, em razão de ameaças
recorrentes. Segundo a defesa da família, os riscos enfrentados pela liderança
eram de conhecimento das autoridades. O assassinato da líder quilombola e
ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira teria tido como mandante Marílio dos
Santos, investigado e apontado pelo MP-BA como liderança do tráfico de drogas
na região. Já Arielson da Conceição Santos foi identificado como um dos
executores. Ambos respondem por homicídio qualificado.
Conforme
a denúncia, o crime teria sido praticado por motivo torpe, com uso de meio
cruel, mediante recurso que impossibilitou ou dificultou a defesa da vítima e
com emprego de arma de fogo de uso restrito. Além disso, Arielson também foi
denunciado por roubo. Fonte: Aratu On