De Olho na Cidade
Foto: Divulgação
A liquidação do Banco Will, determinado pelo Banco Central após a constatação de uma situação financeira considerada insustentável, tem causado apreensão entre milhões de correntistas em todo o país. Sobre o tema, o Jornal do Meio Dia, da Rádio Princesa FM, recebeu o advogado especialista em Direito Bancário, André Luiz Paraíso, que explicou os desdobramentos do caso e os direitos dos clientes afetados. De acordo com o advogado, o Banco Will não atuava de forma independente, mas era um braço do Banco Master, instituição que já havia sido alvo de investigações e denúncias no ano passado. Segundo ele, o desfecho era esperado. “O Banco Will é um braço do Banco Master. No ano passado, o Banco Master já esteve envolvido em um grande escândalo, com investigações graves, e o encerramento das atividades do Will acabou sendo uma consequência desse cenário”, explicou.
Apesar de, inicialmente, ter sido informado que a instituição teria liquidez para continuar operando, a decisão final coube ao Banco Central. “A decisão final foi do Banco Central, que optou por encerrar as atividades do Banco Will. A partir daí surgiram várias complicações, principalmente porque não houve comunicação prévia aos correntistas”, destacou. O advogado ressaltou que o Banco Will não era o maior do segmento de bancos digitais, mas teve um crescimento rápido, impulsionado por marketing agressivo e facilidade de acesso ao crédito. “Era um banco que cresceu muito rápido, usando patrocínio de artistas e influenciadores, alcançando principalmente pessoas que não tinham acesso a crédito em bancos tradicionais, por oferecer menos burocracia e taxas menores”, afirmou.
Com o encerramento repentino,
muitos clientes foram pegos de surpresa e ficaram sem acesso às próprias
contas, cartões e valores depositados. “O maior problema foi a falta de
informação. As pessoas simplesmente acordaram sem acesso às contas, sem
qualquer aviso ou preparação prévia”, pontuou.
Segundo Dr. André Luiz, o
encerramento ocorreu por meio de uma liquidação extrajudicial, procedimento semelhante
à falência, mas com regras específicas para instituições financeiras. “É um
processo mais complexo, que exige cautela, porque o mercado pode absorver esses
ativos. Outros bancos podem adquirir partes da instituição”, explicou.
Em relação ao dinheiro dos
clientes, o advogado reforçou que os valores estão protegidos pelo Fundo
Garantidor de Créditos (FGC), até o limite estabelecido por lei. “O Fundo
Garantidor garante até R$ 250 mil por CPF. Valores acima disso não são
reembolsados”, esclareceu.
No entanto, o ressarcimento não é
imediato. “Após baixar o aplicativo oficial do FGC, o cliente precisa aguardar.
Existe um trâmite de apuração, não há uma data exata para o pagamento, apesar
de o recebimento ocorrer por Pix”, afirmou.
Do ponto de vista jurídico, Dr.
André Luiz destacou que a principal irregularidade pode estar na forma como a
suspensão foi feita. “A ausência de notificação prévia pode caracterizar uma
suspensão indevida de conta. Muitas pessoas tinham apenas essa conta bancária,
e isso pode, sim, ensejar ação judicial”, alertou.
O advogado acredita que o banco possuía milhões de clientes, especialmente após a pandemia, período em que aumentou o número de pessoas com restrições de crédito. Dr. André Luiz deixou um alerta importante para evitar novos prejuízos.
“É fundamental baixar apenas o
aplicativo oficial do FGC. O governo não entra em contato por WhatsApp ou
ligação. Golpistas costumam se aproveitar desses momentos para aplicar
fraudes”, advertiu. Ele também orienta que, em caso de dúvidas ou dificuldades,
o cliente procure um advogado especialista. “Quem tiver problemas com a
suspensão da conta deve buscar orientação jurídica e acompanhar atentamente as
informações oficiais”, concluiu. Fonte: De Cidade.