O Brasil lidera o ranking de
violência contra o professor, segundo pesquisa da Organização para a Cooperação
e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre aprendizagem (Talis). Foram
entrevistados mais de 100 mil professores em todo o mundo. No Brasil, 14.291 professores
responderam ao questionário, além de 1.057 diretores de 1.070 escolas. Quando perguntados se já sofreram
agressões verbais ou intimidação por parte de alunos, 12,5% dos professores
brasileiros responderam que sim. O resultado distancia o Brasil de países como
Coreia do Sul, Malásia e Romênia, onde o índice é zero. Ainda de acordo com a pesquisa,
professores no Brasil declaram gastar 20% de seu tempo em aula mantendo a ordem
da sala (comparado com a média de 13% dos 34 países entrevistados pela Talis).
Projeto de lei
Com o objetivo de diminuir a violência nas salas de aula, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 7307/14, que prevê punição para estudantes que agredirem verbal ou fisicamente professores. No entanto, o assunto não é pacífico. De um lado, há defensores de ação mais enérgica do Estado; de outro, os que afirmam ser dever dos pais orientar seus filhos a respeitar os professores.
Com o objetivo de diminuir a violência nas salas de aula, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 7307/14, que prevê punição para estudantes que agredirem verbal ou fisicamente professores. No entanto, o assunto não é pacífico. De um lado, há defensores de ação mais enérgica do Estado; de outro, os que afirmam ser dever dos pais orientar seus filhos a respeitar os professores.
Segundo o autor do PL 7307/14,
deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC), o combate à violência física e ao
uso de drogas nas escolas deve ser feito por meio de leis proibitivas. "Muitas vezes, o Estado só se
preocupa em criar leis que protejam, que defendam; mas não, as crianças e
adolescentes lá na sua vida adulta têm de saber que tudo o que fazem e que para
toda ação há uma consequência", afirmou o deputado.
Já a deputada Liliam Sá (Pros-RJ)
disse que é desnecessária uma lei para regular o assunto. "O projeto é
redundante, apesar da boa intenção do legislador em relação às punições. As
escolas já têm punição específica. Quando o aluno comete um ato infracional,
ele é punido: a escola suspende, chama os pais e encaminha para o conselho
tutelar", declarou a deputada. "Não é através de projetos de
lei que nós vamos fazer com que essas crianças tenham disciplina. Isso depende
muito da escola, da direção da escola e dos pais. Depende da educação que os
pais passam a seus filhos, para ensinar a respeitar as leis, o que já começa
dentro de casa, a respeitar seu professor, respeitar o horário", disse
Liliam Sá.
Vítimas de agressão
Vítima de agressão em 2008, o professor Valério Mariano dos Santos acredita que a profissão deve ser respeitada pelo governo e pela sociedade. Do contrário, não haverá mais estímulo em trabalhar nas salas de aula.
Vítima de agressão em 2008, o professor Valério Mariano dos Santos acredita que a profissão deve ser respeitada pelo governo e pela sociedade. Do contrário, não haverá mais estímulo em trabalhar nas salas de aula.
"A sociedade desvaloriza, o
próprio governo desvaloriza, e não oferece ao professor condições mínimas de um
trabalho decente na sala de aula. A estrutura física das escolas não oferece
essa condição. A falta de comprometimento da família também contribui para esse
prejuízo, para esse desamor", disse o professor.
Comunicação aos pais
O Projeto de Lei 7307/14 prevê a suspensão e o encaminhamento para a Justiça,
em casos graves, dos alunos que descumprirem as normas de conduta. O texto
ainda será analisado por três comissões da Câmara dos Deputados. O relator da proposta na Comissão de
Seguridade Social e Família, deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), posicionou-se
favorável ao projeto e apresentou substitutivo para
acrescentar a obrigatoriedade de comunicar previamente aos pais ou responsáveis
a apuração de faltas cometidas pelo aluno. Segundo
Pestana, a alteração tem o objetivo de adequar o texto à exigência da
legislação, que prevê a necessidade de prévia oitiva de interessados (pais e
responsáveis) nos casos de suspensão do aluno. Além disso, "o caráter
pedagógico da medida recomenda a conscientização de todos os envolvidos na
educação do aluno", argumenta Marcus Pestana.(Câmara Noticias)
