Por Clóvis Gonçalves
A recomposição das alíquotas originais do Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI) ficou fora do pacote fiscal anunciado na semana
passada como um compromisso do governo com a reforma tributária, disse na última segunda-feira (16 de janeiro) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Em viagem a Davos (Suíça) para
participar do Fórum Econômico Mundial, ele disse que a abrangência e a
manutenção do imposto serão discutidos na proposta de reforma tributária ainda
neste semestre. De acordo com o ministro, a reforma buscará reduzir a carga
tributária para a indústria, que, nas palavras dele, é desproporcional à fatia
do setor no Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos).
“[A reforma tributária] é essencial para buscar a justiça
tributária e para reindustrializar o país. Porque a indústria paga hoje quase
um terço dos tributos no Brasil e responde por 10% da produção. Há um
desequilíbrio muito grande. O caminho é esse”, declarou o ministro na porta do
hotel onde está hospedado no fim do primeiro dia de agenda. Para Haddad, há
maturidade, tanto na Câmara como no Senado, para chegar a um consenso e votar a
reforma tributária ainda neste semestre. O ministro afirmou que o governo tem a
desoneração da indústria como um compromisso e voltou a dizer que o Congresso
se baseará nos dois textos que tiveram a discussão interrompida no governo
passado, um na Câmara e outro no Senado, que têm como base ideias elaboradas
pelo secretário especial da Reforma Tributária, Bernard Appy.
Mais cedo, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse que o governo tem como meta extinguir o IPI nas discussões sobre a reforma tributária e que o ministro da Fazenda teve “sensibilidade” ao manter a desoneração de 35% que entrou em vigor no ano passado. Alckmin deu a declaração em evento da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp). Os textos em tramitação na Câmara e no Senado preveem a fusão de diversos tributos, inclusive o IPI, por tipo ou mais de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que seria repartido entre a União, os estados e os municípios. Uma das propostas, em tramitação no Senado, prevê que o IPI seria mantido apenas como um tributo para onerar produtos que fazem mal à saúde, como tabaco, bebidas alcoólicas e produtos derivados de açúcar. Segundo Haddad, o fim do IPI e a redução de outros impostos seriam financiados com o aumento do Imposto de Renda sobre contribuintes mais ricos. Ele disse que a reforma “não será neutra” e buscará corrigir a regressividade (carga maior sobre os mais pobres) do sistema tributário brasileiro. (Edição: Fábio Massalli/Agencia Brasil).