Por SBT News
Ronaldo Caiado é pré-candidato a presidente pelo PSD | Reprodução/YouTube
Segundo
Caiado, seu primeiro ato como presidente, caso venha a ser eleito, será
decretar uma anistia "ampla, geral e irrestrita" para os condenados
por tentativa de golpe de Estado, incluindo para o ex-presidente Jair Bolsonaro
(PL), que cumpre pena de 27 anos e 3 meses por decisão da Primeira Turma do
Supremo Tribunal Federal. A medida precisaria de aval do Congresso. "A
polarização é sustentada por um projeto político por aqueles que se beneficiam
dela. Pode ser desativada? Sim, pode. Por alguém que não é ali parte dela. E é
o que pretendo fazer chegando à Presidência. Meu primeiro ato vai ser
exatamente uma anistia ampla, geral e irrestrita [...] ao anistiar todos,
inclusive o ex-presidente [Jair Bolsonaro] estarei dando uma amostra que a
partir dali, eu vou cuidar das pessoas", afirmou.
Caiado
focou seu discurso em criticar os rumos do país sob o comando do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e mostrar resultados de seu governo em Goiás em
temas-chave como segurança, agronegócio, minerais críticos e inteligência
artificial. Ele evitou críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sugeriu
que o esforço da direita nesta eleição será neutralizar definitivamente as
chances de o PT ser viável à Presidência novamente. "O PT teve cinco
eleições no país depois do regime militar. No entanto, nós ganhamos uma eleição
[com Jair Bolsonaro, em 2018]. Depois ele [PT] voltou. É importante que todos
entendam que o desafio não é ganhar a eleição do PT apenas, isso daí é fácil.
Sem dúvida nenhuma no segundo turno ele estará batido. O difícil é governar
para que o PT não seja mais opção no país", afirmou.
A
única referência a Flávio foi feita de maneira discreta, quando o agora
pré-candidato sugeriu que, assim como hoje avalia ter sido precoce a sua
candidatura a presidente em 1989, o mesmo ocorre agora com o senador, que nunca
ocupou cargos do Executivo. "Ganhar não é a maior dificuldade, nós vamos
ganhar. Agora, vai saber governar ou vai querer aprender a governar na
cadeira?", questionou.
Ele
também sinalizou a intenção de intensificar o combate ao crime organizado em um
momento em que o governo Lula tenta evitar que grupos como o PCC e o Comando
Vermelho sejam taxados como terroristas pelos EUA e abram brecha para
intervenções estrangeiras. Para Caiado, inexiste no Brasil o conceito de
"Estado Democrático de Direito" dada a expansão dessas organizações
criminosas. "Isso não existe hoje. É uma falácia. Não existe Estado
Democrático de Direito em um país onde o narcotráfico tem sob sua tutela quase
60 milhões de brasileiros e comanda grande parte do território", avaliou.
Ele
aposta na alta aprovação entre o eleitorado goiano, na formação como médico
cirurgião e na carreira política – além de governador, também foi cinco vezes
deputado federal e uma vez senador pelo estado – para se cacifar como um
político da direita moderada que acredita na "ciência, pesquisa e avanço
tecnológico” e que pode liderar a terceira via e a oposição ao governo Lula.
“Ninguém atinge 88% [de aprovação] sendo radical”, disse. Em sua avaliação, a
sua pré-candidatura começará a ser impulsionada com debates, proporcionando ao
eleitor a opção de romper com as "bolhas" formadas nos polos lulista
e bolsonarista. "Até porque bolha foi feita para ser rompida mesmo",
brincou.
Caiado
vai renunciar ao comando do Palácio das Esmeraldas na terça (31) para dar
início aos esforços de campanha. O vice-governador Daniel Vilela (MDB) assumirá
o cargo.O goiano venceu a disputa interna contra os governadores do Paraná,
Ratinho Jr., e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Ratinho era tido como
favorito à vaga, mas anunciou que não iria concorrer na última semana para
encaminhar o nome que o sucederá ao governo. A cadeira passou a ser ameaçada
pelo senador Sergio Moro, que trocou o União Brasil pelo PL de Flávio e lidera
as pesquisas sob possíveis nomes da situação.
Já
Leite disse que a decisão da cúpula do PSD e do presidente Gilberto Kassab
"tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto
limita" o país.Fonte: SBNews.