Por Gazeta Brasil
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
A
sessão da CPMI do INSS, prevista para esta segunda-feira última (17/11), foi
cancelada após os dois depoentes convocados apresentarem justificativas que
impediram seus comparecimentos. O empresário Thiago Schettini, um dos alvos do
inquérito, enviou à comissão um habeas corpus que lhe dá o direito de não
comparecer. Já o ex-coordenador de Pagamentos e Benefícios do INSS, Jucimar
Fonseca da Silva, apresentou um atestado médico alegando não ter condições de
prestar depoimento.
Apesar
do documento médico, integrantes da CPMI afirmam que a junta médica do Senado
concluiu que Jucimar possui condições de ser interrogado, o que deve levar a
uma nova tentativa de convocação. Ele é considerado um dos principais
investigados pela comissão e responde a 11 requerimentos de convocação. Segundo
parlamentares, Jucimar ocupava um cargo estratégico no INSS e teria autorizado
o desbloqueio em lote de descontos associativos ligados ao esquema de fraudes. O
outro depoente previsto, Thiago Schettini, é apontado por investigadores como
um “facilitador” no desvio de aposentadorias da Previdência Social. Ele foi
convocado por quatro requerimentos, incluindo um do deputado Rogério Correia
(PT-MG).
A
CPMI foi instalada após a Polícia Federal revelar, em abril, um esquema de
descontos indevidos em aposentadorias e pensões entre 2019 e 2024. O prejuízo
estimado é de R$ 6,3 bilhões. As investigações levaram ao afastamento de cinco
servidores, à demissão do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e à
saída do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi.
O
esquema, segundo os investigadores, envolvia três níveis de atuação: operadores
financeiros, servidores que manipulavam o sistema e políticos com influência
sobre os envolvidos. As apurações já resultaram na prisão de Antônio Carlos
Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, de Alessandro Stefanutto e de
outras quatro pessoas. Também houve operações de busca contra Ahmed Mohamad
Oliveira, ex-ministro da Previdência no governo Bolsonaro, e o deputado federal
Euclydes Pettersen (Republicanos-MG).Fonte: Gazeta Brasil.