segunda-feira, 17 de novembro de 2025

CPMI DO INSS CANCELA SESSÃO APÓS DEPOENTES APRESENTAREM HABEAS CORPUS E ATESTADO MÉDICO

 Por Gazeta Brasil

Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A sessão da CPMI do INSS, prevista para esta segunda-feira última (17/11), foi cancelada após os dois depoentes convocados apresentarem justificativas que impediram seus comparecimentos. O empresário Thiago Schettini, um dos alvos do inquérito, enviou à comissão um habeas corpus que lhe dá o direito de não comparecer. Já o ex-coordenador de Pagamentos e Benefícios do INSS, Jucimar Fonseca da Silva, apresentou um atestado médico alegando não ter condições de prestar depoimento.

Apesar do documento médico, integrantes da CPMI afirmam que a junta médica do Senado concluiu que Jucimar possui condições de ser interrogado, o que deve levar a uma nova tentativa de convocação. Ele é considerado um dos principais investigados pela comissão e responde a 11 requerimentos de convocação. Segundo parlamentares, Jucimar ocupava um cargo estratégico no INSS e teria autorizado o desbloqueio em lote de descontos associativos ligados ao esquema de fraudes. O outro depoente previsto, Thiago Schettini, é apontado por investigadores como um “facilitador” no desvio de aposentadorias da Previdência Social. Ele foi convocado por quatro requerimentos, incluindo um do deputado Rogério Correia (PT-MG).

A CPMI foi instalada após a Polícia Federal revelar, em abril, um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões entre 2019 e 2024. O prejuízo estimado é de R$ 6,3 bilhões. As investigações levaram ao afastamento de cinco servidores, à demissão do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e à saída do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi.

O esquema, segundo os investigadores, envolvia três níveis de atuação: operadores financeiros, servidores que manipulavam o sistema e políticos com influência sobre os envolvidos. As apurações já resultaram na prisão de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, de Alessandro Stefanutto e de outras quatro pessoas. Também houve operações de busca contra Ahmed Mohamad Oliveira, ex-ministro da Previdência no governo Bolsonaro, e o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG).Fonte: Gazeta Brasil.