Por Tribuna da Bahia
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O
ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), afirmou que não há qualquer
possibilidade de ser citado em uma eventual delação de Daniel Vorcaro, dono do
Banco Master. Ontem, terça-feira (24/3), em entrevista à Record News, o petista, que deve
deixar o cargo até o fim do mês para disputar uma vaga no Senado pela Bahia,
também responsabilizou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o
ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, pela autorização de
funcionamento da instituição financeira.
“Primeiro
que não há hipótese disso [de ser citado na delação]. Eu só estive com Vorcaro
uma única vez. Se passasse na minha frente, eu não saberia quem era. No dia que
ele teve a audiência, eu fui chamado a participar lá no Palácio [do Planalto].
Foi a única vez que eu o conheci, nunca tinha falado com ele, não sabia se era
alto, se era baixo, se era gordo ou se era magro. Então eu não tenho nenhuma
hipótese de isso acontecer”, disse Rui, ao ser questionado sobre possíveis
impactos na sua pré-candidatura ao Senado.
Durante
a entrevista, o ministro do governo Lula também direcionou críticas ao
ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia pelo União Brasil,
ACM Neto. “[A delação] vai ter impacto para aqueles, eventualmente ... Saiu
agora o contrato que foi transferido para a conta de pessoa física do
ex-prefeito de Salvador. Ele disse que prestava o serviço dele”, afirmou Rui,
ao reforçar que não possui qualquer vínculo com Vorcaro. “Nem eu, nem os meus
parentes, não tenho ninguém no contrato. Não recebi nada, não estou em contrato
nenhum”, emendou.
O
petista ainda adotou cautela ao comentar o caso, mas indicou que a delação pode
trazer repercussões para outras figuras públicas. “Não gosto dessa postura
leviana de ficar acusando ninguém. Mas eu estou em absoluta tranquilidade de
dizer que essa eventual delação vai causar suspense em quem fez alguma coisa
com ele ou falava com ele”, declarou, mencionando ainda relatos divulgados pela
imprensa sobre eventos promovidos pelo banqueiro.
Ele
rebateu críticas sobre mudanças nas regras de crédito consignado e a venda de
ativos estaduais, afirmando que a participação do empresário Augusto Lima se
deu exclusivamente na articulação de investidores para a compra de um ativo
estatal deficitário. Segundo o ex-governador da Bahia, o governo estadual
realizou leilões para vender um supermercado público com mais de R$ 1 bilhão em
prejuízos acumulados. “Ele articulou investidores espanhóis para participar do
leilão e comprou”, disse o ministro, referindo-se a Lima. “Não tenho nada a ver
com isso”, acrescentou.
A
saída de Rui Costa da Casa Civil, prevista para 30 de março, abre uma lacuna
estratégica no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Considerado um dos principais articuladores do Palácio do Planalto, ele teve
papel central na retomada de obras e na mediação de conflitos entre
ministérios. Questionado sobre um possível desgaste do grupo governista após
décadas no poder e o fortalecimento da oposição, o ministro Rui Costa também negou
a tese de enfraquecimento:
“Agora,
o cenário é de empate técnico nas pesquisas e eles perderam muito apoio no
interior. Além disso, há o desgaste da gestão deles na capital, que já dura 16
anos. Salvador tem a pior educação infantil e a pior oferta de creches entre
todas as capitais do Brasil. Em 2026, vamos comparar os resultados de 16 anos
deles na prefeitura com os nossos no governo do Estado”. Fonte Tribuna da Bahia.