Por Clóvis Gonçalves
A Comissão de
Educação, Cultura e Esporte (CE) está pronta para votar a criação do Dia
Nacional da Capoeira. A data escolhida para a celebração do esporte é 15 de
julho. A proposta (PLC 17/2014), do deputado Márcio Marinho (PRB-BA), é relatado no Senado por Anibal Diniz (PT-AC), que já deu parecer favorável à iniciativa.
O Dia Nacional da Capoeira, de acordo
com o texto original, seria celebrado todo dia 20 de novembro. O deputado
Marinho justificou a escolha citando as origens do esporte. “Sendo o dia 20 de
novembro o Dia da Consciência Negra, data em que Zumbi dos Palmares, um dos
líderes mais importantes da luta pela liberdade e contra o escravismo, perdeu
sua vida, cremos ser relevante reafirmar nesta data o seu reconhecimento como
Patrimônio Cultural”, argumenta o deputado.
Em seu parecer, Anibal exalta a
ideia, dizendo que a criação do dia comemorativo contribui para reforçar a
importância da “arte-luta” para a sociedade brasileira. No entanto, ele propõe
outra data, procurando evitar o conflito de calendário com o Dia da Consciência
Negra. “Seria conveniente evitar a sobreposição”, diz o senador.
O dia 15 de julho foi sugerido porque
nessa data, em 2008, a capoeira foi registrada como Patrimônio Cultural
Imaterial do Brasil, por iniciativa do Ministério da Cultura.
Após ser analisada pela CE, o projeto
terá de passar pelo Plenário do Senado.
Histórico
A capoeira é uma forma de arte
marcial desenvolvida pelos escravos africanos no Brasil a partir do século 18.
Em sua concepção, consistia em uma mistura de cantos e danças tradicionais com
movimentos de luta. “Eles passaram a praticar formas de luta para resistir,
cultural e fisicamente, aos abusos da sociedade escravocrata brasileira”,
rememora o deputado Márcio Marinho. Chegou a ser proibida no Brasil entre 1890
e 1940.
Ao longo do século 20 o esporte se
desenvolveu. “Consagrou-se a divisão de duas escolas, a saber, Capoeira Angola
e Capoeira Regional”, relata Anibal Diniz.
A Angola era mais semelhante às
formas tradicionais de capoeira africana. Já a Regional é mais voltada para o
aspecto de luta. Com o passar do tempo, tornou-se um importante símbolo – e
cartão de visitas – da cultura brasileira. “A modalidade se espalhou pelo mundo
e, hoje em dia, seus movimentos corporais e suas cantigas são reconhecidos em
praticamente todos os países”, celebra o senador.(Agencia Senado)
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