quarta-feira, 25 de março de 2026

RUI COSTA FALA SOBRE VORCARO E APONTA EMPATE TÉCNICO NA BAHIA

Por Tribuna da Bahia

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), afirmou que não há qualquer possibilidade de ser citado em uma eventual delação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ontem, terça-feira (24/3), em entrevista à Record News, o petista, que deve deixar o cargo até o fim do mês para disputar uma vaga no Senado pela Bahia, também responsabilizou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, pela autorização de funcionamento da instituição financeira.

“Primeiro que não há hipótese disso [de ser citado na delação]. Eu só estive com Vorcaro uma única vez. Se passasse na minha frente, eu não saberia quem era. No dia que ele teve a audiência, eu fui chamado a participar lá no Palácio [do Planalto]. Foi a única vez que eu o conheci, nunca tinha falado com ele, não sabia se era alto, se era baixo, se era gordo ou se era magro. Então eu não tenho nenhuma hipótese de isso acontecer”, disse Rui, ao ser questionado sobre possíveis impactos na sua pré-candidatura ao Senado.

Durante a entrevista, o ministro do governo Lula também direcionou críticas ao ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia pelo União Brasil, ACM Neto. “[A delação] vai ter impacto para aqueles, eventualmente ... Saiu agora o contrato que foi transferido para a conta de pessoa física do ex-prefeito de Salvador. Ele disse que prestava o serviço dele”, afirmou Rui, ao reforçar que não possui qualquer vínculo com Vorcaro. “Nem eu, nem os meus parentes, não tenho ninguém no contrato. Não recebi nada, não estou em contrato nenhum”, emendou.

O petista ainda adotou cautela ao comentar o caso, mas indicou que a delação pode trazer repercussões para outras figuras públicas. “Não gosto dessa postura leviana de ficar acusando ninguém. Mas eu estou em absoluta tranquilidade de dizer que essa eventual delação vai causar suspense em quem fez alguma coisa com ele ou falava com ele”, declarou, mencionando ainda relatos divulgados pela imprensa sobre eventos promovidos pelo banqueiro.

Ele rebateu críticas sobre mudanças nas regras de crédito consignado e a venda de ativos estaduais, afirmando que a participação do empresário Augusto Lima se deu exclusivamente na articulação de investidores para a compra de um ativo estatal deficitário. Segundo o ex-governador da Bahia, o governo estadual realizou leilões para vender um supermercado público com mais de R$ 1 bilhão em prejuízos acumulados. “Ele articulou investidores espanhóis para participar do leilão e comprou”, disse o ministro, referindo-se a Lima. “Não tenho nada a ver com isso”, acrescentou.

A saída de Rui Costa da Casa Civil, prevista para 30 de março, abre uma lacuna estratégica no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Considerado um dos principais articuladores do Palácio do Planalto, ele teve papel central na retomada de obras e na mediação de conflitos entre ministérios. Questionado sobre um possível desgaste do grupo governista após décadas no poder e o fortalecimento da oposição, o ministro Rui Costa também negou a tese de enfraquecimento:

“Agora, o cenário é de empate técnico nas pesquisas e eles perderam muito apoio no interior. Além disso, há o desgaste da gestão deles na capital, que já dura 16 anos. Salvador tem a pior educação infantil e a pior oferta de creches entre todas as capitais do Brasil. Em 2026, vamos comparar os resultados de 16 anos deles na prefeitura com os nossos no governo do Estado”. Fonte Tribuna da Bahia.