Por Tribuna da Bahia
Foto: Reprodução / Redes Sociais
A
turista gaúcha presa em flagrante por injúria racial após cuspir e agredir
verbalmente uma atendente negra em um bar no Pelourinho, em Salvador, foi
colocada em liberdade após audiência de custódia realizada nesta sexta-feira
(23/1). O caso ocorreu na última última quarta-feira (21/2). Identificada como Gisele
Madrid Spencer César, a mulher foi acusada pela vítima, a funcionária do bar
Hanna Rodrigues dos Santos Lopes, de tê-la chamado de “lixo” e de ter desferido
uma cusparada que atingiu o pescoço da atendente. Na decisão à qual o CORREIO
teve acesso, o juiz Maurício Albagli Oliveira, da 2ª Vara de Garantias de
Salvador, concedeu liberdade provisória, conforme pedido do Ministério Público
da Bahia, que não solicitou a prisão preventiva. O magistrado destacou que tanto
a autoridade policial quanto o MP-BA optaram por medidas alternativas à prisão,
incluindo o encaminhamento da turista para cursos de educação racial.
Entre as medidas cautelares impostas estão a proibição de manter contato com a vítima e testemunhas, com distância mínima de 300 metros; a restrição de frequentar a Praça das Artes, no Pelourinho, pelo período de 12 meses; a obrigação de comparecer bimestralmente, de forma virtual, ao tribunal para justificar suas atividades por um ano; além da proibição de se ausentar de Porto Alegre, sua cidade de origem, por mais de dez dias sem autorização judicial durante os próximos seis meses. Em depoimento, Gisele negou as ofensas raciais e afirmou que o conflito teve início após um desentendimento com funcionárias do bar, motivado por um pedido de gelo para o suco que, segundo ela, não foi atendido. A turista alegou ainda que teria sido vítima de discriminação racial, afirmando que o episódio ocorreu “por causa de sua cor”.
Foto: Ascom/PCBA
A
versão foi contestada pela vítima Hanna relatou que a turista já estaria
ofendendo outros funcionários quando passou por ela. Segundo o depoimento, a
mulher apontou para a atendente e a chamou de “lixo”, afirmando ser branca e
reiterando as ofensas. A funcionária também confirmou que foi atingida por uma
cusparada. O policial civil Savio Tadeu do Rio Checcucci, que também prestou
depoimento, relatou que, ao chegar à delegacia, a turista afirmou que queria
ser atendida por um delegado branco. A defesa de Gisele questionou a legalidade
da prisão em flagrante, mas o juiz considerou que os requisitos legais foram
cumpridos, com base nos depoimentos e nos elementos colhidos durante a
apuração.Tribuna da da Bahia.