Por Clóvis Gonçalves
Isla Bryson foi levada para a prisão feminina de Cornton
Vale depois de ser condenada por cometer os estupros quando ainda era
identificada como homem, com o nome Adam Graham. Os estupros aconteceram em
2016 e 2019. Bryson decidiu fazer a transição enquanto aguardava o julgamento. No
entanto, a premiê da Escócia, Nicola Sturgeon, disse que Bryson não ficará
presa em Cornton Vale. Bryson deve receber sua pena de prisão no próximo mês –
e a prisão onde essa sentença será cumprida tem gerado debates acalorados. A
premiê escocesa citou o diretor da entidade Rape Crisis, que trabalha contra o
estupro. Sturgeon disse que não entende como seria possível ter uma estupradora
dentro de uma prisão feminina. Referindo-se diretamente ao caso, Sturgeon
confirmou: “Esta prisioneira não será encarcerada na prisão feminina de Cornton
Vale.” Ela disse que qualquer prisioneiro que represente um risco de ofensa
sexual é mantido separado de outros prisioneiros.
“Não há direito automático para uma mulher trans condenada por um crime cumprir sua pena em uma prisão feminina, mesmo que tenha um certificado de reconhecimento de gênero”, disse. “Cada caso está sujeito a uma avaliação de risco individual rigorosa e a segurança de outros prisioneiros é fundamental.” Na última quinta-feira (26/1), uma ex-diretora de Cornton Vale disse que a discussão sobre enviar uma estupradora transgênero para uma prisão feminina foi uma “confusão desnecessária”. Rhona Hotchkiss, que dirigiu Cornton Vale até 2017, disse que teria se recusado a receber Isla Bryson na prisão. Em debate com Sturgeon no parlamento, o líder conservador escocês, Douglas Ross, perguntou repetidamente onde Bryson estava detida atualmente. Ele disse que os ministros podem intervir e têm 72 horas para questionar onde um prisioneiro é mantido.Sturgeon respondeu que esperava que, antes do término do período de 72 horas, a prisioneira não estivesse mais no presídio feminino.
PRISIONEIROS TRANS
O governo do Reino Unido está discutindo uma reforma na sua
política de encarceramento de prisioneiros transgêneros. A reforma prevê que
prisioneiras trans com partes íntimas masculinas, ou as condenadas por crimes
sexuais, não sejam mantidas em prisões femininas, exceto em casos “verdadeiramente
excepcionais”. Bryson, de 31 anos, disse ao tribunal que sabia que era transgênero
aos quatro anos de idade, mas que decidiu fazer a transição aos 29 anos. Ela
está tomando hormônios e pretende fazer uma cirurgia para fazer a mudança de
sexo. Durante o julgamento, o advogado de Bryson disse que ela é “vulnerável” e
não é um “predador masculino”. Em depoimento pré-gravado apresentado aos
jurados, uma das vítimas diz ter sido estuprada em um apartamento em Glasgow no
dia 27 de junho de 2019.
Bryson disse aos jurados que os dois conversaram sobre
“problemas de sexualidade” depois de se conhecerem em uma rede social. Os dois
ficaram sozinhos juntos em um apartamento. A vítima diz ter se sentido
“esmagada” quando o agressor que ela conhecia como Adam a estuprou. Ela
afirmou: “Eu disse para ele parar e ele não parou. Ele continuou. Foi quando
fechei os olhos e o deixei fazer o que queria fazer.” Bryson negou essa
acusação. Ela disse: “Eu nunca faria isso. Eu nunca faria mal a nenhuma
mulher.” Este texto foi publicado em
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-64415606.