domingo, 19 de outubro de 2014

FAMÍLIAS TORNA-SE GRANDE LUTA DOS HOMOSSEXUIAS

Por Clóvis Gonçalves
Além de serem reconhecidos como família, os casais homossexuais buscam por mais respeito dentro de casa.
Neste domingo (19) Feira de Santana estará mais uma vez sediando Parada Gay. Para aqueles que lutam pela causa, a Parada é um momento de reafirmação dos homossexuais que reivindicam por direitos e respeito na sociedade. Com o tema “LGBT também é família”, o movimento toca em um assunto bastante polêmico que circunda o universo homossexual.

Divergências de pensamentos da questão família x homoafetividade tem culminado não apenas nos conflitos entre pais e filhos, quando estes não optam pela heterossexualidade. A família tem sido uma preocupação porque estes afirmam que a união entre duas pessoas do mesmo sexo deve ser entendida como algo normal e que se tem amor e vontade de estar junto, as leis conjugais não podem se opor.

Fábio Ribeiro, organizador da parada gay em Feira de Santana e membro do GLICH – Grupo Liberdade, Igualdade e Cidadania Homossexual, contou que segundo pesquisas da Secretaria Nacional de Diretos Humanos, 63% de todos os casos sobre violações, o executor é sempre um conhecido, pai ou irmão que bate, expulsa, fala mal e humilha o homossexual. “Hoje muitos homossexuais ainda são expulsos de casa ou sofrem violência por parte dos pais ou dos irmãos”, disse.

Mesmo com todos os casos noticiados e registrados de homofobia, Fábio contou que a discriminação ainda é velada. Sobre o casamento gay, ele acredita que judicialmente há um grande avanço, sendo permitido o casamento de pessoas com o mesmo sexo. Porém, uma lei nesse sentido ainda não foi aprovada porque a maioria dos parlamentares são contra. “A ideia de família é um embate maior porque os fundamentalistas dizem que nós não somos família, que a constituição de dois homens ou duas mulheres que se amam não é família, mas do outro lado o judiciário já reconhece como família”, disse, ressaltando que, para o judiciário, família é toda relação de amor e de afeto que pode conviver junto independente da sexualidade.

Na última segunda-feira (13), um documento do vaticano anunciou uma possível mudança na posição da igreja em relação à questão homossexual. O texto foi elaborado por mais de 200 bispos e reflete sobre temas relacionados à aceitação da homossexualidade sem modificar a doutrina católica sobre a família. Para Fábio, a Igreja tem mudado de posicionamento porque coloca a questão do amor entre as pessoas em primeiro lugar e por a homoafetividade ter se tornado um fator social. “Em termos de opinião a Igreja é uma das instituições mais poderosas e com certeza a maioria das pessoas que seguem essa religião vão seguir o que o Papa determinou e nesse caso reconhece a união, não como constituída como uma família heterossexual, mas reconhece que o amor entre dois homens ou duas mulheres é válido e deve ser livre de discriminação”, opinou.

Para mudar o estereótipo que a sociedade tem em relação aos homossexuais, Fábio acredita que só o conhecimento pode mudar esta realidade. “A partir do momento que as pessoas se dão a oportunidade de conhecer o homossexual, vão mudando esse pensamento e vendo que é uma relação como a heterossexual. Eles querem amor, querem ter filhos ou não, como qualquer casal”, disse.

Pais e filhos

Mesmo com todas as notícias de divergências entre pais e filhos por conta da opção sexual, há aqueles que destoam deste universo e passam a compreender a opção sexual de seus filhos como parte de sua felicidade.

Nivaldo de Jesus contou que o relacionamento com seus filhos sempre foi muito aberto, com respeito mútuo. Ele revelou que quando seu filho o contou que era gay, ele teve um choque, mas que prezou pela felicidade do filho. “Eu penso que o melhor para meu filho é eu apoia-lo em decisões coerentes, sábias. Tenho certeza que ele não estaria onde esta hoje em nível profissional e de estudo se ele não tivesse o apoio que eu e minha esposa damos a ele”, disse.

Sobre as decisões da Igreja, Nivaldo acredita que é um passo muito importante e que a instituição prezou pelo respeito ao ser humano. “Nós temos que olhar para nossa realidade, mudar nossos conceitos, rever nossos preconceitos, que é o que mais atrapalha o nosso dia a dia, e deixar que a razão tome conta da situação. Amor em primeiro lugar”, disse.

A Parada

Este ano a Parada Gay vai ter um percurso menor, pois a organização do evento optou por realiza-lo durante o dia para evitar possíveis ocasiões de violência. O evento começa em torno das 14 horas e vai até às 19h. Sairá da Avenida Getúlio Vargas, vai até a Praça do Rotary, retornando para Getúlio.


Será montado um palco na Praça de Alimentação da Getúlio Vargas onde serão realizadas apresentações culturais, com transformistas e artistas voltados para cultura LGBT. O evento tem parceria com o Programa DST/AIDS e serão realizados testes rápido para diagnóstico de HIV e hepatite.(Folha do estado da Bahia)