sexta-feira, 20 de março de 2026

GILMAR MENDES VOTA PARA MANTER PRISÃO DE VORCARO E STF FORMA UNANIMIDADE

Por Aratu On

Gilmar Mendes, ministro do Supremo | Divulgação/Gustavo Moreno/STF

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (20) para manter a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro. Ele foi o último magistrado da Segunda Turma a se manifestar e seu voto consolidou a unanimidade no julgamento. O ministro, no entanto, apresentou ressalvas. Em um voto de 42 páginas, Gilmar fez uma série de críticas à forma como a decisão foi fundamentada e à condução da investigação.

Para ele, embora haja elementos que justificam a manutenção das prisões, a decisão recorreu a argumentos genéricos, como a necessidade de “restabelecer a confiança nas instituições” ou garantir a “pacificação social”, que não podem, por si só, sustentar a retirada da liberdade de alguém. Segundo o ministro, esse tipo de justificativa é abstrata e pode ser usada em qualquer caso, o que contraria a exigência legal de explicar, de forma concreta, por que a prisão é necessária em cada situação.

Nesse ponto, ele destacou que a prisão preventiva só se sustenta quando há razões objetivas, como o risco de interferência nas investigações. No caso, apontou que os indícios de acesso indevido a dados sigilosos já seriam suficientes para justificar a medida, sem necessidade de recorrer a argumentos amplos ou de caráter simbólico.

Outro eixo central das ressalvas foi o que classificou como “publicidade opressiva”. Gilmar Mendes afirmou que o caso tem sido marcado por vazamentos seletivos de informações sigilosas, que acabam promovendo um julgamento antecipado dos investigados. Ele alertou que esse tipo de exposição compromete o direito de defesa e pode influenciar indevidamente o andamento do processo. O ministro comparou esse cenário ao que ocorreu na Operação Lava Jato, criticando práticas como o uso excessivo da mídia e o que classificou como “messianismo punitivista”.

Em relação às medidas adotadas contra os investigados, Gilmar Mendes também criticou a transferência de Daniel Vorcaro para o sistema penitenciário federal de segurança máxima. Para o ministro, a decisão foi desproporcional e careceu de justificativa concreta. Ele argumentou que alegações genéricas, como suposta influência política, não atendem aos critérios legais exigidos para esse tipo de regime mais rigoroso, que deve ser reservado a situações excepcionais.

JULGAMENTO

A análise no plenário virtual começou na última sexta-feira (13/3) e o Supremo já havia formado maioria para manter o dono do banco Master na prisão, além das medidas cautelares impostas a ele e outros investigados na operação Compliance Zero da Polícia Federal. Além de Gilmar, acompanharam o relator do caso Master no STF, André Mendonça, os ministros Luiz Fuz e Kassio Nunes Marques. O quinto magistrado da Segunda Turma, Dias Toffoli, declarou suspeição para votar. Ele é ex-relator do caso no Supremo.

COMPLIANCE ZERO

Vorcaro foi preso em 4 de março em São Paulo, na terceira fase da força-tarefa Compliance Zero, que investiga suspeita de fraudes bilionárias do Master. Transferido no dia 6 para a Penitenciária Federal de Brasília, o banqueiro foi encaminhado nessa quinta (19) à Superintendência da PF na capital federal, em meio a negociações por um acordo de delação premiada. A operação também prendeu Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado. Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário", morreu em 6 de março. Fonte: Aratu On